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vida cristã

Escolhas

outubro 17, 2019 0 comentários

“apanhai-me as raposas, são as raposinhas que devastam os vinhedos” Ct 2: 15

Certa vez vi uma dessas matérias que nos parecem inacreditáveis (depois pesquise na internet e verá o artigo): um canadense conseguiu trocar um clipe de papel por uma casa. Logicamente, ninguém trocaria uma casa por um simples clipe, o que esse esperto canadense fez foi realizar trocas, onde, no final, conseguiu chegar à casa. Então o clipe de papel foi trocado por uma caneta com forma de peixe. A caneta foi trocada por uma maçaneta de porta com desenho especial, a maçaneta por um fogareiro de acampamento e o fogareiro por um gerador. Dessa forma, ele foi trocando e trocando até chegar à uma casa na cidade de Kipling, Canadá.

Esse é um exemplo positivo de como uma pessoa, através das suas escolhas seguiu por um caminho de prosperidade. O problema é quando acontece o contrário conosco. Temos uma casa e à medida que fazemos nossas escolhas e tomamos as nossas decisões podemos terminar a nossa vida com apenas um clipe de papel nas mãos.

Eu fico pensando em Ló, a bíblia o chama de homem justo, porém teve um final de história muito triste e miserável. Mas esse processo não foi de um dia para o outro … “ló foi armando suas tendas até Sodoma e passou a conviver com pessoas más e grandes pecadores contra o Senhor” (Gn 13: 12-13). O inimigo tem suas estratégias e planos … ele não nos oferece alguma coisa que nos assuste e nos  afugenta. Ele te oferece coisas que estão dentro das nossas possibilidades e uma vez que ele fincou uma legalidade maligna nas nossas emoções ele começa o trabalho de deformar e corromper cada vez mais nossa percepção e valores de maneira que não percebemos as trocas que fazemos. Ele vai oferecendo pequenas situações onde você fará pequenas escolhas que poderão destruir a sua história. Apanhem as raposinhas porque são elas que devastam o vinhedo. 

Muitas vezes, os resultados das nossas escolhas não são imediatas. Assim como o filho pródigo, podemos passar por um período de falsa paz e alegria, até darmos conta de que estamos muito longe da casa do Pai nos alimentando do resto da comida dos porcos (Lc 15:14-16). E isso deveria ser um grande alarme para nós: porque as escolhas do presente  determinarão o que seremos no futuro.

Você é livre para escolher qual semente irá plantar mas lembre-se você será obrigado a colher o que semeou. Essa é a lei da semeadura que Deus estabeleceu e nenhum de nós consegue escapar: semeamos pensamentos colhemos comportamento; semeamos comportamento e colhemos hábitos, semeamos hábitos e colhemos caráter, semeamos caráter e, então  colheremos o nosso destino.

“De Deus não se zomba porque aquilo que o homem plantar isso também ceifará” Gálatas 6: 7

Com vergonha do evangelho

setembro 26, 2019 0 comentários

“não me envergonho do evangelho porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê” Rm 1:16

Certa vez eu li o relato de um pastor que participou de uma reunião de jovens em uma igreja lá nos Estados Unidos. onde ele diz mais ou menos o seguinte:

“Entrei em um tipo de loft que combinava diversos elementos: fliperama, cafeteria, clube de dança e recreação. A sala pulsava energia com uma sensação de felicidade. Alguns jovens estavam jogando playstation outros estavam largados no sofá vendo seus celulares enquanto que outros estavam conversando ao redor de uma mesa cheia de guloseimas. Após algum tempo, todos eles se reuniram para o início do culto. Começou então uma adoração comunitária . Uma banda barulhenta ocupava o palco central. A banda conduzia o grupo por uma sequência incitante de canções de louvor triunfantes e depois por uma sequência de meditações introspectivas. Abruptamente, eles pararam de tocar e um grupo de teatro subiu no palco para aliviar a atmosfera e comunicar a todos que seguir a Jesus pode ser divertido. Depois disso um pastor jovem e moderno trouxe uma mensagem onde, resumidamente, ele  dizia “não beba” “não fume” e principalmente “não faça sexo” tudo isso com uma grande preocupação de não parecer careta nem soar uma coisa chata. Após terem recebido uma mensagem vagamente bíblica os jovens foram dispensados com promessas de mais divertimento na semana seguinte.”

A turma que nasceu após o ano 2000 é conhecida na literatura como a geração Z ou os nativos digitais. Eles não sabem o que é um mundo sem internet, são multimídia, multitelas e por isso mesmo,  conquistar a atenção deles não é nada fácil. Os pais desses jovens possuem uma honesta preocupação de que seus filhos saiam da igreja e abandonem a fé. Mas, se a intenção é correta os meios escolhidos são perigosos e insuficientes. Porque transformamos o ministério de jovens em uma tentativa de lhes oferecer o próprio mundo envelopado na religião cristã na tentativa que isso consiga os segurar na igreja. 

O remédio que se oferece aos jovens poderá, no futuro, tornar-se em um veneno. Porque se a tentativa é oferecer as coisas do mundo em doses homeopáticas chegará um momento em que o jovem descobrirá que poderá experimentar todas essas coisas de uma forma mais liberada fora da igreja. Não oferecemos entretenimento, isso o mundo oferece melhor do que nós. Não oferecemos diversão, vida social ou experiências sensoriais … oferecemos o evangelho eterno e imutável de Deus que nos liberta de um império e nos transporta para pertencermos a um outro reino.

Precisamos enfrentar essa realidade com coragem e temor porque manter nossos jovens presos no prédio da igreja não é, de modo algum, sinônimo de torná-los prisioneiros de Cristo. O preço a ser pago para se tornar um discípulo de Cristo é altíssimo porque o custo é a própria vida.  Por isso que o Senhor já nos avisou que a porta é estreita e apertado o caminho que conduz para a vida e são poucos que se acertam com ela.  

Não devemos nos envergonhar do evangelho de Deus como se fosse insuficiente para os nossos jovens ou desatualizado para os dias de hoje.  Não devemos omitir as duras verdades do evangelho com medo de que o nosso ouvinte fique chateado ou pense que somos radicais demais. Que o Senhor nos livre de fazermos concessões ou adulterações na sua palavra na  tentativa de tornar o convite de Cristo mais agradável e palatável a quem quer que seja. 

 

A Igreja, como nação santa, como povo de propriedade exclusiva de Deus, dá esse testemunho … vivemos para Cristo. nós nos reunimos por causa de Cristo, servimos e amamos uns aos outros por causa de Cristo.  Se isso parece loucura para alguns, para nós é poder e sabedoria de Deus.  

 

“nós pregamos a Cristo crucificado, escândalo para os judeus, loucura para os gentios;  mas para os que foram chamados, pregamos a Cristo, poder de Deus e sabedoria de Deus” I Co 1: 23,24

 

O fogo e a brisa

setembro 19, 2019 0 comentários

“Disse-lhe Deus: sai e põe-te neste monte perante o Senhor; e um grande e forte vento fendia os montes e despedaçava as penhas diante dele, porém o Senhor não estava no vento. Depois do vento um terremoto, mas o Senhor não estava no terremoto, depois do terremoto um fogo mas o Senhor não estava no fogo ; e , depois um cicio tranquilo e suave. Ouvindo-o Elias envolveu o rosto no manto e, saindo pôs-se à entrada da caverna. Eis que lhe veio uma voz e lhe disse: Que fazes aqui Elias?” I Reis 19: 11 – 13

O profeta Elias vinha de uma grande vitória. É uma daquelas histórias que gostamos de contar para as crianças e a lemos nos deliciando em cada versículo. Elias havia chamado o povo para assistir uma “disputa” de poder entre deuses. De um lado, estava o Senhor Jeová, Deus de Israel e do outro lado Baal representado por 450 profetas. O povo se reuniu para testemunhar qual deles era, de fato o verdadeiro. A prova era simples, cada um dos lados ofereceria um sacrifício ao seu deus e o vencedor seria àquele que fizesse descer fogo do céu como um sinal de resposta e aceitação. Conhecemos a história, de como os 450 profetas de baal ficaram por meio dia clamando e suplicando uma manifestação que não veio. E quando Elias orou a Jeová imediatamente caiu fogo do céu consumindo o holocausto, a lenha, as pedras e a terra.

Eu consigo entender porque essa história nos atrai tanto. Todos nós gostaríamos de ter um dia de Elias, de orar e pedir ao Senhor que de uma maneira poderosa e inequívoca se manifeste, convencendo os incrédulos do seu erro e provando que Deus é real.

Quase me parece inacreditável o que acontece na continuação dessa história. Elias ouviu as ameaças de morte feitas pela rainha Jezabel, teve medo e fugiu para o deserto pedindo para si a morte. E é nesse contexto que temos a passagem que li no início deste pensamento. Escondido em uma caverna, Deus ordena que Elias saia e fique perante o Senhor. Então, veio um vento tão forte que despedaçou a penha mas Deus não estava lá. Depois veio um terremoto mas Deus não estava lá. Quando Elias viu o fogo deve ter pensado “ah! esse é o Deus que eu conheço, o Deus que faz descer fogo do céu … mas…. Deus também não estava lá. Talvez para a surpresa de Elias, Deus se manifestou através de um cicio tranquilo e suave. Deus estava no sussurro da brisa.

Fico pensando nesse exemplo e de como para nós é fácil vermos Deus nas coisas espetaculares mas, muitas vezes, não conseguimos vê-lo na brisa por ser comum demais.É fácil ouvi-lo quando ele se manifesta com a voz de um trovão, mas será que o ouvimos quando ele apenas sussurra mansamente perto do nosso ouvido? Achamos que Deus está apenas presente quando pessoas são curadas ou mortos são ressuscitados. Mas Deus também se revela nas coisas acessíveis da vida: Deus está na brisa suave de uma visita ao enfermo ou na oferta financeira que se dá ao necessitado ou no amigo que dá do seu tempo e consolo ao desanimado. Deus é a voz baixa e suave que santifica o jovem, que restaura o casamento, que inspira os pais na educação dos filhos, que une a igreja no vínculo do amor. Deus é a voz mansa e tranquila no pedido de perdão, no ósculo santo, na prática do bem ou no partir do pão em que anunciamos a morte de Cristo até que Ele venha.

Eu nunca vi fogo cair do céu … e talvez eu nunca o veja. Mas eu já senti o efeito da brisa sobre mim, muitas e muitas vezes. E isso me basta para saber e crer que Deus é real. Que Ele fala, que ele opera e que está presente.

“eis que estou convosco todos os dias, até à consumação dos séculos” Mateus 28:20

 

 

Respiração

julho 25, 2019 0 comentários

“ assim se alguém está em Cristo é nova criatura”” II Co 5:17

O cristão é uma pessoa que precisa lidar com dimensões diferentes de vida. Nenhum
peregrino, por mais consagrado e santificado que seja, vive de comer luz. Precisamos do
pão de cada dia e, ao procurá-lo descobrimos que o conseguiremos mediante o suor do
rosto.

Temos que trabalhar, cortar cabelo, tocar fralda suja do neném ou alguns de nós precisam
trocar as fraldas do seus pais. Precisamos pagar boletos, fazer empréstimos, negociar
dividas e cuidar da saúde. E mesmo fazendo todas essas coisas podemos dizer como
Paulo em II Coríntios 10: 3 “porque embora andando na carne não militamos segundo a
carne”. Tentamos em todo o tempo ver o invisível, discernir as coisas pelo ângulo do Reino
de Deus. Olhamos para o céu e anelamos por coisas espirituais. Somos servos do Senhor
Jesus, aquele a quem não havendo visto com nossos olhos físicos, amamos.

Philip Yancey , em um dos seus livros, faz uma interessante ilustração sobre a vida do
cristão. Ele diz que somos como as baleias ou os golfinhos. Embora estejam cercados pelo
meio aquático nadando, comendo e vivendo dentro dágua eles não são iguais aos peixes.
Isso porque, como mamíferos que são, o sistema respiratório deles é completamente
diferente. Enquanto os peixes conseguem retirar o oxigênio que se encontra dissolvido na
água os mamíferos só conseguem retirar o oxigênio da atmosfera. De maneira que, em
algum momento a baleia ou o golfinho necessitam, subir até a superfície para respirar.

Em Efésios 2:12 diz que outrora estávamos sem Cristo, estranhos às alianças da promessa
não tendo esperança e sem Deus no mundo” mas agora, que somos uma nova criatura,
alguma dentro de nós mudou: passamos a precisar respirar as coisas do céu, sentimos e
percebemos que nem só de pão vive o homem mas também da palavra que procede da
boca de Deus. Nossa verdadeira comida e bebida, ou seja, aquilo que nos fortalece,
torna-se fazer a vontade do Pai e estar em plena comunhão com Ele.

Não é preciso dizer que tudo isso é uma completa loucura para os peixes. Eles estão
tranquilos lá no fundo do mar. Não sentem tal necessidade, não conseguem entender nem
nosso estilo de vida nem nossas prioridades. Agora, maior loucura é eu me esquecer da
minha identidade em Cristo e passar a viver e imitar os peixes.

Não posso, nem por um momento sequer, permitir que eles me influenciem. Eu não :sou
igual a eles, se eu passo a imitar o seu procedimento acabarei morrendo por falta de ar. É
como aquele ditado que diz: “”galinha que anda com pato acaba morrendo afogada”.

Diariamente, quero elevar meu espírito para as coisas celestiais , como fazemos na nossa
respiração – quero expirar as coisas da terra e inspirar as coisas do céu. Encher meus
pulmões do ar do Espírito e viver o meu dia em novidade de vida.

“Assim diz Deus, o Senhor, que criou os céus e os estendeu, e espraiou a terra, e a tudo
quanto produz; que dá a respiração ao povo

 

 

Pedradas

julho 5, 2019 0 comentários

“Ouvindo eles isto enfureceram-se nos seu corações e rilhavam os dentes contra ele. Mas, Estevão, cheio do Espírito Santo fitou os olhos no céu e viu a glória de Deus, e Jesus, que estava a sua direita. Eles porém, clamando em alta voz, taparam os ouvidos e unânimes arremeteram contra ele. E, lançando-o fora da cidade, o apedrejaram. Então, ajoelhando-se, Estevão clamou: Senhor, não lhes imputes este pecado. Com estas palavras adormeceu.” Atos 7: 54 

Estevão foi um dos sete homens de boa reputação, cheios do Espírito e de sabedoria que foram escolhidos pela igreja para servirem às viúvas helenistas. Ele é o 1o nome mencionado na lista e o único que o escritor acrescenta a expressão “homem cheio de fé e do Espírito Santo”. Poucos versículos à frente é mencionado novamente “Estevão, cheio de graça e poder fazia prodígios e grandes sinais entre o povo”. Quando alguns da sinagoga tentaram discutir com ele não puderam sobrepor-se à sabedoria e ao Espírito com que Estevão falava. Então eles subornaram homens para darem falso testemunho e o levaram para o tribunal judaico. Lucas volta a dizer que todos os que estavam assentados no Sinédrio, fitando os olhos em Estevão viram o seu rosto como se fosse rosto de anjo.

Lendo sobre uma pessoa com um currículo destes é difícil entendermos o desfecho desta história. Os judeus, movidos de ódio e não encontrando com que o acusar, subornam algumas pessoas para darem falso testemunho. Levando-o a um rápido julgamento e a uma rápida condenação: morte por apedrejamento. 

Eu tento me colocar no lugar de Estevão… lembre-se, até aquele momento, ninguém ainda havia morrido por testemunhar da fé em Jesus Cristo. Quando aqueles judeus iniciaram o cruel ritual, nenhum campo de força foi criado protegendo o corpo de Estevão, nem as pedras se transformaram em pedaços de espuma. Não, nada disso. As pedras, cada uma delas, foram rasgando sua pele, abrindo profundos cortes em sua cabeça e desfigurando o seu rosto. Qual seria o meu sentimento em um momento tão vergonhoso e de aparente derrota diante não só dos meus inimigos mas também diante de toda a igreja em Jerusalém? Como avaliar meu serviço com um fim tão trágico e um ministério tão curto ? O que eu teria pensado? O que eu teria orado? 

Fico impressionado com a reação do amado Estevão. Não vemos um homem apavorado, desesperado ou decepcionado com Deus. Mas percebemos alguém que teve o privilégio de ver o Senhor Jesus de pé para o receber na glória. E, com, mansidão e humildade aceitou o seu destino. Talvez ele não soubesse, mas foi através da sua morte que a Igreja saiu de Jerusalém espalhando a verdade do evangelho em outras cidades. Talvez ele também não soubesse  que o seu testemunho impactaria profundamente um jovem judeu zeloso da lei chamado Saulo de Tarso. 

E, finalmente, meditando na história de Estevão eu concluí uma questão muito importante:  um homem cheio de fé, de graça, de poder, de sabedoria e, principalmente, cheio do Espírito Santo não é um homem que não leva pedradas … mas, sim , é um homem que intercede e perdoa àqueles que lhe estão atirando as pedras.

“Foram apedrejados, provados, serrados pelo meio, mortos ao fio da espada;  necessitados, afligidos, maltratados – homens dos quais o mundo não era digno” Hebreus 11:37, 38

A vitória dos derrotados

abril 26, 2019 0 comentários

“ E sendo acusado pelos principais sacerdotes e pelos anciãos, nada respondeu. Então lhe perguntou Pilatos: não ouves quantas acusações te fazem? Jesus não respondeu nem um palavra, vindo com isto a admirar-se grandemente o governador.” Mt 27:12 – 14

Não sei você, mas sempre tive uma ideia – talvez influenciado por filmes e televisão, mas eu pensava de que uma pessoa com muita sabedoria, conhecimento ou, no caso de um cristão, com discernimento espiritual, jamais poderia perder uma discussão. Ou, melhor, ela teria a capacidade de desconstruir a opinião ou as ideias de qualquer oponente provando para os seus ouvintes que “um homem de Deus” sempre prevalece diante de um embate.

Até que um dia, lendo o livro Ortodoxia de G.K. Chesterton, ele disse uma coisa muito interessante: : ele observou que se uma pessoa sã discute com um louco, é extremamente provável que tal pessoa leve a pior, pois, sob muitos aspectos, a mente do louco não se atrapalha com as coisas que acompanham o bom juízo. Ela não tem compromisso com a verdade ou com o bom senso. De modo que a sua abordagem torna-se impossível de ser rebatida por alguém que usa a sanidade como uma bússola moral.

É difícil expressar como isso me ajudou. Tais palavras entraram iluminando o meu entendimento e me trouxeram uma profunda e verdadeira libertação. Naquele dia, eu entendi que, muitas e muitas vezes ou senão todas as vezes em que um piedoso conversar com um ímpio ele se calará. Isso porque, como servo da luz ele respeitará o próximo. Se recusará a ofendê-lo ou como é comum nas discussões, ele não extrapolará os limites da honra insinuando mentiras, difamações ou calúnias. Por outro lado, o ímpio, que não teme as consequências das suas palavras, abrirá a sua boca propalando arrogâncias, ofensas e ódio.

Posso entender melhor o silêncio do nosso Senhor Jesus quando esteve diante do Sumo Sacerdote, de Herodes e de Pilatos. Ao contrário do que o conceito de persuasão terrena pode julgar o Senhor da Glória, o verbo de Deus, sabia que existem muitas situações que não são resolvidas com palavras. Ao se calar, o Senhor falou muitas coisas. Uma delas é a clara percepção de que as coisas espirituais se discernem espiritualmente e não através da razão humana.

Uma das coisas mais terríveis que pode acontecer conosco é pagarmos mal com mal. Ofensa por ofensa. Calúnia por calúnia. Ameaça por ameaça. Quando isso acontece o mal vence e Satanás alcança o seu propósito de destruir tudo e todos os envolvidos. Acabamos nos nivelando por baixo, usamos as mesmas armas das trevas, desejamos produzir no outro a mesma dor e morte que ele está tentando causar em nós.

Podemos até sair de uma discussão entre aspas com a “alma lavada” por ter falado algumas verdades na cara da pessoa. Imediatamente, começamos a buscar desesperadamente a nossa auto-justificação no esforço de encontrarmos uma absolvição para nossa conduta. O perigo desse processo em nossos corações é que podemos ficar

cada vez mais insensíveis aos outros nos tornando pessoas com uma consciência cauterizada sempre preparados e dispostos a uma boa briga. Como Paulo diz a TIto: nos tornamos odiosos e odiando-nos uns aos outros. Casamentos são destruídos, pais e filhos se afastam, a fraternidade entre os irmãos desaparece isso tudo porque, muitas vezes, não conseguimos ficar calados.

Aparentemente, para os distraídos ou para os de fora, poderá até parecer que você é uma pessoa fraca. Mas isso é muito pequeno comparado com a paz interior que o Espírito Santo produz. Com a sensação de que o mais importante é testemunhar das coisas santas do caráter de Deus.

Precisamos entender que o Reino de Deus não se regula nos mesmos termos que o reino dos homens. Então, no Reino de Deus, o maior é o menor, quem tem autoridade é o que serve, o rico é o que se faz pobre. Quem quer preservar a sua vida , perde e quem decide morrer, vive. Os primeiros serão os últimos e os últimos serão os primeiros.

De maneira, que devemos andar de modo digno nesta terra sob a perspectiva dos valores morais e espirituais do nosso Senhor. Então vamos perceber que muitas vezes nós ganhamos mas perdemos. E, não raro, muitas vezes nós perdemos, mas na verdade, nós ganhamos.

“ porquanto para isto mesmo fostes chamados, pois que também Cristo sofreu em vosso lugar, deixando-vos exemplo para seguirdes os seus passos, o qual não cometeu pecado nem dolo algum se achou em sua boca, pois ele, quando ultrajado não revidava com ultraje, quando maltratado não fazia ameaças, mas entregava-se àquele que julga retamente“ I Pe 2:21 – 23

Cordeiro pascal

abril 18, 2019 0 comentários

“ Cristo, subsistindo em forma de Deus não julgou como usurpação o ser igual a Deus; antes a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e reconhecido em semelhança de homens, e reconhecido em figura humana, a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até a morte e morte de cruz” Filipenses 2: 5 – 8

A crucificação era uma forma generalizada e comum de execução na antiguidade. Mas foi Roma que tornou a crucificação a forma convencional de punição do Estado.

O objetivo da crucificação não era tanto matar o condenado, mas servia para demonstrar  para o resto da população o que acontecia com quem ousava desafiar o império. Por isso que era frequente pregar uma pessoa na cruz mesmo após a sua execução

Por essa razão, as crucificações eram sempre realizadas em público – escolhendo lugares altos  para que todos que passassem pudessem testemunhar o destino do insubordinado. O condenado era sempre deixado pendurado por muito tempo após a morte, sendo que raramente eles eram sepultados. O cadáver, então, era deixado pendurado para ser comido por cães e bicado até aos ossos por aves de rapina. Os ossos depois eram jogados em uma pilha de lixo que é como o Gólgota (em aramaico) ou Calvário (em latim) era conhecido esse lugar em Jerusalém – que significa o local dos crânios ou local da caveira.

Como era o caso de todos os condenados à crucificação, Jesus foi forçado a levar a trave da própria cruz para uma colina situada fora das muralhas de Jerusalém, junto à estrada que levava aos portões da cidade. Dessa forma, cada peregrino que entrasse em Jerusalém para as festividades sagradas não teria escolha a não ser testemunhar a sua condenação.

E assim, em uma colina sem árvores, coberta de cruzes e ossos, crucificado entre dois malfeitores, com um bando de corvos circulando ansiosamente sobre eles, o sol se escurece …. o dia se faz noite, e o filho de Deus,  no seu último suspiro proclama em alta voz: ESTÁ CONSUMADO! O verbo, aquele que é desde o princípio, assumiu a forma ferida da humanidade para levar sobre si as reivindicações da Justiça de Deus.

Paulo escreve aos coríntios dizendo que Jesus Cristo é o nosso cordeiro pascal  I Co 5: 7 de maneira que, para nós, cristãos, a Páscoa se torna a história das histórias e a boa nova mais poderosa que qualquer um de nós jamais escutou.  Enquanto os judeus se preparavam para celebrar a páscoa sacrificando os seus cordeiros. Naquele dia singular também Deus imolou o seu Cordeiro. A diferença é que o Cordeiro de Deus, tem poder para tirar o pecado do mundo.

Nos lembramos da história do Deus  que deixou o esplendor de sua Glória e se fez carne. Naquele dia, ele desceu: desceu da sua glória, do seu trono e se fez homem. Depois desceu mais tornando-se servo. Desceu ainda mais se oferecendo como sacrifício e experimentando a morte por todos os homens. Ele desceu, desceu e desceu. Até chegar no fundo do mais profundo abismo, nas mais densas trevas. E ali me encontrou … afogado na lama da perdição, paralisado pelo pecado e acorrentado na morte … e por meio do seu sacrifício , Ele me salvou, me libertou e mudou completamente a minha história.

“O povo que andava em trevas viu grande luz, e aos que viviam na região da sombra da morte, resplandeceu-lhes a luz. Tens multiplicado este povo, a alegria lhe aumentaste; alegram-se eles diante de ti, como se alegram na ceifa e como exultam quando repartem os despojos. Porque tu quebraste o jugo que pesava sobre eles, a vara que lhes feria os ombros e o cetro do seu opressor. Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; o governo está sobre os seus ombros; e o seu nome será: Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz;”   Isaías 9: 2 – 6

Um dia de praia

outubro 15, 2018 0 comentários

“Atentei para todas as obras que se fazem debaixo do sol, e eis que tudo era vaidade e correr atrás do vento” Ec 1:14

Certa vez estava na praia e , observei uma família que chegou e se assentou próxima da minha barraca.

Era um lindo dia de sol. A mão forte e firme do pai levava uma pequena criança, talvez 5 ou 6 anos,  até a areia.  Ela logo se entreteve com todos os brinquedos que havia levado em uma grande bolsas dessas do tipo de sacolão. Ela brincou por muito tempo na areia … construiu castelos, pontes e passagens secretas cavando o chão como um tatu.  Conheceu outras crianças, de algumas ficou mais próxima e quase parecia que se conheciam há muito tempo, enquanto que de outras,  brigou, se desentendeu se afastou.  Em alguns momento do dia, por causa do forte sol ela precisou ficar na sombra. Parecia quase um castigo … queria logo sair mas o seu pai não a deixava.

Por falar no pai, ele foi sempre uma pessoa presente, mesmo quando a criança estava distraída com outras coisas. Ele passou protetor solar no corpo todo enquanto ela agachada enchia um balde com água. Ele deu muito líquido e obrigou a pequena criança parar, em alguns momentos, para comer. Mesmo brincando na beira do mar, os olhos atentos e decididos do seu pai nunca se cansaram de a vigiar.

O dia foi terminando, a praia já estava vazia e o sol começava o seu caminho para se esconder no horizonte. Escutei a voz do pai chamando o seu filho: era hora de ir embora. Após arrumar todas as coisas o pai pegou o seu filho pela mão e começaram o caminho da partida. Enquanto iam embora, a criança olhou para trás e viu que o seu lindo castelo todo murado e bem trabalhado agora estava sendo destruído pelo mar. Todos os vestígios de que ele estivera ali estavam sendo rapidamente apagados pela maré que começava a subir. Ao contrário do que imaginei, a criança não chorou, parecia que ela entendeu que as coisas da praia ficam na praia. E que apesar de toda a diversão do dia ali não era a sua casa.

Então, finalmente, vencida pelo cansaço do dia, a criança dormiu em paz, tranquilamente, no colo do seu  pai.

Naquele dia, compreendi uma lição importante. Tudo em nossa vida, todas as obras, empreendimentos, afazeres, patrimônio, bens,  e trabalhos que gastamos tanto tempo de nossa energia, é como se tudo fosse uma experiência na praia. É tudo feito de areia. Todas essas coisas irão passar. A mesma mão que me leva para a praia um dia também me levará embora dela.  Aprendi que, mais cedo ou mais tarde, as ondas do tempo virão e apagarão tudo aquilo que fiz debaixo do sol.  

Eu entendi, que quando isso acontecer, somente aquele que está no colo de Deus será capaz de gozar de um  perfeito descanso.

“Lembra-te do teu criador nos dias da tua mocidade, antes que venham os maus dias, e cheguem os anos dos quais dirás: Não tenho neles prazer (…)  antes que se rompa o fio de prata e se despedace o copo de ouro, e se quebre o cântaro junto à fonte, e se desfaça a roda junto ao poço, e o pó volte à terra, como o era, e o espírito volte a Deus que o deu.”Ec 12: 1, 6,7

 

Uns aos outros

dezembro 12, 2017 0 comentários

“Sabe porém isto: nos últimos dias sobrevirão tempos difíceis pois os homens serão egoístas, avarentos, jactanciosos, arrogantes, blasfemadores, desobedientes aos pais, ingratos, irreverentes, desafeiçoados, implacáveis, caluniadores, sem domínio de si, cruéis, inimigos do bem, traidores, atrevidos, enfatuados, antes amigos dos prazeres que amigos de Deus” II Timóteo 3:1-4

O Senhor Deus já nos advertiu através da sua palavra profética de como os homens seriam nos últimos dias. O que talvez a gente não perceba é que não se é falado de apenas alguns homens ou de como os incrédulos seriam. Mas, se é dito, que a raça humana seria moldada por essas anomalias malignas que transformariam a cultura e a mentalidade do gênero humano. Perdoe-me quem quer que seja que esteja lendo esse texto, mas essa lista diz respeito a você e a mim. Apenas o Senhor Deus, através da vida de Cristo, pelo poder do Espírito Santo pode resgatar o ser humano do atual estado que se encontra.

Engana-se o desavisado que pensa que Deus não preparou provisão para nos tratar profundamente para que não venhamos ser amoldados pelo formato desse mundo. Deus sabe que precisamos sofrer uma profunda e completa transformação, não só de vida mas de também de caráter. E essa transformação passa, necessariamente e invariavelmente, pela vida comunitária do corpo de Cristo – a Igreja.

O Senhor Jesus não nos salvou para sermos desconectados, isolados ou distantes dos outros peregrinos também redimidos pelo seu sangue. Por isso que expressões como: “mutuamente”, “uns aos outros” ou “uns para com os outros” aparecem continuamente em todo o ensinamento apostólico. Para cada atributo que se levanta como característica da raça humana podemos perceber uma contra-posição sugerida pelo Senhor para combatermos essas ameaças:

Se o mundo quer que pensemos apenas em nossos próprios interesses (egoístas) a palavra de Deus nos convida a abrirmos nossa casa, tempo e comodidade e sermos hospitaleiros “sede mutuamente hospitaleiros”(I pe 4:9).

Se o mundo quer que sirvamos cada vez mais as riquezas (avareza) a palavra de Deus nos conclama a compartilharmos as necessidades dos santos (Rm 12:13) cooperando com o sustento uns dos outros “cooperem os membros, com igual cuidado, em favor uns dos outros”(I co 12:25).

Contra a jactância a bíblia diz: “acolhei-vos uns aos outros”(Rm 15:7)

Contra a arrogância e o orgulho diz: “cingi-vos de humildade no trato de uns para com os outros”(I pe 5:5)

Contra a blasfêmia diz: “sede uns para com os outros compassivos ”(Ef 4:32)

Os desobedientes necessitam de correção: “estejais aptos para admoestardes uns aos outros”(Rm 15:14)

Aos invés de sermos ingratos devemos aprender a honrar:“preferindo-vos em honra uns aos outros”(Rm 12:10)

Àqueles que não possuem respeito (irreverentes): sujeição. “Sujeitando-vos uns aos outros no temor de Cristo”(Ef 5:21)

Aos desafeiçoados, exortação: “exortai-vos mutuamente”(Hb 3:13)

Aos que não conseguem perdoar (implacáveis): “perdoando-vos uns aos outros”(Ef 4:32)

Aos mentirosos e caluniadores: “fale cada um a verdade com o seu próximo porque somos membros uns dos outros”(Ef 4:25)

Àqueles que não controlam seus impulsos (sem domínio de si): “suportai-vos uns aos outros” (Cl 3:13)

Aos cruéis: “levai as cargas uns dos outros”(Gl 6:2)

Aos inimigos do bem: “sede uns para com os outros benignos” (Ef 4:32)

Aos traidores a bíblia ensina consideração: “tendo o mesmo sentimento uns para com os outros ”(Rm 12:16)

Aos invés de sermos atrevidos sermos edificadores: “consolai-vos uns aos outros edificai-vos reciprocamente”(I Ts 5:11)

Ao invés de estarmos satisfeitos com o nosso conhecimento (enfatuados) temos que desejar receber mais instrução: “instruí-vos e aconselhai-vos mutuamente”(Cl 3:16)

Para os amigos dos prazeres arrependimento e confissão: uma vida de transparência entre os irmãos “confessai os vossos pecados uns aos outros e orai uns pelos outros, para serdes curados” (Tg 5:16)

Uma vida cheia dos “uns aos outros” trará muito desconforto à nossa alma porque não é natural para nós palavras como: perdão, humildade, dar a nossa honra a outro. Tudo isso vai em direção contrária ao espírito que move esse mundo. E haverá uma luta constante e terrível dentro de nós. Qualquer comunidade cristã que aceita a superficialidade dos relacionamentos poderá gozar até de crescimento numérico e de uma aparente sensação de bem-estar. Porém, é na profundidade da experiência dos “uns aos outros” que seremos transformados, disciplinados, humilhados e santificados. Repensemos nossa consagração e envolvimento “uns com os outros”. Esse é o caminho estreito e apertado utilizado pelo Espírito Santo para que não venhamos a andar segundo a nossa própria vaidade.

Propositadamente deixei por último o mais conhecido mandamento do “uns aos outros” – o amor. Eu pessoalmente não concordo com a clássica definição que o “ide” de Mateus 28 é a grande comissão do Senhor Jesus. Porque “ainda que entregue meu próprio corpo para ser queimado, se não tiver amor, nada disso me aproveitará” (I Co 13:3). Evangelismo, profecia, ensino, pastoreio ou qualquer outra coisa que fizermos necessita ser feito em amor para com o próximo.

Segue abaixo o que eu considero ser a grande comissão deixada pelo nosso Senhor e, pelo qual, tudo o mais encontra sentido.

“Novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros; assim como eu vos amei, que também vos ameis uns aos outros. Nisto conhecerão que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns aos outros.”João 13:34

“O meu mandamento é este, que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei.”João 15:12

“isto vos mando, que vos ameis uns aos outros” João 5:17

“ No tocante ao amor fraternal não há necessidade de que eu vos escreva, porquanto vós mesmos já estais por Deus instruídos que deveis amar-vos uns aos outros. ”I Tessalonicenses 4:9 

“ amai-vos de coração uns aos outros ardentemente ”I Pedro 1:22

“acima de tudo, porém, tende amor intenso uns para com os outros.”I Pedro 4:8

“a mensagem que ouvistes desde o principio é esta, que vos ameis uns aos outros ”I João 3:11

Como nos dias de Noé

novembro 21, 2017 0 comentários

“Pela fé Noé, divinamente instruído acerca de acontecimentos que ainda não se viam e sendo temente a Deus, aparelhou uma arca para a salvação de sua casa; pela qual condenou o mundo e se tornou herdeiro da justiça que vem da fé.” Hebreus 11:7

Na última conferência bíblica que participei, um dos preletores compartilhou sobre os últimos acontecimentos globais e os relacionou com as profecias do livro de Daniel. Como é natural de acontecer em um assunto tão palpitante o tema logo tornou-se o centro em todas as rodinhas de conversas. Irmãos que geralmente tiram um cochilo durante as reuniões estavam com os olhos arregalados prestando o máximo de atenção em tudo o que se ouvia, afinal de contas, ninguém queria perder nenhum detalhe sobre os novos pactos da União Européia com Israel e o desenrolar dos acontecimentos nestes últimos tempos.

Sabemos que existem bênçãos garantidas pelo Senhor para aqueles que lêem e guardam as palavras da revelação final (Ap 1:3, 22:7). Mas assim como não faz sentido uma pessoa sair de casa sem guarda-chuva ao ver relâmpagos e ao escutar trovões, também as nossas vidas demonstrarão, através dos nossos hábitos, se tais informações sobre o fim desta era foram assimiladas pela fé no nosso espírito ou se tudo não passa de uma curiosidade racional.

Noé parece ser uma figura emblemática para nos ensinar a diferença entre o conhecimento teórico e o conhecimento objetivo. Ele não apenas foi “divinamente instruído sobre acontecimentos que não se viam” mas, principalmente, Noé era “temente a Deus”. Desde o momento em que Noé entendeu que viria um juízo sobre os habitantes da terra, sua vida mudou radicalmente e objetivamente. Ele passou a ter uma vida completamente diferente do restante do mundo. Enquanto todos os demais se preocupavam com as coisas normais dessa vida, Noé passou a investir naquilo que Deus lhe havia revelado. Enquanto todos o taxavam de louco, dia apos dia Noé foi construindo a sua salvação. Acredito que a vida de Noé impressionou bastante o apóstolo Pedro. Ele menciona Noé em suas duas cartas e o chamou de “o pregador da justiça” (II Pe 2:5). À medida que aquela arca era erguida Noé pregava a justiça de Deus que sobreviria sobre toda a terra apesar de toda perplexidade que surgia entre os incrédulos. Ele não precisava abrir a sua boca, sua vida e os seus hábitos proclamavam com mais força do que qualquer palavra.

As conclusões que eu tiro parecem óbvias: se cremos que em breve – “os céus passarão com estrepitoso estrondo e os elementos se desfarão abrasados; também a terra e as obras que nela existem” (II Pe 3:10) – não deveríamos estar preparando a nossa arca a despeito do que os habitantes desse mundo pensem ou digam? Não deveríamos ouvir mais as advertências divinas do que os conselhos de pessoas “obscurecidas de entendimento e alheios à vida de Deus por causa da ignorância em que vivem pela dureza de seus corações” (Ef 4:17)?

Devo carregar a minha cruz – cuja a madeira da arca é uma figura – e aceitar com paciência o tempo da minha peregrinação até que venha o Senhor. Se a minha vida, meu vocabulário, meus hábitos, meus costumes não exercerem o papel de “pregadores da justiça” de nada valerá meu conhecimento escatológico. Quando esse mundo decretar que sou uma pessoa louca e fora da realidade então saberei que a minha sanidade espiritual estará proclamando os decretos do Altíssimo.

Olhe para cima e veja como o céu já está escuro. E que, em muito em breve, começará a chover.

“Pois assim como foi nos dias de Noé, também será a vinda do Filho do homem. Porquanto, assim como nos dias anteriores ao dilúvio, comiam e bebiam, casavam e davam-se em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca, e não o perceberam, senão quando veio o dilúvio e os levou a todos, assim será também a vinda do Filho do homem.” Mateus 24: 37-39