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tribulações

O fogo e a brisa

setembro 19, 2019 0 comentários

“Disse-lhe Deus: sai e põe-te neste monte perante o Senhor; e um grande e forte vento fendia os montes e despedaçava as penhas diante dele, porém o Senhor não estava no vento. Depois do vento um terremoto, mas o Senhor não estava no terremoto, depois do terremoto um fogo mas o Senhor não estava no fogo ; e , depois um cicio tranquilo e suave. Ouvindo-o Elias envolveu o rosto no manto e, saindo pôs-se à entrada da caverna. Eis que lhe veio uma voz e lhe disse: Que fazes aqui Elias?” I Reis 19: 11 – 13

O profeta Elias vinha de uma grande vitória. É uma daquelas histórias que gostamos de contar para as crianças e a lemos nos deliciando em cada versículo. Elias havia chamado o povo para assistir uma “disputa” de poder entre deuses. De um lado, estava o Senhor Jeová, Deus de Israel e do outro lado Baal representado por 450 profetas. O povo se reuniu para testemunhar qual deles era, de fato o verdadeiro. A prova era simples, cada um dos lados ofereceria um sacrifício ao seu deus e o vencedor seria àquele que fizesse descer fogo do céu como um sinal de resposta e aceitação. Conhecemos a história, de como os 450 profetas de baal ficaram por meio dia clamando e suplicando uma manifestação que não veio. E quando Elias orou a Jeová imediatamente caiu fogo do céu consumindo o holocausto, a lenha, as pedras e a terra.

Eu consigo entender porque essa história nos atrai tanto. Todos nós gostaríamos de ter um dia de Elias, de orar e pedir ao Senhor que de uma maneira poderosa e inequívoca se manifeste, convencendo os incrédulos do seu erro e provando que Deus é real.

Quase me parece inacreditável o que acontece na continuação dessa história. Elias ouviu as ameaças de morte feitas pela rainha Jezabel, teve medo e fugiu para o deserto pedindo para si a morte. E é nesse contexto que temos a passagem que li no início deste pensamento. Escondido em uma caverna, Deus ordena que Elias saia e fique perante o Senhor. Então, veio um vento tão forte que despedaçou a penha mas Deus não estava lá. Depois veio um terremoto mas Deus não estava lá. Quando Elias viu o fogo deve ter pensado “ah! esse é o Deus que eu conheço, o Deus que faz descer fogo do céu … mas…. Deus também não estava lá. Talvez para a surpresa de Elias, Deus se manifestou através de um cicio tranquilo e suave. Deus estava no sussurro da brisa.

Fico pensando nesse exemplo e de como para nós é fácil vermos Deus nas coisas espetaculares mas, muitas vezes, não conseguimos vê-lo na brisa por ser comum demais.É fácil ouvi-lo quando ele se manifesta com a voz de um trovão, mas será que o ouvimos quando ele apenas sussurra mansamente perto do nosso ouvido? Achamos que Deus está apenas presente quando pessoas são curadas ou mortos são ressuscitados. Mas Deus também se revela nas coisas acessíveis da vida: Deus está na brisa suave de uma visita ao enfermo ou na oferta financeira que se dá ao necessitado ou no amigo que dá do seu tempo e consolo ao desanimado. Deus é a voz baixa e suave que santifica o jovem, que restaura o casamento, que inspira os pais na educação dos filhos, que une a igreja no vínculo do amor. Deus é a voz mansa e tranquila no pedido de perdão, no ósculo santo, na prática do bem ou no partir do pão em que anunciamos a morte de Cristo até que Ele venha.

Eu nunca vi fogo cair do céu … e talvez eu nunca o veja. Mas eu já senti o efeito da brisa sobre mim, muitas e muitas vezes. E isso me basta para saber e crer que Deus é real. Que Ele fala, que ele opera e que está presente.

“eis que estou convosco todos os dias, até à consumação dos séculos” Mateus 28:20

 

 

Pedradas

julho 5, 2019 0 comentários

“Ouvindo eles isto enfureceram-se nos seu corações e rilhavam os dentes contra ele. Mas, Estevão, cheio do Espírito Santo fitou os olhos no céu e viu a glória de Deus, e Jesus, que estava a sua direita. Eles porém, clamando em alta voz, taparam os ouvidos e unânimes arremeteram contra ele. E, lançando-o fora da cidade, o apedrejaram. Então, ajoelhando-se, Estevão clamou: Senhor, não lhes imputes este pecado. Com estas palavras adormeceu.” Atos 7: 54 

Estevão foi um dos sete homens de boa reputação, cheios do Espírito e de sabedoria que foram escolhidos pela igreja para servirem às viúvas helenistas. Ele é o 1o nome mencionado na lista e o único que o escritor acrescenta a expressão “homem cheio de fé e do Espírito Santo”. Poucos versículos à frente é mencionado novamente “Estevão, cheio de graça e poder fazia prodígios e grandes sinais entre o povo”. Quando alguns da sinagoga tentaram discutir com ele não puderam sobrepor-se à sabedoria e ao Espírito com que Estevão falava. Então eles subornaram homens para darem falso testemunho e o levaram para o tribunal judaico. Lucas volta a dizer que todos os que estavam assentados no Sinédrio, fitando os olhos em Estevão viram o seu rosto como se fosse rosto de anjo.

Lendo sobre uma pessoa com um currículo destes é difícil entendermos o desfecho desta história. Os judeus, movidos de ódio e não encontrando com que o acusar, subornam algumas pessoas para darem falso testemunho. Levando-o a um rápido julgamento e a uma rápida condenação: morte por apedrejamento. 

Eu tento me colocar no lugar de Estevão… lembre-se, até aquele momento, ninguém ainda havia morrido por testemunhar da fé em Jesus Cristo. Quando aqueles judeus iniciaram o cruel ritual, nenhum campo de força foi criado protegendo o corpo de Estevão, nem as pedras se transformaram em pedaços de espuma. Não, nada disso. As pedras, cada uma delas, foram rasgando sua pele, abrindo profundos cortes em sua cabeça e desfigurando o seu rosto. Qual seria o meu sentimento em um momento tão vergonhoso e de aparente derrota diante não só dos meus inimigos mas também diante de toda a igreja em Jerusalém? Como avaliar meu serviço com um fim tão trágico e um ministério tão curto ? O que eu teria pensado? O que eu teria orado? 

Fico impressionado com a reação do amado Estevão. Não vemos um homem apavorado, desesperado ou decepcionado com Deus. Mas percebemos alguém que teve o privilégio de ver o Senhor Jesus de pé para o receber na glória. E, com, mansidão e humildade aceitou o seu destino. Talvez ele não soubesse, mas foi através da sua morte que a Igreja saiu de Jerusalém espalhando a verdade do evangelho em outras cidades. Talvez ele também não soubesse  que o seu testemunho impactaria profundamente um jovem judeu zeloso da lei chamado Saulo de Tarso. 

E, finalmente, meditando na história de Estevão eu concluí uma questão muito importante:  um homem cheio de fé, de graça, de poder, de sabedoria e, principalmente, cheio do Espírito Santo não é um homem que não leva pedradas … mas, sim , é um homem que intercede e perdoa àqueles que lhe estão atirando as pedras.

“Foram apedrejados, provados, serrados pelo meio, mortos ao fio da espada;  necessitados, afligidos, maltratados – homens dos quais o mundo não era digno” Hebreus 11:37, 38

Tempestades

dezembro 27, 2017 0 comentários

“Fez-se no mar uma grande tempestade e o navio estava a ponto de se despedaçar (…) Jonas porém havia descido ao porão e se deitado: e dormia profundamente” Jonas 1:5

“Eis que sobreveio no mar uma grande tempestade, de sorte que o barco era varrido pelas ondas. Entretanto, Jesus dormia.” Mateus 8:24

São duas histórias de aparente semelhança…são dois barcos em águas bravias. São dois homens dormindo tranquilamente no barco enquanto a tempestade aterroriza aos demais tripulantes. São dois profetas de Deus cada um enviado para uma missão. Porém, quando descobrimos o contexto, as histórias se distanciam com evidentes resultados…

O profeta Jonas ao desobedecer uma instrução clara de Deus negou seu chamamento, negou sua vocação, negou a soberania e a vontade de Deus. Tentou “fugir da presença” D’Aquele que está em todo lugar. Tentou mudar a direção de seus caminhos. Estar longe de Deus era a sua real intenção. Por outro lado temos o Senhor Jesus – por ser o verbo encarnado Ele era, é, e sempre será, a exata expressão do Pai, a absoluta fiel testemunha de Deus. Enquanto a missão de Jonas era a de anunciar a condenação a uma cidade promíscua, a missão do Senhor Jesus era a de anunciar a salvação da humanidade pelo seu próprio sacrifício pagando o preço exigido pela Justiça de Deus. “ e que havendo feito a paz pelo sangue da sua cruz, por meio dele, reconciliasse consigo mesmo todas as coisas” Cl 1:20.

Dois homens dormindo mas como eles são diferentes! Um traz o repouso inerte, quase mortal, gerado pela desobediência. A imobilização recebida como o salário do pecado. O outro dorme o descanso dos justos. Usufrui do repouso de Deus apesar do cenário contrário. Dorme em paz por saber que, apesar do tamanho das ondas, nada deveria temer. Um, ao despertar se acovarda. O outro enfrenta a situação com serenidade e autoridade. Um traz a tempestade. O outro termina com ela.

Não devemos confundir o sono do pecado com o sono da obediência. Se por fora eles aparentam estar descansando por dentro apenas um realmente está em paz. Como é possível experimentar o descanso ao meio à tempestade? Como é possível encontrar o repouso sabendo que, logo adiante, encontraremos com o Gólgota – o lugar da caveira? Apenas Deus pode nos dar da “paz que excede todo o entendimento” (Fp 4:7). Ela não é produzida pelas circunstancias ou pelas nossas emoções mas é produzida unicamente pela obediência irrestrita à Sua soberana vontade.

Todos nós passaremos por tempestades, isso é certo. Estar em Cristo é estar com Ele no mesmo barco. E quando O Senhor dos Senhores abrir a sua boca toda tempestade terminará: bonança, paz, consolo, descanso e vitória substituirão os trovões, as trevas e o agitar das ondas. Estar no barco sem Cristo é desesperança, perdição, loucura, aflição, tristeza e dor sem fim.

Estar em Cristo fará toda a diferença no final da nossa história. Qual será o nosso destino? A bonança ou o ventre de um grande peixe? Faça a sua escolha.

“E Jesus despertando, repreendeu o vento e disse ao mar: Acalma-te, emudece! O vento se aquietou e fez-se grande bonança.” Marcos 4:39