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Vivendo no mundo

setembro 27, 2010 0 comentários

“Não ameis o mundo nem as coisas que há no mundo. Se alguém amar o mundo, o amor do Pai não está nele; porque tudo que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não procede do Pai, mas procede do mundo.” I João 2:15

Meu filho não quer nascer… Minha esposa está um pouco ansiosa porque duas conhecidas que engravidaram na mesma época já estão em seus lares com seus filhos. O pior é que ainda não há nenhum sinal evidente. Não há qualquer dilatação, o bebê não desceu e o colo do útero continua grosso. Não posso condená-lo… se eu fosse ele também retardaria ao máximo a minha chegada a este mundo. Porém, descobri neste processo, que se o nenê demora demais pra sair o perigo de um aborto vai aumentado progressivamente. Não tem jeito. Mesmo que ele não queira, vai ter que sair.

Ao longo do tempo, o cristianismo tem apresentado algumas linhas de pensamento aonde se propõem definir o papel da igreja neste mundo. Gostaria de mencionar três linhas gerais:

A igreja contra cultura: de acordo com essa abordagem, o mundo é visto como ambiente hostil para a fé cristã. A igreja se apresenta como uma comunidade que recusa qualquer interação com o sistema. Essa reclusão se manifesta de várias formas como não usar roupas da moda, corte de cabelos modernos, esmalte, depilação, bens, televisão, rádio ou cinema. Eles sugerem que a vida cristã deve ser vivida em total desconexão do mundo.

A igreja na cultura: Indo para o outro extremo, muitos defendem o conceito de que o cristão tem um papel fundamental na sociedade em que se está imerso. O papel da igreja é de influenciar e trazer valores espirituais nas questões desta terra. Pensando dessa maneira, muito do que se chama de “gospel” invadiu a cultura secular: boates, filmes, pagode, danças, empresários, política e tantas outras coisas recebem uma identificação evangélica para diferenciar suas intenções, motivações e princípios. Infelizmente, a história tem demonstrado, que tem sido mais fácil o mundo profanar a Igreja do que a Igreja santificar o mundo.

A igreja e a cultura em paralelo: uma posição mais moderada propõe que o cristão deve viver uma vida civil digna e respeitosa podendo usufruir das tecnologias e comodidades que se oferecem, sem, contudo, se esquecer do seu chamamento celestial. A igreja deve esperar viver certo grau de tensão com o mundo uma vez que haverá, inevitavelmente, um choque entre os dois reinos: “o reino do mundo” e o “reino de Deus”. A igreja então vive uma luta para discernir essas duas realidades tão distintas em seus ideais e propostas. Deve-se aceitar os padrões de Deus mesmo que não sejam aceitos pelo mundo ou pela sociedade. E, em muitos momentos de opressão, deverá lembrar-se que são peregrinos e ainda não chegaram ao seu destino final.

Entender qual é o nosso papel neste mundo é fundamental para termos uma mente esclarecida que não é enganada diante de heresias camufladas em verdades bíblicas. Entendo que não fomos chamados para nos escondermos do mundo. Vivemos nesse mundo apesar de não pertencermos ao mundo: “Não peço que os tires do mundo, e sim que os guardes do mal. Eles não são do mundo, como também eu não sou” (Jo 17: 15,16). Como faremos para estudar, trabalhar ou participar de uma reunião de condomínio? Devemos interagir com os incrédulos no nosso dia-a-dia como Paulo diz: diz: “refiro-me, com isto, não propriamente aos impuros deste mundo, ou aos avarentos, ou roubadores, ou idólatras; pois, neste caso, teríeis de sair do mundo” (I Co 5: 10). Porém, jamais devemos nos esquecer que Jesus Cristo “se entregou a si mesmo pelos nossos pecados, para nos desarraigar deste mundo perverso, segundo a vontade de nosso Deus e Pai” (Gl 1:4) e que através da cruz de Cristo ”o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo” (Gl 6:14).

Meu filho terá que nascer. Não irá adiantar tentar se esconder ou fugir deste mundo. Assim como todos nós, ele terá que descobrir qual é a história da humanidade e quais são as leis universais que regem esse sistema e tomar as suas decisões.

Não parece ser um caminho fácil: “Porque, embora andando na carne, não militamos segundo a carne” (II Co 10:3).Entendermos que não devemos ter qualquer ambição neste mundo nos inclinará para as coisas celestiais. Se a máscara deste mundo cair veremos apenas lepra e impureza. Estaremos livres de toda aparência e engano e estaremos libertos dos grilhões deste mundo apesar de ainda vivermos nele.

“Isto, porém, vos digo, irmãos: o tempo se abrevia; o que resta é que não só os casados sejam como se o não fossem;mas também os que choram, como se não chorassem; e os que se alegram, como se não se alegrassem; e os que compram, como se nada possuíssem; e os que se utilizam do mundo, como se dele não usassem; porque a aparência deste mundo passa.” I coríntios 7: 29 – 31

Checklist

setembro 19, 2010 0 comentários

“Então, parou Jesus e mandou que lho trouxessem. E, tendo ele chegado, perguntou-lhe: Que queres que eu te faça? Respondeu ele: Senhor, que eu torne a ver” . Lucas 18:40,41

Na minha constante luta em conseguir enxergar a vida sob a ótica de um peregrino que está de passagem sobre essa terra até chegar em sua verdadeira pátria me deparei com um texto escrito pelo irmão Tozer (velho companheiro nas minhas meditações).

Fazermos um check-list periódico pode nos ajudar a sermos mais sinceros e transparentes com a nossa consciência diante do Senhor. Pelo impacto das palavras e pela simplicidade de tal auto-avaliação, compartilho o pensamento do irmão com o desejo de não andarmos na cegueira.

“ Podemos ser conhecidos pelo seguinte:

  1. O que mais desejamos. Basta ficarmos quietos, aguardando que a excitação dentro em nós se acalme, e a seguir prestar cuidadosa atenção ao tímido clamor do desejo. Pergunte ao seu coração: o que você mais desejaria ter no mundo? Rejeite a respostaconvencional. Insista em obter a verdadeira, e quando a tiver ouvido saberá o tipo de pessoa que é.
  2. O que mais pensamos. As necessidades da vida nos induzem a pensar em muitas coisas, mas o teste real é descobrir sobre o que pensamos voluntariamente. Nossos pensamentos irão com todaproba­bilidadeagrupar-se ao redor do tesouro secreto do coração, e qual for ele revelará o que somos.“Onde estiver o teu tesouro, aí estará também o teu coração.”
  3. Como usamos nosso dinheiro.Devemos ignorar de novoaque­les assuntos sobre os quais não exercemos pleno controle. Devemos pagar impostos e prover as necessidades da vida para nós e nossa família, quando a temos. Isso não passa de rotina e diz pouco a nosso respeito. Mas o dinheiro que sobrar para ser usado no que nos agrada irá contar-nos sem dúvida muita coisa sobre nós.
  4. O que fazemos com as nossas horas de lazer.Grande parte de nosso tempo é usado pelas exigências da vida civilizada, mas sempre temos algum tempo livre. O que fazemos com ele é vital. A maioria das pessoas gasta esse tempo vendo televisão, ouvindo o rádio, lendo os produtos baratos da imprensa ou envolvendo-se em conversas frívolas. O que eu faço com o meu tempo revela a espécie de homem que sou.
  5. A companhia de que gostamos.Existe uma lei deatraçãomoral que chama o homem para participar da sociedade que mais se assemelha a ele. O lugar para onde vamos quando temos liberdade para ir aonde quisermos é um índice quase-infalível de nosso caráter.
  6. Quem e o que admiramos.Suspeito desde há muito tempo que a grande maioria dos cristãos evangélicos, embora mantidos mais ou menos em linha pela pressão da opinião do grupo, sentem de todo modo uma admiração ilimitada, embora secreta, pelo mundo. Podemos conhecer o verdadeiro estado de nossas mentes,exami­nando nossas admirações não-expressas. Israel admirou e até inve­jou com freqüênciaas nações pagãs ao seu redor, esquecendo-se assim daadoção e da glória, das leis, das alianças e das promessas e dos pais. Em vez de culpar Israel, façamos uma auto-analise.
  7. Sobre o que podemos rir.Pessoa alguma que tenha qualquer consideração pela sabedoria de Deus iria argumentar que exista algo errado com o riso, desde que o humor é um componente legítimo de nossa natureza complexa. Quando nos falta o senso de humor, falhamos também nessa mesma proporção em equiparar-nos àhumani­dade sadia. Mas o teste que fazemos aqui não é sobre o fato de rirmos ou não, mas do que rimos. Algumas coisas ficam fora do campo do simples humor. Nenhum cristão reverente, por exemplo, acha a morte engraçada, nem o nascimento, nem o amor. Nenhum indivíduo cheio do Espírito pode rir das Escrituras, da igreja comprada por Cristo com o seu próprio sangue, da oração, da retidão, do sofrimento ou dor da humanidade. E certamente ninguém que já esteve na presença de Deus jamais poderia rir de uma história que envolvesse a divindade.”

Esses são alguns dos testes. O cristão sábio encontrará outros.

(texto extraído: O melhor de A.W.Tozer – A importância da auto-análise)

“Aconselho-te que de mim compres ouro refinado pelo fogo para te enriqueceres, vestiduras brancas para te vestires, a fim de que não seja manifesta a vergonha da tua nudez, e colírio para ungires os olhos, a fim de que vejas.” Apocalipse 3: 18

Nomes – Parte II

setembro 14, 2010 0 comentários

“O chefe dos eunucos lhes pôs outros nomes, a saber: a Daniel o de Beltessazar, a Hananias o de Sadraque, a Misael o de Mesaque e a Azarias o de Abede-Nego.” Daniel 1:7

Ainda mais um pensamento me veio à mente ao refletir na escolha do nome do meu filho. Ao final do meus dias qual será o nome que identificará meu testemunho ao longo da minha vida? Poderia ser um nome como: “Deus é o meu refúgio” ou “Pus em Mamom (dinheiro) a minha confiança”? Ou talvez: “Aquele que olha para os céus” ou “o amante dos prazeres terrenos”? De fato, o mundo deseja alterar o curso do caminho para o qual Deus tem me chamado.

Lembrei-me do exemplo de Daniel e seus amigos. Todos eles tinham um nome que fazia alusão à Jeová: Daniel (Deus é meu juiz), Hananias (O Senhor tem sido gracioso), Misael (Quem é como Deus?) e Azarias (O Senhor tem ajudado). Porém, diante do poder opressor e modelador da cultura dos caldeus, o sistema babilônico tentou alterar seus nomes e testemunho para: “Baal protege a sua vida”, “Amigo do rei”, “Quem é Aku o deus-lua?” e “Servo de Nebo”.

Penso na realidade e desafio de Daniel. Provavelmente de origem nobre, Daniel não conheceu a época de ouro do reino. Israel já estava dividia em dois reinos sendo que o reino do norte já havia sido dizimado e colonizado por nações gentílicas. Jerusalém já vivia em uma época de muita tristeza e pobreza. Estando sempre subjugada aos impérios da época (primeiramente com o Egito e depois com a Babilônia) os judeus viviam sob muita aflição. Nesse contexto podemos compreender que a esperança dos pais de Daniel ao escolher o seu nome foi de testemunhar que, apesar de todo contexto contrário, Deus julgaria todas as coisas com sabedoria, justiça e poder. Após a deportação de Daniel juntamente com outros jovens um outro nome poderia ser dado a Daniel. Deus não está parecendo julgar as coisas em favor do seu povo. Será que Deus é Juiz mesmo? Chegando no palácio de Nabucodonosor o contraste deve ter saltado aos olhos: muita riqueza, muita fartura, banquetes e uma aparente alegria. “Daniel, vamos mudar o seu nome – Jeová não é juiz, quem protege ao rei é Baal” – deve ter argumentado o eunuco.

O resto da história conhecemos e é de emocionar. Daniel decide “firmemente não se contaminar com as finas iguarias do rei” (Dn 1:8) e jamais se esqueceu do seu povo, de Jerusalém e, o mais importante, de quem era o Seu Deus. Ele rejeitou ser modelado pelo sistema do mundo e recusou ser dirigido pelo que os seus olhos físicos viam. Apesar do que tudo indicava Baal não protege ninguém. Ao ler o capitulo 9 percebemos que Daniel entendeu que o julgamento de Deus sobreveio sobre o seu povo.

Agradeço muito a Deus por ter registrado a história desse incrível jovem que, apesar de todo sucesso que alcançou na Babilônia, nunca deixou seu coração se afastar das promessas e verdades divinas. Sempre que leio a sua história sinto-me encorajado a assumir meu verdadeiro papel nesta terra. Sinto-me desafiado a parar de perder tempo com brinquedinhos e distrações deste mundo e mergulhar nas batalhas espirituais contra os príncipes e potestades do ar a favor dos propósitos divinos.

Daniel recusou que o mundo definisse quem ele seria. E quanto a nós?

“Disse Daniel: Seja bendito o nome de Deus de eternidade a eternidade, porque dele é a sabedoria e o poder; é ele quem muda o tempo e as estações, remove reis e estabelece reis, ele dá sabedoria aos sábios e entendimento aos entendidos. Ele revela o profundo e o escondido; o que está em trevas, e com ele mora a luz. A ti, ó Deus de meus pais, eu te rendo graças e te louvo.” Daniel 2:20 – 23

Nomes

setembro 7, 2010 0 comentários

“Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas: Ao vencedor, dar-lhe-ei do maná escondido, bem como lhe darei uma pedrinha branca, e sobre essa pedrinha escrito um nome novo, o qual ninguém conhece, exceto aquele que o recebe.” Apocalipse 2:17

Eu e minha esposa já tínhamos decidido o nome do nosso primeiro filho: Daniel (Deus é meu Juiz). Um dos motivos da escolha do nome era pelo simples (e vaidoso) fato de me chamar Pablo Daniel. Mas, o principal argumento era que ambos gostávamos do nome esteticamente. Há alguns meses atrás, minha esposa começou a dizer que, após uma experiência pessoal com Deus, entendeu que o nome do menino deveria ser: João (Deus é Bondoso). Então começaram as nossas negociações…

Na cultura ocidental escolhemos um nome por gosto pessoal ou porque é o nome da moda por causa do mocinho da novela das oito. Mas no oriente não é assim: o nome escolhido é carregado de significado e não despreza o contexto. Quando Deus criou o homem o associou ao pó de onde fora feito: Adão (terra vermelha). Quando o primogênito de Jacó nasceu ao ver que o menino era cabeludo chamou-lhe de Esaú (Peludo). Não somente os nomes eram escolhidos pela situação vivida como também Deus mudava o nome das pessoas indicando uma mudança importante no curso da sua história. Assim foi com Jacó (Israel), Simão (Cefas) ou Saulo (Paulo) e tantos outros. Diante dessa ponderação concluí que não faz muito sentido eu colocar um nome apenas olhando a estética. Mas devo dar um nome que, por si só, anuncia um testemunho real da família. Minha esposa, após um sangramento e diante de uma possível perda do bebê, encontrou segurança e paz no seu espírito ao “ouvir” o Senhor dizer: “Não temas. Eu sou bondoso”. Bem, posso não achar o nome João o mais bonito sonoramente mas seguramente será um adequado testemunho do que a minha casa tem testificado sobre o caráter do nosso Senhor.

Ainda mais um pensamento. Diante desses pensamentos lembrei-me que ainda terei um novo nome (Ap 2:17). Por toda a eternidade serei identificado por alguma característica bastante singular que o meu Senhor terá visto em mim. Fico tentando imaginar qual nome será… O incrível é que no tempo que se chama Hoje eu estou definindo, através das minhas escolhas, o nome que receberei quando o Rei voltar.

Bem, eu não sei qual será o meu novo nome, mas eu já sei qual será o nome gravado, eternamente, em minha testa.

“Nunca mais haverá qualquer maldição. Nela, estará o trono de Deus e do Cordeiro. Os seus servos o servirão, contemplarão a sua face, e na sua fronte está o nome dele.” Apocalipse 22:3,4

Blackout

agosto 31, 2010 0 comentários

“Respondeu-lhes Jesus: Ainda por um pouco a luz está convosco. Andai enquanto tendes a luz, para que as trevas não vos apanhem; e quem anda nas trevas não sabe para onde vai.” João 12:35

Recentemente trocamos as persianas do nosso quarto por uma cortina com forro de blackout (não sei se é assim que se diz). Puxa realmente funciona! Antes tínhamos o hábito de dormir com a persiana e a janela aberta de modo que o quarto, logo no inicio do dia, se iluminava. Agora, podemos fechar a janela, as cortinas e ligar o ar-condicionado e dormir o sono dos justos. Mas comecei a ter um probleminha… não consigo mais levantar no horário. Devido ao blackout perco a noção do tempo e não sei se é 06:00 ou 08:30. Toca o despertador e tenho a sensação de que deve ser umas 04:00 da manhã devido à escuridão do quarto. Dando uma rápida pesquisada descobri que todo ser humano possui um hormônio chamado melatonina que nos ajuda na regulagem do sono. Em ambientes calmos, seguros e escuros os níveis de melatonina aumentam causando sono. A luz inibe a produção da melatonina podendo gerar distúrbios no sono e insônia.

Tal situação me levou a meditar em uma das alegorias mais comuns da Palavra de Deus: Luz e Trevas relacionado com Vigilância e Sono. Vivemos uma época de densas trevas – final da noite. O mundo caído como conhecemos ainda por um pouco de tempo é regido pelo príncipe das trevas – de maneira que o“mundo inteiro jaz no maligno” (I Jô 5:12). Quando o Senhor Jesus voltar então o “Sol da Justiça” nascerá sobre toda Terra iluminando todas as situações, pessoas e coisas e dissipando as trevas: “A luz resplandece nas trevas, e as trevas não prevaleceram contra ela” (Jo 1:5). E, finalmente: “Então, já não haverá noite, nem precisam eles de luz de candeia, nem da luz do sol, porque o Senhor Deus brilhará sobre eles, e reinarão pelos séculos dos séculos. Não haverá mais noite” (AP 22:5).Porém, nesse momento de tão grandes trevas, não é estranho que os peregrinos e forasteiros que aguardam dos céus a revelação do Senhor Jesus se adaptem com tanta facilidade com a negridão e passem a viver uma vida cheia das obras das trevas? “Vai alta a noite, e vem chegando o dia. Deixemos, pois, as obras das trevas e revistamo-nos das armas da luz.” Romanos 13:12

Fico pensando quais são os “blackouts” que tenho colocado em meu coração. O que tem decorado os meus pensamentos, motivação e anelos. Será que eles tem escurecido minha alma de forma a aumentar meu sono e preguiça espiritual? Como aconteceu com Pedro, será que também escutarei do meu Senhor: “Voltando, achou-os dormindo; e disse a Pedro: Simão, tu dormes? Não pudeste vigiar nem uma hora?” (Mc 14: 37). O Senhor tem desejado encontrar, neste tempo de trevas, servos fieis que aguardam com santa e real expectativa o florescer dos primeiros raios de Sol decretando o fim dessa era. “Bendizei ao SENHOR, vós todos, servos do SENHOR, que assistis na Casa do SENHOR, nas horas da noite” (Sl 134:1).

Será que tenho caído no sono e não tenho percebido? Será que tenho vivido um terrível sonho e um dia serei abruptamente despertado pelo tocar ensurdecedor das trombetas do Rei? Se eu passo um dia sem me lembrar da promessa que Ele voltará será que isso, por si só, já não indica um estado de dormência? O que pode ser mais importante na minha vida do que a Vinda do meu Senhor?

É como diz o hino: “Desde Betânia:”

Com sua terra sonha o peregrino,
Com sua pátria, o exilado, além.
Distante, o noivo pensa em sua amada.
De amados pais, saudade os filhos têm.
Assim também anelo ver Teu rosto,
Ó meu querido e amado Salvador.

A luta contra o sono aumenta à medida que a noite vai terminando. Abra as janelas do seu coração e rasgue toda cortina carnal. Permita que a Luz Divina ilumine todo o seu quarto e te desperte de todo sono. Fique acordado para ver com seus próprios olhos as coisas que em breve hão de acontecer.

“Pelo que diz: Desperta, ó tu que dormes, levanta-te de entre os mortos, e Cristo te iluminará. Portanto, vede prudentemente como andais, não como néscios, e sim como sábios, remindo o tempo, porque os dias são maus.Por esta razão, não vos torneis insensatos, mas procurai compreender qual a vontade do Senhor.” Efésios 5:14 – 17

Jogo dos 7 erros

agosto 18, 2010 0 comentários

“Vós sois do diabo, que é vosso pai, e quereis satisfazer-lhe os desejos. Ele foi homicida desde o princípio e jamais se firmou na verdade, porque nele não há verdade. Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira.” João 8:44

Quando, na minha infância, eu comprava um “Almanaque de férias” uma das coisas que eu mais gostava de fazer era o jogo dos 7 erros. Em uma mesma página tínhamos, aparentemente duas imagens iguais, mas ao examinar com alguma atenção íamos descobrindo que existiam diferenças entre as ilustrações. Com um pouco de cuidado descobríamos que o cachorro tinha cinco patas ao invés de quatro e que o vaso antes cheio de flores agora está sem nenhuma.

O inimigo tem feito um árduo trabalho ao longo dos séculos misturando suas mentiras e heresias entre as verdades de Deus. E, da mesma forma que em Deus não pode existir trevas ou engano, no inimigo das nossas almas não existe verdade nem bem algum. Desde o principio ele é mentiroso e luta incansavelmente contra tudo que é verdadeiro. O que devemos fazer nos dias de hoje depois que tantos anos se passaram desde a descida do Espírito Santo e do surgimento da Igreja? Por séculos homens e mulheres lutaram pelas verdades imutáveis e eternas de Deus. Mas, como chegar até a verdade límpida, cristalina e legítima nos dias de hoje? Após quase 2000 anos de história da igreja como identificar os erros?

Bem, a primeira coisa que devemos fazer é buscar qual é o modelo correto. Para identificarmos os erros precisamos compará-lo com o verdadeiro. Devemos voltar para as escrituras e buscarmos, com toda sinceridade, livres de todo paradigma e pré-conceito qual é o caminho original projetado e apontado por Deus. Quando passamos a conhecer melhor o “quadro” correto, ficará mais fácil percebermos os erros e as anomalias escondidas e camufladas. C. S. Lewis, no curioso livro “Cartas de um diabo ao seu aprendiz”, relata quais seriam as estratégias malignas utilizadas para contaminar o povo de Deus. Em uma determinada passagem ele diz:

“Não tenho pretensão de tirar ninguém da igreja, pelo contrário. Quero deixá-los
lá, pois farei de tudo para que sejam frios, apáticos, que fiquem brigando entre si
por bobagem, que se dividam, e façam panelinhas entre eles. No que depender
de mim farei com que tenham uma vida tão miserável, que quando forem
evangelizar ninguém vai querer ter uma vida igual a deles.
Outra estratégia que uso muito é a de fazer com que os valores da igreja se
pareçam cada vez mais com o mundo, pois assim quando as pessoas passarem
a freqüentá.-la, elas não precisarão mudar nada, e continuarão fazendo as
mesmas coisas de antes. Não é genial?”

Se pararmos de ter o modelo correto em mente em breve acreditaremos que um cachorro ter cinco patas é uma coisa normal. A doutrina dos apóstolos constituem o sólido fundamento da igreja (Ef 2:20) e também o fundamento eterno dos muros da Nova Jerusalém (AP 21: 14) e deve ser o irrestrito filtro de nossa regra de fé e conduta. Examine as doutrinas e os costumes que temos visto e ouvido por aí. Compare com o modelo bíblico proposto e reflita com atenção por um instante.

Difícil será achar apenas 7 erros.

“Assim diz o SENHOR: Ponde-vos à margem no caminho e vede, perguntai pelas veredas antigas, qual é o bom caminho; andai por ele e achareis descanso para a vossa alma.” Jeremias 6:16

Marketing

julho 5, 2010 0 comentários

“E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.” João 8:32

Uma das lições fundamentais que aprendemos quando começamos a estudar sobre o marketing é aprender a distinguir a diferença entre “desejo” e “necessidade”. Define-se como “necessidade” os estados de carência percebida. Todos nós temos muitas necessidades das mais diversas ordens: sem ar, água, descanso ou comida nenhum homem sobrevive. Além das necessidades físicas também temos necessidades sociais como: segurança, aceitação e auto-realização. Ao contrário das necessidades físicas, as nossas necessidades sociais não possuem um padrão. Elas são determinadas pela fé, hábitos, costumes e valores individuais. Já o marketing define “desejo” como as necessidades humanas moldadas pela cultura e características pessoais. Se todos precisam de comer o marketing trabalha para que você deseje comer no McDonald”s. Se todos precisam de roupas o marketing trabalha visando agregar valores reconhecidos pela sociedade nos elementos da moda visando que desejemos uma determinada marca. Os maiores casos de sucesso ao longo da história do marketing irá demonstrar como uma determinada marca e/ou produto conseguiu romper a barreira do desejo transformando-se em uma necessidade.

Lembro-me que quando estudamos esse assunto na faculdade, meu professor perguntou à turma: o sexo, então, é uma “necessidade” ou um “desejo”? Após um longo debate não conseguimos chegar à uma conclusão. E é aqui que entra o árduo e constante trabalho do diabo em seu marketing de perverter e corromper as coisas como de fato são. De tantos exemplos que poderia citar acredito que o sexo seja o mais emblemático. Que eu saiba, nunca ouvimos dizer de uma pessoa que morreu por não fazer sexo. O sexo em si, não pode ser enquadrado como uma “necessidade” mas sim em um poderoso “desejo” que exerce uma violenta pressão na tentativa de modelar nossos corações para transformar àquilo que é um desejo em uma necessidade. O diabo usa toda sua “verba” em todos os canais de comunicação existentes através das revistas, propagandas, filmes, novelas e músicas. Desde sempre, todo o sistema deste mundo trabalha conduzida sob a mão invisível de um milenar e hábil planejador. Ele aproveita a mudança hormonal nos rapazes durante a adolescência para bombardeá-los com todo o tipo de sugestões e pensamentos impuros que tentarão se aninhar em suas mentes para o resto da vida.

O sexo foi planejado por Deus e é justamente por isso que ele é tão bom. Porém o inimigo, em uma ação bem sucedida, distorceu os valores Divinos e transformou o sexo em uma necessidade desesperada de satisfação imediata dos nossos instintos sensoriais. Engana-se porém quem pensa que o sexo é uma ação errada ou “não espiritual”. A própria Bíblia nos aconselha: “Bebe a água da tua própria cisterna e das correntes do teu poço. Derramar-se-iam por fora as tuas fontes, e, pelas praças, os ribeiros de águas? Seja bendito o teu manancial, e alegra-te com a mulher da tua mocidade, corça de amores e gazela graciosa. Saciem-te os seus seios em todo o tempo; e embriaga-te sempre com as suas carícias” (Pv 5: 15 – 19). Porém a Bíblia coloca o sexo no lugar em que ele deve estar – em um momento único e íntimo de entrega dentro de um relacionamento matrimonial saudável, amoroso e respeitoso entre um homem e uma mulher. Restringir-se a fazer sexo com uma única mulher é um preço muito pequeno diante da possibilidade de experimentar o que vem a ser uma vida unida com outra pessoa plenamente. A monogamia é o testemunho triunfal de alguém que entendeu, usufrui e valoriza o sexo na perspectiva correta de Deus. A verdadeira celebração do sexo reside na fidelidade conjugal e não na insensibilidade animal que busca o prazer do momento diminuindo a outra pessoa e pensando primariamente no seu pequeno e momentâneo gozo.

Vender o sexo como uma necessidade do homem é um dos pilares da ação do inferno para corromper, inquietar e enganar nossos corações trazendo tristeza e escravidão para muitos de nós. E se: “as más conversações corrompem os bons costumes” (I Co 15:33) é dever elevarmos o nosso padrão de santidade e costumes para que não nos tornemos escravos de tal devassidão.

A propaganda é bastante enganosa porém seus efeitos são muito reais. Apenas quando a luz da verdade incide em nossa percepção somos capazes de discernir as mentiras que fundamentam nossa sociedade. Quando estivermos cheios do Espírito Santo todas as algemas que nos prendem a essas questões menores serão quebradas. Os escravos de Cristo são livres e absolutamente felizes porque descobriram que a mais importante e real necessidade de todo homem também pode ser a sua maior fonte de prazer, satisfação e desejo.

“Então, irei ao altar de Deus, de Deus, que é a minha grande alegria.” Salmos 43:4

Áreas de risco

abril 14, 2010 0 comentários

“Porque ninguém pode lançar outro fundamento, além do que foi posto, o qual é Jesus Cristo.” I Coríntios 3:11 

Nesta última semana acompanhamos a tragédia ocorrida em Niterói. Após muita chuva uma parte de um morro deslizou soterrando mais de 50 casas e causando a morte de quase 150 pessoas. Depois da tragédia tenta-se encontrar os culpados… A prefeitura alega que a população foi inconseqüente ao ocupar uma área sem nenhum planejamento habitacional. Durante 16 anos (1970 a 1986) tal área foi usada como um depósito sanitário. A cor preta da terra que deslizou é resultado da decomposição do lixo. Após o saturamento do local, a prefeitura transformou o “lixão” em um grande aterro. E, apesar da ilegalidade, algumas famílias passaram a construir suas casas sobre a região transformando-a em um lugar “habitável”. Por outro lado, a população carente culpa o estado por não prover locais seguros e, mesmo sabendo dos perigos, eles preferiram morar assentados sobre o perigo à morarem debaixo de uma ponte correndo outros tipos de perigos. Acontece que o tempo passa e todos os lados se acomodam. Outras prefeituras investiram na região, asfaltaram o acesso e fizeram obras de saneamento público. Novas gerações vieram e construíram casas melhores e maiores. Talvez os mais novos nem conheciam a origem do “Morro do Bumba”. Não sabiam que estavam levantando suas vidas sob uma área de risco.

Interessante perceber que o agente que desencadeou toda essa tragédia foi as fortes chuvas. Porém não vi manifestações, passeatas ou protestos contras as chuvas ou contra “são pedro”. Tais situações são inevitáveis e fazem parte de uma sentença maior que sobrevêm sobre esse planeta. “porque Deus faz nascer o seu sol sobre maus e bons e vir chuvas sobre justos e injustos” (MT 5: 45). A chuva pode ter sido o agente mas não a culpada. Milhões de outros habitantes da cidade também passaram pela mesma situação sem sofrerem qualquer dano porque estavam protegidos por uma construção segura.

Como mencionei no post “Como nos dias de Noé” em breve o juízo de Deus sobrevirá sobre todos os habitantes desta terra – sem exceção. Ninguém escapará d’Aquele que tem “olhos como chama de fogo e que sonda mente e coração”. “Assim, pois, cada um de nós dará contas de si mesmo a Deus” (Rm14:12). Naquele dia todas as coisas serão abaladas e apenas o que é inabalável permanecerá em pé (Hb 12: 25 – 29). Absolutamente tudo que não foi construído sob o correto fundamento, o qual é Jesus Cristo, desmoronará.

Nos meus momentos de lucidez tento entender a minha obstinação em insistir no caminho do engano e da mentira. Talvez olhando ao redor eu pense, assim como tantos outros, que tudo está como deveria estar. A casa é confortável: muitos quartos, limpa, mobiliada e cheirosa – porém foi construída sob outros fundamentos e tudo acabará por terra. Fico perplexo quanto a isto. Não sei o que responder… por que sou tão incrédulo em realmente crer de todo o meu coração, mente, alma e vontade à Palavra de Deus? Por que a minha vida não mergulha, pela fé, profundamente nas coisas celestiais? Gostaria muito de, um dia, poder dizer como o testemunho que li do famoso pregador Jonathan Edwards, ele disse: “jamais pude dar um relato de como ou por qual meio fui convencido, e nem de longe imaginar, nem na época nem muito tempo depois, que houve uma influência extraordinária do Espírito de Deus; eu simplesmente passei a enxergar mais longe, e minha razão aprendeu a justiça e a lógica da doutrina de Deus. Minha mente descansou nela; e dei fim a todas as contestações e objeções.”

Discernir hoje se estou construindo a minha vida no firme fundamento ou em uma área de risco fará toda a diferença no dia em que cair a chuva. Estar protegido e seguro em Cristo será bem melhor do que, um dia ao despertar, perceber que estou soterrado nas ruínas cheio de lixo ao meu redor.

“Todo aquele que ouve estas minhas palavras e não as pratica será comparado a um homem insensato que edificou a sua casa sobre a areia. E caiu a chuva, transbordaram os rios, sopraram os ventos e deram de ímpeto contra aquela casa, e ela desabou, sendo grande a sua ruína.” Mateus 7:26-27

Mutação

agosto 28, 2006 0 comentários
“Há caminho que ao homem parece direito, mas ao cabo dá em caminhos de morte.” Provérbios 14:12

Recebi de um amigo uma notícia inacreditável: um canadense conseguiu trocar um clipe de papel por uma casa. Logicamente, ninguém trocaria uma casa por um simples clipe, o que esse esperto canadense fez foi realizar trocas aonde, no final, conseguiu chegar à casa.O clipe de papel foi trocado por uma caneta com forma de peixe. A caneta foi trocada por uma maçaneta de porta com desenho especial, a maçaneta por um fogareiro de acampamento e o fogareiro por um gerador. Dessa forma, ele foi trocando e trocando até chegar à uma casa na cidade de Kipling, Canadá.

Pensando nessa situação, lembrei-me da história de um homem justo chamado Ló. Porém, ao contrário do canadense, Ló foi fazendo péssimas trocas o que afetou diretamente seu triste fim. Vejamos algumas das suas trocas:
01) Quando Ló precisou decidir para aonde deveria morar. Ele não consultou a Deus, antes escolheu o lugar usando seus olhos naturais (Gn 13:10-11). Ele trocou o conselho de Deus pelo seu próprio conselho.
02) Ao escolher o lugar aonde moraria, Ló foi “armando suas tendas até Sodoma” e passou a conviver com pessoas más e grandes pecadores contra o Senhor (Gn 13: 12-13). Ló trocou a comunhão entre os santos (separou-se de Abraão) pelo convívio com incrédulos.
03) Ló não apenas passou a conviver com os sodomitas como se tornou um influente morador assentando-se à porta da cidade (Gn 19:1). Ló preferiu o prestígio e o reconhecimento do mundo às bênçãos celestiais.
As conseqüências foram terríveis como podemos constatar:
01) Ló não tinha autoridade entre os sodomitas, ao contrário, quando foi conversar com os homens da cidade, ele foi acusado de “querer ser juiz em tudo”.(Gn 19:9). Ou seja, ele era tido por chato e “santinho” demais.
02) Ló não tinha autoridade entre seus parentes. Seus genros escarneceram dele e não acreditaram quando ele os avisou da destruição que viria (Gn 19:14).
03) Ló não tinha paz: “porque Ló pelo que via e ouvia quando habitava entre eles, atormentava a sua alma justa, cada dia, por causa das obras iníquas daqueles” (II Pe 2:8). Lá no seu intimo, Ló sabia que aquele não era o seu lugar. Chama-me a atenção a expressão “cada dia”. Ao armar suas tendas até chegar em Sodoma, Ló acabou trocando “uma casa por um clipe de papel”.
Obviamente, a mutação que sofremos nunca é imediata, assim como o filho pródigo, podemos passar por um período de falsa paz e alegria, mas quando percebemos, estamos infelizes comendo o resto da comida dos porcos (Lc 15:14-16). É o cão que voltou para o seu próprio vomito. É a porca lavada que volta a revolver-se na lama (II Pe 2: 22). São as pequenas trocas que determinarão o que seremos futuramente.
Muitas vezes, não consigo discernir se tenho feito as melhores trocas. Tenho armado as minhas tendas para qual direção? Como será o fim da minha história? A história de Ló me adverte do perigo de sofrer essa mutação de tornar-me santo demais para os impuros e impuro demais para os santos. Infeliz é o cristão carnal. Não se sente à vontade nem entre os incrédulos nem entre os cristãos. Somente quando voltar à casa do Pai, recuperará sua dignidade e, finalmente, encontrará a paz perdida.

“E o filho disse: Pai, pequei contra o céu e diante de ti; já não sou digno de ser chamado teu filho. O pai, porém, disse aos seus servos: Trazei depressa a melhor roupa; vesti-o ponde-lhe um anel no dedo e sandálias nos pés; trazei também e matai o novilho cevado. Comamos e regozijemo-nos, porque este meu filho estava morto e reviveu, estava perdido e foi achado. E começaram a regozijar-se.” Lucas 15:21-24

Vencedores

julho 31, 2006 0 comentários

“Muitos primeiros serão últimos; e os últimos, primeiros” Mateus 19:30

Quando eu tinha 15 anos passei assistir basquete. Desde então me tornei fã do jogador Michael Jordan (considerado o Pelé do basquete). Tantas vitórias, tantos títulos. Cestinha por tantos anos. Detentor de tantos recordes. Sem dúvida foi um grande vencedor. Ao longo de sua carreira, o seu nome tornou-se sinônimo de sucesso e talento. Grandes empresas pagavam fortunas para terem sua marca ligada ao do astro e como recompensa contabilizavam grande lucro com a venda dos seus produtos. Há muito tempo, o marketing descobriu que o mundo carece de ídolos. Aqueles que são considerados vencedores serão imitados e amados. Isso porque, todo homem tem em seu intimo o desejo ardente de ser um vencedor.
O Diabo, pai da mentira, conseguiu imprimir um modelo de vencedor muito diferente do vencedor aos olhos de Deus. Para o mundo, um vencedor deve possuir muito dinheiro e bens. Nunca entra em nada para perder, mesmo que com isso ele roube, minta, e pise em outras pessoas. Além de poder e riquezas, um vencedor também deve possuir uma beleza física irrepreensível. Porém, tudo que o mundo define como sucesso se mostra totalmente fútil diante do julgamento divino que virá em breve: “Mas o que fareis vós outros no dia do castigo, na calamidade que vem de longe? A quem recorrereis para obter socorro, e onde deixareis a vossa glória? Nada mais vos resta a fazer senão dobrar-vos entre os prisioneiros e cair entre os mortos” (Is 10:3-4).


A Bíblia, o livro dos livros, ao relatar a história da humanidade, revela a perspectiva de Deus a respeito dos seus vencedores. Muitos deles poderiam ser rotulados negativamente e, aos olhos humanos, nunca seriam vistos como vencedores. Penso em João Batista, o arauto do Rei. João andava sozinho, vivia no deserto e nunca se conformou com a religiosidade hipócrita da época. Sua alimentação era peculiar: gafanhotos e mel silvestre. Vestia-se de maneira simples e foi taxado de endemoninhado. Por não concordar com a união ilícita do Tretarca Herodes com a cunhada, foi perseguido, preso e, finalmente, teve sua cabeça entregue num prato como presente para essa perversa mulher. Mas o que o Senhor disse a respeito de João? “ Entre os nascidos de mulher, ninguém apareceu maior do que João Batista” (Mt 11:11). Definitivamente os vencedores de Deus são bem diferentes dos vencedores do mundo.

Quando penso nessa verdade fico envergonhado em reconhecer que, muitas vezes, a minha referência de sucesso assemelha-se mais com os padrões do mundo do que com os padrões celestiais. Toda vez que esqueço dessas verdades eternas, cometo o terrível erro de rotular perdedores em vencedores. Inconscientemente, acabo imitando esses falsos vencedores e desprezo a vida e o exemplo dos verdadeiros vencedores.

É incrível perceber que Deus também tem seus heróis (Jz 5:23). E, para os súditos do Rei, não existirá maior glória ou honra do que ser chamado de vencedor por aquele que venceu. Diante da iminente aparição do iníquo, cabe a nós optarmos pelo caminho apertado da vida piedosa desapegada desse mundo que agrada tanto ao nosso Deus. Acredito que a chave do sucesso para qualquer cristão, já foi citada por João Batista:

“Convém que Jesus cresça e que eu diminua.” João 3:30