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Prontos para ouvir

maio 30, 2019 0 comentários

“Todo homem, seja pronto para ouvir e tardio para falar” Tiago 1: 19

Vivemos a era digital. Nossas interações estão cada vez mais sendo pautadas pelas redes
sociais e mensagens via WhatsApp. Paramos de olhar no olho do outro e de investir tempo
de qualidade nos nossos diálogos. Somos apressados no falar. Apenas nossa opinião e
sentimentos importam. Temos invertido a orientação bíblica. Somos prontos para falar e
tardios para ouvir. Com isso nossos relacionamentos estão se tornando cada vez mais
superficiais e individualistas.

Precisamos voltar a considerar o conselho bíblico: não importa se você é pai, mãe, pastor,
presidente, diretor … todo homem deve estar pronto para ouvir. Agora, é preciso esclarecer; ouvir é muito mais do que escutar é criar conexão emocional com o próximo. Para que isso aconteça eu gostaria de te dar algumas sugestões:

Quando estiver conversando com alguém, transforme essa pessoa no centro da sua atenção. Ela deve ser a única coisa que importa para você naquele momento. Faça todo o esforço de entender a situação na perspectiva dela. Sinta o que ela está sentindo. Não a interrompa. Ultrapasse as palavras, ouça o seu coração e a sua alma esforce-se para perceber o que ela está tentando transmitir. Não se apresse em opinar, repreender ou orientar. Você nunca compreenderá a outra pessoa se a sua interação for apenas na superfície … transitando apenas no nivel das palavras. Lembre-se que algumas coisas têm sentidos diferentes para as pessoas. Então ouça com muita sensibilidade. Procure entender como a outra pessoa está se sentindo e não como você se sente por causa do problema dela. Não a escute dentro do seu próprio marco de referência, filtrando o que te interessa pelo filtro dos seus próprios sentimentos. Não suponha, não deduza. Se tiver dúvida, pergunte. Descubra o que ela realmente está querendo dizer, qual é o motivo e o sentimento que a levam sentir-se dessa maneira. Não tente ver os problemas do outro pelo filtro que você enxerga os seus. Mas tente enxergar pelo filtro que a outra pessoa está vendo. Dê a oportunidade da pessoa se esvaziar e falar desimpedidamente.

Você se lembra da experiência de Jó? o Senhor Deus aguarda Jó e seus amigos falarem tudo o que queriam. E apenas depois que a Bíblia diz: “fim das palavras de Jó“ é que o Senhor fala e faz suas considerações. O Senhor Deus como um bom ouvinte, esperou Jó se esvaziar e expor tudo o que estava sentindo para só então preencher o seu coração quebrantado com palavras transformadoras.

O nosso desafio é enorme. Porque fazemos parte de uma geração que perdeu a habilidade de ouvir empaticamente. Escutamos mas não ouvimos. Entendemos mas não discernimos. Ficamos impacientes porque ouvir ao outro parece ser uma perda de nosso precioso tempo. E manifestamos nosso desinteresse através da pressa em estabelecer e falar o nosso pensamento. O nosso egoísmo emocional nos impede de chorar com os que choram e de se alegrar com os que se alegram. Não é de se estranhar que, geralmente, o nosso falar se torna em um discurso vazio. E, não raro, destruímos ao invés de edificar.

Ser pronto para ouvir é, com o máximo de diligência e compaixão possível, se identificar com as limitações, dores, pecados e tristezas do próximo. E quando conseguimos criar essa verdadeira conexão no diálogo … então, finalmente, estaremos prontos para falar, esperando e dependendo que, ao abrirmos a boca seremos apenas um instrumento do próprio Espírito Santo de maneira que venhamos abençoar , de verdade , uma outra pessoa.

“Como maçãs de ouro em salvas de prata assim é a palavra dita a seu tempo” Pv 25:11

 

Uns aos outros

dezembro 12, 2017 0 comentários

“Sabe porém isto: nos últimos dias sobrevirão tempos difíceis pois os homens serão egoístas, avarentos, jactanciosos, arrogantes, blasfemadores, desobedientes aos pais, ingratos, irreverentes, desafeiçoados, implacáveis, caluniadores, sem domínio de si, cruéis, inimigos do bem, traidores, atrevidos, enfatuados, antes amigos dos prazeres que amigos de Deus” II Timóteo 3:1-4

O Senhor Deus já nos advertiu através da sua palavra profética de como os homens seriam nos últimos dias. O que talvez a gente não perceba é que não se é falado de apenas alguns homens ou de como os incrédulos seriam. Mas, se é dito, que a raça humana seria moldada por essas anomalias malignas que transformariam a cultura e a mentalidade do gênero humano. Perdoe-me quem quer que seja que esteja lendo esse texto, mas essa lista diz respeito a você e a mim. Apenas o Senhor Deus, através da vida de Cristo, pelo poder do Espírito Santo pode resgatar o ser humano do atual estado que se encontra.

Engana-se o desavisado que pensa que Deus não preparou provisão para nos tratar profundamente para que não venhamos ser amoldados pelo formato desse mundo. Deus sabe que precisamos sofrer uma profunda e completa transformação, não só de vida mas de também de caráter. E essa transformação passa, necessariamente e invariavelmente, pela vida comunitária do corpo de Cristo – a Igreja.

O Senhor Jesus não nos salvou para sermos desconectados, isolados ou distantes dos outros peregrinos também redimidos pelo seu sangue. Por isso que expressões como: “mutuamente”, “uns aos outros” ou “uns para com os outros” aparecem continuamente em todo o ensinamento apostólico. Para cada atributo que se levanta como característica da raça humana podemos perceber uma contra-posição sugerida pelo Senhor para combatermos essas ameaças:

Se o mundo quer que pensemos apenas em nossos próprios interesses (egoístas) a palavra de Deus nos convida a abrirmos nossa casa, tempo e comodidade e sermos hospitaleiros “sede mutuamente hospitaleiros”(I pe 4:9).

Se o mundo quer que sirvamos cada vez mais as riquezas (avareza) a palavra de Deus nos conclama a compartilharmos as necessidades dos santos (Rm 12:13) cooperando com o sustento uns dos outros “cooperem os membros, com igual cuidado, em favor uns dos outros”(I co 12:25).

Contra a jactância a bíblia diz: “acolhei-vos uns aos outros”(Rm 15:7)

Contra a arrogância e o orgulho diz: “cingi-vos de humildade no trato de uns para com os outros”(I pe 5:5)

Contra a blasfêmia diz: “sede uns para com os outros compassivos ”(Ef 4:32)

Os desobedientes necessitam de correção: “estejais aptos para admoestardes uns aos outros”(Rm 15:14)

Aos invés de sermos ingratos devemos aprender a honrar:“preferindo-vos em honra uns aos outros”(Rm 12:10)

Àqueles que não possuem respeito (irreverentes): sujeição. “Sujeitando-vos uns aos outros no temor de Cristo”(Ef 5:21)

Aos desafeiçoados, exortação: “exortai-vos mutuamente”(Hb 3:13)

Aos que não conseguem perdoar (implacáveis): “perdoando-vos uns aos outros”(Ef 4:32)

Aos mentirosos e caluniadores: “fale cada um a verdade com o seu próximo porque somos membros uns dos outros”(Ef 4:25)

Àqueles que não controlam seus impulsos (sem domínio de si): “suportai-vos uns aos outros” (Cl 3:13)

Aos cruéis: “levai as cargas uns dos outros”(Gl 6:2)

Aos inimigos do bem: “sede uns para com os outros benignos” (Ef 4:32)

Aos traidores a bíblia ensina consideração: “tendo o mesmo sentimento uns para com os outros ”(Rm 12:16)

Aos invés de sermos atrevidos sermos edificadores: “consolai-vos uns aos outros edificai-vos reciprocamente”(I Ts 5:11)

Ao invés de estarmos satisfeitos com o nosso conhecimento (enfatuados) temos que desejar receber mais instrução: “instruí-vos e aconselhai-vos mutuamente”(Cl 3:16)

Para os amigos dos prazeres arrependimento e confissão: uma vida de transparência entre os irmãos “confessai os vossos pecados uns aos outros e orai uns pelos outros, para serdes curados” (Tg 5:16)

Uma vida cheia dos “uns aos outros” trará muito desconforto à nossa alma porque não é natural para nós palavras como: perdão, humildade, dar a nossa honra a outro. Tudo isso vai em direção contrária ao espírito que move esse mundo. E haverá uma luta constante e terrível dentro de nós. Qualquer comunidade cristã que aceita a superficialidade dos relacionamentos poderá gozar até de crescimento numérico e de uma aparente sensação de bem-estar. Porém, é na profundidade da experiência dos “uns aos outros” que seremos transformados, disciplinados, humilhados e santificados. Repensemos nossa consagração e envolvimento “uns com os outros”. Esse é o caminho estreito e apertado utilizado pelo Espírito Santo para que não venhamos a andar segundo a nossa própria vaidade.

Propositadamente deixei por último o mais conhecido mandamento do “uns aos outros” – o amor. Eu pessoalmente não concordo com a clássica definição que o “ide” de Mateus 28 é a grande comissão do Senhor Jesus. Porque “ainda que entregue meu próprio corpo para ser queimado, se não tiver amor, nada disso me aproveitará” (I Co 13:3). Evangelismo, profecia, ensino, pastoreio ou qualquer outra coisa que fizermos necessita ser feito em amor para com o próximo.

Segue abaixo o que eu considero ser a grande comissão deixada pelo nosso Senhor e, pelo qual, tudo o mais encontra sentido.

“Novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros; assim como eu vos amei, que também vos ameis uns aos outros. Nisto conhecerão que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns aos outros.”João 13:34

“O meu mandamento é este, que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei.”João 15:12

“isto vos mando, que vos ameis uns aos outros” João 5:17

“ No tocante ao amor fraternal não há necessidade de que eu vos escreva, porquanto vós mesmos já estais por Deus instruídos que deveis amar-vos uns aos outros. ”I Tessalonicenses 4:9 

“ amai-vos de coração uns aos outros ardentemente ”I Pedro 1:22

“acima de tudo, porém, tende amor intenso uns para com os outros.”I Pedro 4:8

“a mensagem que ouvistes desde o principio é esta, que vos ameis uns aos outros ”I João 3:11

Ligamentos

dezembro 1, 2013 0 comentários

“(…) e não retendo a Cabeça, da qual todo o corpo, suprido e bem vinculado por suas juntas e ligamentos, cresce o crescimento que procede de Deus.” Gálatas 2:19

Sofri um entorse no pé direito há um mês atrás. Ao longo desse tempo, venho passando por várias fases aguardando a recuperação completa do meu pé. Imediatamente após o entorse o pé inchou tanto que o meu tornozelo desapareceu. Nessa fase de dor aguda, não conseguia colocar o pé no chão. Ele estava completamente inutilizado. Após muito antiinflamatório, gelo e repouso, o meu pé foi desinchando porém ficou todo roxo. Apesar da sua fragilidade eu conseguia apoiá-lo no chão e já conseguia sair mancando por aí. Estou na terceira fase em que o pé já não está mais inchado nem roxo, e consigo quase andar normalmente. Pelo que tenho lido essa é a fase mais delicada da recuperação porque o pé aparentemente está bom porém os ligamentos ainda não estão cicatrizados e uma nova lesão pode ocorrer.

Nesses dias de fragilidade física pude meditar um pouco mais nessa verdade espiritual falada tantas vezes pelo apóstolo Paulo: a igreja como o corpo de Cristo. “Vós sois o corpo de Cristo; e, individualmente, membros desse corpo” (I Co 12:27). Sendo que Cristo é a cabeça: “Ele é a cabeça do corpo, da igreja” (Cl 1:18). E como acontece com o nosso corpo, todos nós temos funções: “conquanto muitos, somos um só corpo em Cristo e membros uns dos outro, tendo, porém, diferentes dons segundo a graça que nos foi dada” (Rm 12:5-6). Para que a igreja pudesse compreender seu papel na terra o Espírito Santo nos trouxe essa figura maravilhosa de unidade, harmonia, trabalho e dependência que deve nos acompanhar em toda nossa peregrinação.

Fiquei pensando em meu pé e de como não consigo fazer tudo que gostaria devido à sua fragilidade. Minha cabeça está ótima, o resto do meu corpo também. Porém alguns poucos feixes do tecido fibroso que reforçam meu tornozelo impedem que eu ande normalmente. Na minha cabeça ordeno que o meu pé faça um determinado movimento porém não sou obedecido. A lesão trouxe uma desarmonia em todo o meu corpo. Sobrecarrego demais a minha perna esquerda, não consigo fazer meus exercícios físicos para uma melhor saúde do meu corpo afetando assim o meu peso, humor e cotidiano. Como Paulo diz: “cooperem os membros, com igual cuidado, em favor uns dos outros. De maneira que, se um membro sofre, todos sofrem com ele” (I Co 12:25,26).

Penso que nosso problema não está na lesão em si mas na forma como nos recuperamos dela. Todos nós estamos sujeitos a torções e tropeços na nossa caminhada. Todo peregrino passa por momentos em que necessita de repouso e recuperação. O melhor a si fazer é buscar restauração completa. Às vezes a lesão é visível. O inchaço e os hematomas aparecem em um determinado membro e a única solução é a imobilização e o tratamento. Porém, o perigo maior está nas lesões ocultas, mal cicatrizadas. Externamente não percebemos qualquer problema mas a lesão está lá. Agir como se não tivesse nenhum problema é um grande erro que manifestará graves conseqüências ao corpo futuramente.

Apesar de toda minha ansiedade em voltar a correr e ter uma vida normal, admito que ainda não estou preparado. Apesar do progresso, meu pé necessita de descanso para total recuperação. Para que no dia de amanhã meu corpo não sofra uma dor ainda maior devido à fraqueza dos meus ligamentos. Para que toda ordem da minha cabeça seja completamente obedecida pelo meu pé.

Essa preocupação com o meu corpo físico me adverte severamente sobre a minha função na igreja. Muitas vezes, preciso de tratamento e disciplina para uma completa restauração. Por várias vezes Deus tentou tratar as lesões no povo de Israel mas eles rejeitavam o tratamento preferindo a cura superficial das feridas (Jr 8:11). O Senhor Jesus não só deseja ser o meu Cabeça trazendo orientação e direção como também tem poder para me curar e restaurar-me completamente fazendo-me um membro útil ao Seu propósito.

A decisão está comigo.


“Estava ali um homem, enfermo havia trinta e oito anos. Jesus vendo-o deitado e sabendo que estava assim havia muito tempo, perguntou-lhe: Queres ser curado?” João 5:5,6

”Tu os feriste, e não lhes doeu; consumiste-os, e não quiseram receber a disciplina; endureceram os seus rostos mais do que uma rocha; não quiseram voltar.” Jeremias 5:3

Um só pão

dezembro 1, 2012 0 comentários

“O solitário busca o próprio interesse, e insurge-se contra a verdadeira sabedoria.” Provérbios 18:1

“Deus faz que o solitário more em família.” Salmos 68:6

A solidão é uma das coisas que mais aflige o coração humano. A sensação de que a nossa vida está andando na direção contrária do mundo produz em nós insegurança e desânimo. Por outro lado, quando encontramos outras pessoas que compartilham dos mesmos idéias e pensamentos e nos encorajam a prosseguir, ficamos mais fortes do que de fato somos e avançamos. Falo isto porque neste último final de semana tive a oportunidade de conhecer e re-encontrar irmãos de outras cidades. Pude escutar experiências de perseguições, lutas, sofrimentos e vitórias. Mais uma vez percebi que não estou sozinho nesta jornada rumo à pátria celestial.

Dentro deste contexto, lembrei-me de Elias, poderoso profeta de Deus, que após uma incrível experiência no monte Carmelo (I Rs 18) aonde fez cair fogo do céu entrou em uma profunda crise e desânimo. Deus então o leva a um outro monte, Horebe, o monte de Deus (I Rs19:8). A desesperança de Elias talvez seja justificada pela sua solidão: “porque os filhos de Israel deixaram a tua aliança, derribaram os teus altares, e mataram os teus profetas à espada; e eu fiquei só”( I Rs 19:14) porém Deus, que conhece todas as coisas, corrige o pensamento de Elias e o encoraja: “conservei em Israel sete mil: todos os joelhos que não se dobraram a Baal e toda boca que o não beijou” (I Rs 19:18). Elias descobriu que não era único. Viu que sete mil fiéis anônimos também estavam trilhando o mesmo caminho. Após esse encontro Elias recobrou suas forças e prosseguiu até o dia em que uma carruagem de fogo o levou para junto de Deus.

A Ceia do Senhor é uma divina ocasião em que podemos testemunhar o fim da solidão. O apóstolo Paulo diz: “Porventura o cálice da benção que abençoamos não é a comunhão do sangue de Cristo?: O pão que partimos não é a comunhão do corpo de Cristo?” (I Co 10:16). Quando partimos o pão, lembramos da obra do nosso Salvador Jesus Cristo. Lembramos do seu corpo partido e do seu sangue derramado. Lembramos que uma das conseqüências dessa obra é a nossa comunhão com os que são da família de Deus. Quando partimos o pão não celebramos a solidão, ao contrário, celebramos e discernimos o corpo espiritual de Cristo aonde todos os redimidos tornaram-se um só corpo e membros uns dos outros.

Satanás sabe que um cristão isolado torna-se um alvo fácil para seus ataques e enganos. O isolamento produz a solidão que produz a auto-piedade que produz orgulho que produz mais isolamento. Devemos estar bem protegidos, cobrindo uns aos outros em oração e mútua cooperação. Dessa maneira estaremos vigilantes diante das tentativas do diabo e estaremos dando um testemunho coerente diante da Mesa do Senhor. Outrora éramos indivíduos, antes éramos grãos de uva e feixes de trigo. Agora, porém, somos inseparáveis e indissociáveis. Através da obra do calvário nos tornamos vinho e pão.

“Sede sóbrios e vigilantes. O diabo, vosso adversário, anda em derredor, como leão que ruge procurando alguém para devorar; resisti-lhe firmes na fé, certos que sofrimentos iguais aos vossos estão-se cumprindo na vossa irmandade espalhada pelo mundo.” I Pedro 5:8,9

A verdadeira família

maio 11, 2010 0 comentários

Jesus estendendo a mão aos discípulos disse: Eis minha mãe e meus irmãos. Porque qualquer que fizer a vontade de meu Pai Celeste, esse é meu irmão, irmã e mãe. Mateus 12:49, 50

A Bíblia é muito clara sobre a importância da família diante de Deus. Paulo diz: “ora, se alguém não tem cuidado dos seus e especialmente dos de sua própria casa, tem negado a fé e é pior do que os descrentes” (I Tm 4:8). Pedro inclusive diz que um homem pode ter suas orações interrompidas se não tratar sua esposa com dignidade (I Pe 3:7). Porém, confesso que tenho olhado com muita ressalva os que advogam que a família é a base da Igreja. Temo que esse tipo de pensamento desvirtue nosso entendimento colocando a família como causa e não como resultado da nossa vida cristã. E, o que é igualmente perigoso, desvalorizarmos e não enxergarmos qual é a verdadeira família na ótica de Deus.

Quanto a esse assunto, o exemplo de Eli tem muito o que nos ensinar. Eli fazia parte do seleto grupo dos juízes de Israel. Porém seus filhos “eram filhos de Belial e não se importavam com o Senhor” (I SM 2:12). O Senhor separa um novo juiz, o último que antecederia a era dos reis, o jovem Samuel. Ao se revelar à Samuel, Deus diz: “Porque já lhe disse que julgarei a sua casa para sempre pela iniqüidade que ele (Eli) conhecia porque seus filhos se fizeram execráveis, e ele os não repreendeu” (I Sm 3:13). Antes disse, o Senhor adverte a Eli e lhe pergunta: “porque honras aos teus filhos mais do que a mim?”(2:29). Eli desagradou profundamente a Deus ao preferir sua família. Um outro exemplo, porém positivo, encontramos na tribo de Levi. Quando o povo de Israel se prostituiu com o bezerro de ouro, os levitas ficaram ao lado de Moisés e desembainharam suas espadas pelo Senhor (Ex 32). Como galardão pela sua fidelidade os levitas se tornaram a única tribo permitida por Deus para o serviço sacerdotal. Mesmo no final de sua vida, Moisés ainda é capaz de se recordar da coragem dos levitas e ora: “ De Levi disse: Dá, ó Deus, o teu Tumim e o teu Urim para o homem, teu fidedigno, que tu provaste em Massá, com quem contendeste nas águas de Meribá; aquele que disse a seu pai e a sua mãe: Nunca os vi. E não conheceu a seus irmãos, e não estimou a seus filhos, pois guardou a tua palavra e observou a tua aliança” (Dt 33:8,9).

Esse assunto não deveria soar tão estranho aos cristãos. O próprio Senhor Jesus adverte aos seus discípulos: “vim causar divisão entre o homem e seu pai, entre a filha e sua mãe e entre a nora e sua sogra. Assim os inimigos do homem serão os da sua própria casa. Quem ama seu pai ou sua mãe mais do que a mim não é digno de mim; quem ama mais seu filho ou sua filha mais do que a mim não é digno de mim.” (MT 10:35 – 37). Quando alguém avisou ao Senhor que sua família queria falar com Ele, o Senhor responde que seus verdadeiros parentes eram os que faziam a vontade do Pai. Ao contrário de Eli, o Senhor Jesus sempre tinha claro quem era sua verdadeira família.

Tenho o privilégio e a alegria de ter uma família terrena que confessa o nome do Senhor. Porém, eu sei que, na realidade, somos uma figura da verdadeira família. Quando chegarmos na eternidade não existirão mais os “Aguirre” ou os “Silva”. Ali seremos uma única família com um único Pai e teremos o mesmo sangue sobre nós. O sangue do Cordeiro.

Como preciso aprender com a vida de Eli. Honrar ao Senhor mais do que qualquer pessoa é o nosso desafio mesmo que uma espada nos separe da família terrena. Quando guardamos a Palavra de Deus e observamos a Sua aliança experimentaremos o gozo de participarmos da verdadeira família. E por ser a verdadeira, esse gozo não terá fim.

“Em verdade vos digo que ninguém há que tenha deixado casa, ou irmãos, ou irmãs, ou mãe, ou pai, ou filhos, ou campos, por amor a mim e por amor do evangelho, que não receba, já no presente, o cêntuplo de casas, irmãos, irmãs, mães, filhos e campos, e no mundo por vir a vida eterna.” Marcos 10:29 – 30

A agradável temperatura da morte

julho 1, 2006 0 comentários

“Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente. Quem dera fosses frio ou quente! Assim, porque és morno e nem és quente nem frio, estou a ponto de vomitar-te da minha boca;” Apocalipse 3:15-16

Dizem que o sapo, por ter sangue frio, não consegue perceber rapidamente a mudança da temperatura externa. Então se jogarmos um sapo dentro de uma panela de água fervendo, ele saltará rapidamente para fora. Se, porém, colocarmos o sapo dentro de uma panela cheia de água em temperatura ambiente e, aos poucos, irmos esquentando a água, o sapo será cozido e morrerá sem perceber a mudança de temperatura. Eu não sei se isso acontece de verdade com os sapos, mas sei que com os cristãos acontece.

Na passagem mencionada acima, o Senhor Jesus manifesta um desejo para com a igreja em Laodicéia: quem dera fosses frio ou quente! Por que o Senhor iria preferir a frieza? Usando a lógica, ser morno deveria ser melhor do que ser frio. Mas não é. Isso porque o cristão frio está muito mais próximo do quebrantamento e da contrição do que o morno. A frieza nos afasta de qualquer tentativa religiosa e hipócrita. A frieza espiritual expõe para nós e para todos ao nosso redor a triste realidade de um peregrino que parou de andar. Quando o Senhor suspira por um posicionamento, na realidade Ele não deseja que nenhum dos seus redimidos torne-se frio. Mas Ele sabe que pior que a frieza espiritual é a mornidão espiritual. A mornidão traz uma estranha sensação de conforto. Porem essa agradável temperatura vem acompanhada de morte.

Assim como o sapo, muitas vezes não percebemos do perigo em que estamos imersos. Passamos a aceitar hábitos, costumes, pensamentos, linguajar e outras situações mundanas e não conseguimos perceber que a temperatura da água está ficando alta. Essa é uma estratégia milenar que Satanás usa contra os servos de Deus: “Ide, oferecei sacrifícios ao vosso Deus nesta terra.” (Ex 8:25). Foi a proposta de Faraó quando Deus havia ordenado a saída do povo de Deus do Egito para tomarem posse de uma terra prometida. Faraó estava propondo para Moisés a mornidão: “Sirvam a Deus mas dentro dos meus termos. Ofereçam sacrifícios ao seu Deus mas debaixo do meu domínio”.

Deus nos chama para sermos totalmente D’Ele. Sermos quentes é o Seu grande desejo para todos os seus filhos. Quanto a obediência à Sua palavra a Bíblia diz: “Tu ordenaste os teus mandamentos, para que os cumpramos à risca” (Sl 119:4). A comparação com a ânsia de vômito já deveria nos falar muito sobre como o Senhor vê uma vida que obedece pela metade, que se consagra apenas em parte, que se acomoda na agradável temperatura morna da água sem perceber que, na realidade, está sendo cozido.

“De maneira que temiam o Senhor e, ao mesmo tempo, serviam aos seus próprios deuses, segundo o costume das nações dentre as quais tinham sido transportados.” II Reis 17:33

“Infiéis, não compreendeis que a amizade do mundo é inimiga de Deus?” Tiago 4:4

Caçadores de Serpentes

junho 12, 2006 0 comentários

“Não negligencieis igualmente a prática do bem e a mútua cooperação; pois com tais sacrifícios Deus se compraz.” Hebreus 13:16

Existe uma fábula que é mais ou menos assim:

Em uma fazenda, vivia um ratinho que em certo dia viu uma pequena serpente se esconder dentro do celeiro. Preocupado em não se tornar o almoço da serpente, o ratinho pediu ajuda aos outros animais: a galinha, o porco e a vaca. “Vocês precisam me ajudar! Uma serpente entrou no celeiro hoje de manhã e estou com medo de ser atacado por ela” – disse o ratinho reconhecendo seu triste lugar na cadeia alimentar. Apesar do sincero pedido de ajuda, os animais não se interessaram pela sua situação, cada um deu um bom motivo e todos voltaram aos seus afazeres.
No dia seguinte, a esposa do fazendeiro, foi ao celeiro e, enquanto mexia no feno foi picada pela serpente e ficou muito doente. O fazendeiro preocupado com a saúde de sua mulher matou a galinha e fez uma boa canja para reanimar sua amada esposa. Os familiares, ao saberem do ocorrido, foram fazer uma visita. O fazendeiro ao receber seus parentes, matou o porco e fez uma bela feijoada. Após duas semanas, vendo que sua esposa já estava bem de saúde, convidou toda a vizinhança, matou a vaca e fez um lindo churrasco para comemorar.
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A obra satânica se levanta contra tudo que é da vontade de Deus. Se o Senhor é contra a fornicação e o adultério, então satanás trabalhará ativamente produzindo na humanidade um desequilíbrio quase que animalesco por sexo. Se o Senhor deseja que tenhamos uma vida simples, satanás trará um ritmo e padrão de vida que nos tornará escravos do trabalho e das pressões do dia-a-dia. Com respeito à mútua cooperação não é diferente. A vontade do Senhor é que andemos juntos. Que levemos as cargas uns dos outros (Gl 6:2). Que confessemos os nossos pecados e oremos uns pelos outros para sermos curados (Tg 5:16). Ao longo das eras, existe uma obra maligna que tenta afastar-nos da vida coletiva que o Senhor planejou para seus servos. Quando fomos resgatados do império das trevas e transportados para o reino do Filho do Seu amor, descobrimos que não estamos mais sós. Assim como eu, milhares de milhares de outros pecadores encontraram salvação e proteção na família de Deus. Fomos batizados para dentro de um só corpo. Queiramos ou não, estamos unidos uns aos outros. O Senhor espera que ajudemos uns aos outros durante a nossa caminhada. Como mencionei anteriormente, satanás trabalha intensamente para afastar-nos de tudo que é legitimamente do Espírito. O cristianismo sem compromisso mútuo e egoísta talvez seja uma das maiores contradições do evangelho pregado atualmente.

Nestes dias de trevas, em que os homens, entre tantas outras coisas, se tornaram egoístas e desafeiçoados (II Tm 3:2-5) pensar no próximo tornou-se num grande desafio para minha vida. Deixar de só pensar em que posso receber para começar a pensar em que posso dar. Gastar meu tempo na cooperação, no trabalho e no desenvolvimento dos meus irmãos. Preocupar-me com suas preocupações. Importar-me com seus temores. Valorizá-los mais do que a mim mesmo. Chorar com os que choram e alegrar-me com os que se alegram (Rm 12:15).

Na minha vida cristã tenho experimentado a fidelidade do Senhor através de vários irmãos e irmãs que tem me ajudado a prosseguir. Tenho certeza que muitas orações já foram feitas a meu favor. Quando olho para trás, sei que muitos já se importaram em caçar as “serpentes” que me aterrorizavam.

Assim como na fábula, o problema hoje do meu irmão, poderá se tornar no meu problema amanhã. A falta de cooperação mútua permite o surgimento de serpentes que poderão, futuramente, inocular morte em muitos. Quando nos tornamos caçadores das serpentes que perturbam o bem-estar dos nossos irmãos garantimos também saúde espiritual para as nossas próprias vidas. Experimentaremos a benção do cristianismo genuíno: quanto mais eu der, mais receberei. Quanto mais eu esquecer de mim mesmo, mais serei lembrado. Quanto mais eu amar, mais serei amado.

“Quem é pois, o servo fiel e prudente a quem o Senhor confiou os seus conservos para dar-lhes o sustento a seu tempo? Bem-aventurado aquele servo a quem seu senhor, quando vier, achar fazendo assim. Em verdade vos digo que lhe confiará todos os seus bens” (Mt 24:45-47).