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Escolhas

outubro 17, 2019 0 comentários

“apanhai-me as raposas, são as raposinhas que devastam os vinhedos” Ct 2: 15

Certa vez vi uma dessas matérias que nos parecem inacreditáveis (depois pesquise na internet e verá o artigo): um canadense conseguiu trocar um clipe de papel por uma casa. Logicamente, ninguém trocaria uma casa por um simples clipe, o que esse esperto canadense fez foi realizar trocas, onde, no final, conseguiu chegar à casa. Então o clipe de papel foi trocado por uma caneta com forma de peixe. A caneta foi trocada por uma maçaneta de porta com desenho especial, a maçaneta por um fogareiro de acampamento e o fogareiro por um gerador. Dessa forma, ele foi trocando e trocando até chegar à uma casa na cidade de Kipling, Canadá.

Esse é um exemplo positivo de como uma pessoa, através das suas escolhas seguiu por um caminho de prosperidade. O problema é quando acontece o contrário conosco. Temos uma casa e à medida que fazemos nossas escolhas e tomamos as nossas decisões podemos terminar a nossa vida com apenas um clipe de papel nas mãos.

Eu fico pensando em Ló, a bíblia o chama de homem justo, porém teve um final de história muito triste e miserável. Mas esse processo não foi de um dia para o outro … “ló foi armando suas tendas até Sodoma e passou a conviver com pessoas más e grandes pecadores contra o Senhor” (Gn 13: 12-13). O inimigo tem suas estratégias e planos … ele não nos oferece alguma coisa que nos assuste e nos  afugenta. Ele te oferece coisas que estão dentro das nossas possibilidades e uma vez que ele fincou uma legalidade maligna nas nossas emoções ele começa o trabalho de deformar e corromper cada vez mais nossa percepção e valores de maneira que não percebemos as trocas que fazemos. Ele vai oferecendo pequenas situações onde você fará pequenas escolhas que poderão destruir a sua história. Apanhem as raposinhas porque são elas que devastam o vinhedo. 

Muitas vezes, os resultados das nossas escolhas não são imediatas. Assim como o filho pródigo, podemos passar por um período de falsa paz e alegria, até darmos conta de que estamos muito longe da casa do Pai nos alimentando do resto da comida dos porcos (Lc 15:14-16). E isso deveria ser um grande alarme para nós: porque as escolhas do presente  determinarão o que seremos no futuro.

Você é livre para escolher qual semente irá plantar mas lembre-se você será obrigado a colher o que semeou. Essa é a lei da semeadura que Deus estabeleceu e nenhum de nós consegue escapar: semeamos pensamentos colhemos comportamento; semeamos comportamento e colhemos hábitos, semeamos hábitos e colhemos caráter, semeamos caráter e, então  colheremos o nosso destino.

“De Deus não se zomba porque aquilo que o homem plantar isso também ceifará” Gálatas 6: 7

O fogo e a brisa

setembro 19, 2019 0 comentários

“Disse-lhe Deus: sai e põe-te neste monte perante o Senhor; e um grande e forte vento fendia os montes e despedaçava as penhas diante dele, porém o Senhor não estava no vento. Depois do vento um terremoto, mas o Senhor não estava no terremoto, depois do terremoto um fogo mas o Senhor não estava no fogo ; e , depois um cicio tranquilo e suave. Ouvindo-o Elias envolveu o rosto no manto e, saindo pôs-se à entrada da caverna. Eis que lhe veio uma voz e lhe disse: Que fazes aqui Elias?” I Reis 19: 11 – 13

O profeta Elias vinha de uma grande vitória. É uma daquelas histórias que gostamos de contar para as crianças e a lemos nos deliciando em cada versículo. Elias havia chamado o povo para assistir uma “disputa” de poder entre deuses. De um lado, estava o Senhor Jeová, Deus de Israel e do outro lado Baal representado por 450 profetas. O povo se reuniu para testemunhar qual deles era, de fato o verdadeiro. A prova era simples, cada um dos lados ofereceria um sacrifício ao seu deus e o vencedor seria àquele que fizesse descer fogo do céu como um sinal de resposta e aceitação. Conhecemos a história, de como os 450 profetas de baal ficaram por meio dia clamando e suplicando uma manifestação que não veio. E quando Elias orou a Jeová imediatamente caiu fogo do céu consumindo o holocausto, a lenha, as pedras e a terra.

Eu consigo entender porque essa história nos atrai tanto. Todos nós gostaríamos de ter um dia de Elias, de orar e pedir ao Senhor que de uma maneira poderosa e inequívoca se manifeste, convencendo os incrédulos do seu erro e provando que Deus é real.

Quase me parece inacreditável o que acontece na continuação dessa história. Elias ouviu as ameaças de morte feitas pela rainha Jezabel, teve medo e fugiu para o deserto pedindo para si a morte. E é nesse contexto que temos a passagem que li no início deste pensamento. Escondido em uma caverna, Deus ordena que Elias saia e fique perante o Senhor. Então, veio um vento tão forte que despedaçou a penha mas Deus não estava lá. Depois veio um terremoto mas Deus não estava lá. Quando Elias viu o fogo deve ter pensado “ah! esse é o Deus que eu conheço, o Deus que faz descer fogo do céu … mas…. Deus também não estava lá. Talvez para a surpresa de Elias, Deus se manifestou através de um cicio tranquilo e suave. Deus estava no sussurro da brisa.

Fico pensando nesse exemplo e de como para nós é fácil vermos Deus nas coisas espetaculares mas, muitas vezes, não conseguimos vê-lo na brisa por ser comum demais.É fácil ouvi-lo quando ele se manifesta com a voz de um trovão, mas será que o ouvimos quando ele apenas sussurra mansamente perto do nosso ouvido? Achamos que Deus está apenas presente quando pessoas são curadas ou mortos são ressuscitados. Mas Deus também se revela nas coisas acessíveis da vida: Deus está na brisa suave de uma visita ao enfermo ou na oferta financeira que se dá ao necessitado ou no amigo que dá do seu tempo e consolo ao desanimado. Deus é a voz baixa e suave que santifica o jovem, que restaura o casamento, que inspira os pais na educação dos filhos, que une a igreja no vínculo do amor. Deus é a voz mansa e tranquila no pedido de perdão, no ósculo santo, na prática do bem ou no partir do pão em que anunciamos a morte de Cristo até que Ele venha.

Eu nunca vi fogo cair do céu … e talvez eu nunca o veja. Mas eu já senti o efeito da brisa sobre mim, muitas e muitas vezes. E isso me basta para saber e crer que Deus é real. Que Ele fala, que ele opera e que está presente.

“eis que estou convosco todos os dias, até à consumação dos séculos” Mateus 28:20

 

 

A vitória dos derrotados

abril 26, 2019 0 comentários

“ E sendo acusado pelos principais sacerdotes e pelos anciãos, nada respondeu. Então lhe perguntou Pilatos: não ouves quantas acusações te fazem? Jesus não respondeu nem um palavra, vindo com isto a admirar-se grandemente o governador.” Mt 27:12 – 14

Não sei você, mas sempre tive uma ideia – talvez influenciado por filmes e televisão, mas eu pensava de que uma pessoa com muita sabedoria, conhecimento ou, no caso de um cristão, com discernimento espiritual, jamais poderia perder uma discussão. Ou, melhor, ela teria a capacidade de desconstruir a opinião ou as ideias de qualquer oponente provando para os seus ouvintes que “um homem de Deus” sempre prevalece diante de um embate.

Até que um dia, lendo o livro Ortodoxia de G.K. Chesterton, ele disse uma coisa muito interessante: : ele observou que se uma pessoa sã discute com um louco, é extremamente provável que tal pessoa leve a pior, pois, sob muitos aspectos, a mente do louco não se atrapalha com as coisas que acompanham o bom juízo. Ela não tem compromisso com a verdade ou com o bom senso. De modo que a sua abordagem torna-se impossível de ser rebatida por alguém que usa a sanidade como uma bússola moral.

É difícil expressar como isso me ajudou. Tais palavras entraram iluminando o meu entendimento e me trouxeram uma profunda e verdadeira libertação. Naquele dia, eu entendi que, muitas e muitas vezes ou senão todas as vezes em que um piedoso conversar com um ímpio ele se calará. Isso porque, como servo da luz ele respeitará o próximo. Se recusará a ofendê-lo ou como é comum nas discussões, ele não extrapolará os limites da honra insinuando mentiras, difamações ou calúnias. Por outro lado, o ímpio, que não teme as consequências das suas palavras, abrirá a sua boca propalando arrogâncias, ofensas e ódio.

Posso entender melhor o silêncio do nosso Senhor Jesus quando esteve diante do Sumo Sacerdote, de Herodes e de Pilatos. Ao contrário do que o conceito de persuasão terrena pode julgar o Senhor da Glória, o verbo de Deus, sabia que existem muitas situações que não são resolvidas com palavras. Ao se calar, o Senhor falou muitas coisas. Uma delas é a clara percepção de que as coisas espirituais se discernem espiritualmente e não através da razão humana.

Uma das coisas mais terríveis que pode acontecer conosco é pagarmos mal com mal. Ofensa por ofensa. Calúnia por calúnia. Ameaça por ameaça. Quando isso acontece o mal vence e Satanás alcança o seu propósito de destruir tudo e todos os envolvidos. Acabamos nos nivelando por baixo, usamos as mesmas armas das trevas, desejamos produzir no outro a mesma dor e morte que ele está tentando causar em nós.

Podemos até sair de uma discussão entre aspas com a “alma lavada” por ter falado algumas verdades na cara da pessoa. Imediatamente, começamos a buscar desesperadamente a nossa auto-justificação no esforço de encontrarmos uma absolvição para nossa conduta. O perigo desse processo em nossos corações é que podemos ficar

cada vez mais insensíveis aos outros nos tornando pessoas com uma consciência cauterizada sempre preparados e dispostos a uma boa briga. Como Paulo diz a TIto: nos tornamos odiosos e odiando-nos uns aos outros. Casamentos são destruídos, pais e filhos se afastam, a fraternidade entre os irmãos desaparece isso tudo porque, muitas vezes, não conseguimos ficar calados.

Aparentemente, para os distraídos ou para os de fora, poderá até parecer que você é uma pessoa fraca. Mas isso é muito pequeno comparado com a paz interior que o Espírito Santo produz. Com a sensação de que o mais importante é testemunhar das coisas santas do caráter de Deus.

Precisamos entender que o Reino de Deus não se regula nos mesmos termos que o reino dos homens. Então, no Reino de Deus, o maior é o menor, quem tem autoridade é o que serve, o rico é o que se faz pobre. Quem quer preservar a sua vida , perde e quem decide morrer, vive. Os primeiros serão os últimos e os últimos serão os primeiros.

De maneira, que devemos andar de modo digno nesta terra sob a perspectiva dos valores morais e espirituais do nosso Senhor. Então vamos perceber que muitas vezes nós ganhamos mas perdemos. E, não raro, muitas vezes nós perdemos, mas na verdade, nós ganhamos.

“ porquanto para isto mesmo fostes chamados, pois que também Cristo sofreu em vosso lugar, deixando-vos exemplo para seguirdes os seus passos, o qual não cometeu pecado nem dolo algum se achou em sua boca, pois ele, quando ultrajado não revidava com ultraje, quando maltratado não fazia ameaças, mas entregava-se àquele que julga retamente“ I Pe 2:21 – 23

Inícios

outubro 19, 2010 0 comentários

Rendei graças ao SENHOR, porque ele é bom, e a sua misericórdia dura para sempre. Salmos 107:1

Finalmente chegou o dia muito especial para a minha família. Nosso filho, João, nasceu. Não imaginava que eu poderia amar dessa maneira. A sensação que eu tenho é que uma comporta se abriu dentro de mim de onde tem jorrado um amor incondicional, irrestrito, sacrificial e absolutamente puro para alguém que nunca me deu nada em troca ao não ser sua própria existência. E, por mais que ouvia da experiência dos outros, eu não estava preparado para isto.

Lembrei-me da história de uma família muito pobre que tinham dois filhos gêmeos. O sonho desses meninos era conhecer o mar porém seu pai não tinha condição financeira para levá-los. Mas, um dia, uma oportunidade surgiu. Uma viagem à trabalho para o litoral apareceu e o pai poderia levar um acompanhante. Após conversar com os filhos e explicar a situação, ficou decidido que o felizardo acompanhante seria escolhido na sorte e assim aconteceu. Regressando da viagem logo o irmão que conhecera o mar veio contar sua experiência ao que ficara: – “mano, você não vai acreditar, o mar é a coisa mais bonita que já vi! Trouxe até um pouco dele pra você ver.” Tendo dito isso, o irmão retirou do bolso um vidrinho de remédio com água do mar e, do outro bolso, uma caixinha de fósforo com areia. Então ele disse: “o mar é isso aqui… mas em maior quantidade.” Algum tempo se passou e novamente o pai iria viajar. Dessa vez quem iria o acompanhando era o outro filho que ainda não viajara. Chegou o grande dia. Finalmente ele iria conhecer o mar. Ele tinha uma noção pelas histórias contadas pelo seu irmão e pelas fotos que já havia visto em uma velha revista. Mas agora era diferente. Eles chegaram na praia. Imediatamente ele correu para a areia e começou a subir uma grande duna que o impedia de ver o mar. Até que, no alto daquele duna, sentindo a brisa sobre o rosto, ouvindo o barulho das ondas e olhando para aquele mar que se perde no horizonte ele pôde dizer: “agora eu conheço o mar com os meus próprios olhos.”

Sobre paternidade e amor de pai agora eu posso dizer: “eu vi o mar”. Sei que estou apenas no começo de uma nova e desafiadora jornada, mas após esses 14 dias sei que eu não sou mais a mesma pessoa que eu era antes dessa experiência.

Essa deve ser a parte mais triste de todo início – a exigência que alguma coisa termine. E, nesse novo início da minha vida, necessito reavaliar à luz das Escrituras Sagradas, como o Senhor deseja me conduzir. Deus nos surpreendeu mais uma vez com a sua bondade. Sei que muitas lições, aprendizados, decepções, tristezas, incertezas e medos me acompanharão ao longo dessa estrada. Mas também sei que o “Senhor guarda o peregrino” (Sl 146:9) e Ele há de me conduzir ao meu eterno e inevitável destino.

“(DEUS) Fez cessar a tormenta, e as ondas se acalmaram. Então, se alegraram com a bonança; e, assim, os levou ao desejado porto.” Salmos 107: 29.30

Mula sem cabeça

agosto 23, 2010 0 comentários

“Não podem os olhos dizer à mão: Não precisamos de ti; nem ainda a cabeça, aos pés: Não preciso de vós.” I Coríntios 12:21 

Talvez a eclesiologia (doutrina sobre a igreja) seja um dos assuntos mais frágeis da teologia cristã. Mesmo após a importante reforma proposta pelo movimento protestante, muitos valores espirituais da Igreja como a expressão corporativa de Jesus Cristo ainda permanecem relegados a um segundo plano como se fossem um assunto menor. Tal debilidade na correta compreensão do papel da Igreja tem gerado muitas aberrações tanto no evangelho pregado quanto na vida vivida.

Cada vez mais tenho ouvido um discurso atraente de um cristianismo sem vida de Igreja. A intuição pessoal e o exercício individual da “espiritualidade” é o tema da moda que atrai a muitas pessoas que desiludidas com os outros (nunca consigo mesmas) optam em seguir um caminho solitário: dizem que amam a Jesus mas não amam a Igreja – que é o Seu corpo.

As escrituras usam muitas figuras para nos demonstrar como a relação entre a Igreja e Cristo é impossível de ser separada. Proponho abaixo três figuras usadas por Paulo no livro de Efésios fazendo referencia ao tripé: esperança, fé e amor (I Co 13:13).

Esperança. A Igreja é como uma noiva que espera a chegada do amado noivo para as bodas de casamento. O Senhor Jesus “amou a igreja, e a si mesmo se entregou por ela, para que a santificasse, para a apresentar a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga nem cousa semelhante, porém santa e sem defeito. (5:25-27)” Como será possível não amarmos a quem o nosso noivo ama tanto? Não despreze a noiva de Cristo; ela é a sua amada e Ele está trabalhando para desposá-la.

. A Igreja também é a casa de Deus (3:19-21) sendo que o Senhor Jesus é o alicerce da casa. Ninguém lança os alicerces em um terreno se não for para construir algo em cima dele. Uma casa além de proteger aos que estão dentro também serve de testemunho para os de fora. Quando as “pedras vivas” (I Pe 2:5)obedecem pela fé a doutrina dos apóstolos então um testemunho se ergue para o mundo aonde Cristo Jesus é o único alicerce: “a qual a casa somos nós, se guardamos firme até ao fim a ousadia e a exultação da esperança” (Hb 3:6).

Amor. Somos também um corpo aonde Cristo é a Cabeça (5:23). É através do Corpo que os membros demonstram amor mútuo cuidando e alimentando uns aos outros reciprocamente. Através da obediência a Cristo como o Cabeça, somos conduzidos, por Ele, na árdua tarefa de suportarmos e protegermos aos outros membros. “Porque ninguém jamais odiou a sua própria carne, antes a alimenta e dela cuida, como também Cristo o faz com a igreja; porque somos membros do seu corpo” (5:29 – 30).

É impossível separar Cristo da Igreja. Quando buscamos caminhos alternativos para a nossa peregrinação naufragaremos tanto na fé como na esperança e no amor. Porque esses elementos, necessariamente, florescem e são renovados no estreito e árido caminho da comunhão dos santos. Não existe um noivo sem uma noiva. Ninguém lança um alicerce para não construir nada em cima. Não existe uma cabeça flutuando por aí sem um corpo. Não existe cristianismo sem Igreja: “aquele que não ama a seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê” (I Jo 4:20).

Escrevendo esse pensamento me lembrei de uma personagem do folclore brasileiro: a “Mula sem Cabeça” um animal que ao invés de ter uma cabeça tem uma chama de fogo que sai do seu pescoço. Achei engraçado ter lembrado disso porque Davi nos adverte para não sermos sem entendimento como uma mula: “Não sejais como o cavalo ou a mula, sem entendimento, os quais com freios e cabrestos são dominados; de outra sorte não te obedecem” (Sl 32:9). Acredito que existem muitas “mulas” por aí que – por terem uma mente carnal deixaram de reter o cabeça (Cl 2:19) e, ficam cuspindo fogo de um lado pro outro assustando e perturbando todos ao seu redor. São mulas porque não aprendem. São sem cabeça porque não se submetem à Igreja – que é o Corpo de Cristo.

Pensando melhor. Não há nada de engraçado nisso.

“ Não deixemos de congregar-nos como é costume de alguns; antes, façamos admoestações, e tanto mais quanto vedes que o dia se aproxima.” (Hebreus 10:25)

Adivinhações

julho 19, 2010 0 comentários

“Não deis ouvidos aos vossos profetas, e aos vossos adivinhos, aos vossos sonhadores, aos vossos agoureiros e aos vossos encantadores (…) porque eles vos profetizam mentiras.” Jeremias 27:9,10

Durante essa última copa do mundo surgiu uma personagem interessante: Paul – o polvo. Começou como uma brincadeira em um aquário na Alemanha. Antes dos jogos, colocavam perante o polvo duas caixas com mexilhões: uma caixa tinha a bandeira alemã e na outra caixa tinha a bandeira da seleção adversária. A caixa escolhida pelo polvo era interpretada como uma previsão do vencedor do confronto. Incrivelmente o polvo “acertou” – pelo menos foi o que nos foi falado pela mídia – todos os oito resultados em que foi chamado para dar o seu “palpite.” Paul tornou-se o maior ícone da copa sendo o astro mais comentado e mencionado em todos os noticiários do mundo.

Saber o que acontecerá no futuro é um dos grandes desejos do homem. Saber o que sucederá conosco antes de virarmos a esquina seria a resposta para as nossas inquietações, temores e ansiedades. Desde que o mundo é mundo muitas pessoas se dizem capacitadas por “forças superiores” para enxergarem o futuro. As fontes de consulta são inúmeras: mortos, estrelas, natureza, feitiços, espíritos, magias, tarô – até com a borra de café no fundo de uma xícara tentam enxergar o futuro. Mas como uma criatura presa ao tempo, por mais poderosa ou inteligente que seja, pode afirmar que as coisas que ainda não sucederam acontecerão?

Apenas uma única pessoa pode fazer isso. E essa pessoa é a quem chamamos de DEUS. O criador de todas as coisas, inclusive do tempo. Diante dos Seus olhos não existe o passado, nem o presente nem o futuro. Se Deus estivesse preso ou submisso ao tempo então o Senhor Soberano sobre tudo seria o tempo e não Deus.

Bem, se cremos que existe uma mente que governa absolutamente todas as coisas chegamos a um impasse. Como saberemos, diante de tantos “deuses” que existem qual é o verdadeiro e único Deus, O Supremo? A resposta é fácil: vamos analisar quais deles afirmam sobre o futuro – porque apenas DEUS tem o poder e o controle sobre todas as coisas. Qualquer pessoa sincera, desejosa de conhecer qual é a verdade, após estudar as propostas de cada religião existente nessa terra terá que se render diante de JEOVÁ – Ele é o verdadeiro DEUS: “Assim diz o Senhor, Rei de Israel, seu redentor, o Senhor dos exércitos: Eu sou o primeiro e eu sou o último,e além de mim não há Deus. Quem há como eu, feito predições desde que estabeleci o mais antigo povo? Que o declare e o exponha perante de mim! Esse que anuncie as cousas futuras, as cousas que hão de vir!” (Is 44:6,7) Apenas aquele que é o “primeiro e o último” pode fazer tamanha asseveração. E Deus tem predito várias vezes ao longo das eras: “Eis que as primeiras predições já se cumpriram e novas cousas eu vos anuncio; e, antes que sucedam, eu vo-las farei ouvir” (Is 42:9). Estudando um pouco sobre as outras religiões e outros “deuses” fica-se evidenciado que eles não podem prever o futuro. A Bíblia é um livro absolutamente sensacional que nos oferece centenas de provas da legitimidade de Deus através do cumprimento de centenas de profecias cumpridas no passado e que, até hoje, estão se cumprindo.

Quando Deus proíbe ao seu povo de consultar adivinhos Ele não O faz por medo da “concorrência”. A proibição é a indicação máxima da nulidade de buscar em qualquer coisa que não seja Nele mesmo as respostas para o nosso futuro. Consultar agoureiros e adivinhos é tão estúpido quanto pensar que um molusco de aquário possa predizer as coisas que ainda não aconteceram.

Pense a respeito. Se Deus tem dado tantas provas do seu poder ao longo das eras cumprindo cada uma de suas santas predições será que, justamente agora, no final dos tempos, Ele deixará de executar o que já nos revelou que fará com este condenado planeta? A resposta para essa pergunta tenho certeza que você é capaz de adivinhar.

“Lembrai-vos disto, e tende ânimo; tomai-o a sério, ó prevaricadores. Lembrai-vos das cousas passadas da antiguidade; que eu sou Deus e não há outro, eu sou Deus, e não há outro semelhante a mim; que desde o principio anuncio o que há de acontecer, e desde a antiguidade as cousas que ainda não sucederam; que digo: O meu conselho permanecerá de pé, farei toda a minha vontade.” Isaias 46:8,9

Áreas de risco

abril 14, 2010 0 comentários

“Porque ninguém pode lançar outro fundamento, além do que foi posto, o qual é Jesus Cristo.” I Coríntios 3:11 

Nesta última semana acompanhamos a tragédia ocorrida em Niterói. Após muita chuva uma parte de um morro deslizou soterrando mais de 50 casas e causando a morte de quase 150 pessoas. Depois da tragédia tenta-se encontrar os culpados… A prefeitura alega que a população foi inconseqüente ao ocupar uma área sem nenhum planejamento habitacional. Durante 16 anos (1970 a 1986) tal área foi usada como um depósito sanitário. A cor preta da terra que deslizou é resultado da decomposição do lixo. Após o saturamento do local, a prefeitura transformou o “lixão” em um grande aterro. E, apesar da ilegalidade, algumas famílias passaram a construir suas casas sobre a região transformando-a em um lugar “habitável”. Por outro lado, a população carente culpa o estado por não prover locais seguros e, mesmo sabendo dos perigos, eles preferiram morar assentados sobre o perigo à morarem debaixo de uma ponte correndo outros tipos de perigos. Acontece que o tempo passa e todos os lados se acomodam. Outras prefeituras investiram na região, asfaltaram o acesso e fizeram obras de saneamento público. Novas gerações vieram e construíram casas melhores e maiores. Talvez os mais novos nem conheciam a origem do “Morro do Bumba”. Não sabiam que estavam levantando suas vidas sob uma área de risco.

Interessante perceber que o agente que desencadeou toda essa tragédia foi as fortes chuvas. Porém não vi manifestações, passeatas ou protestos contras as chuvas ou contra “são pedro”. Tais situações são inevitáveis e fazem parte de uma sentença maior que sobrevêm sobre esse planeta. “porque Deus faz nascer o seu sol sobre maus e bons e vir chuvas sobre justos e injustos” (MT 5: 45). A chuva pode ter sido o agente mas não a culpada. Milhões de outros habitantes da cidade também passaram pela mesma situação sem sofrerem qualquer dano porque estavam protegidos por uma construção segura.

Como mencionei no post “Como nos dias de Noé” em breve o juízo de Deus sobrevirá sobre todos os habitantes desta terra – sem exceção. Ninguém escapará d’Aquele que tem “olhos como chama de fogo e que sonda mente e coração”. “Assim, pois, cada um de nós dará contas de si mesmo a Deus” (Rm14:12). Naquele dia todas as coisas serão abaladas e apenas o que é inabalável permanecerá em pé (Hb 12: 25 – 29). Absolutamente tudo que não foi construído sob o correto fundamento, o qual é Jesus Cristo, desmoronará.

Nos meus momentos de lucidez tento entender a minha obstinação em insistir no caminho do engano e da mentira. Talvez olhando ao redor eu pense, assim como tantos outros, que tudo está como deveria estar. A casa é confortável: muitos quartos, limpa, mobiliada e cheirosa – porém foi construída sob outros fundamentos e tudo acabará por terra. Fico perplexo quanto a isto. Não sei o que responder… por que sou tão incrédulo em realmente crer de todo o meu coração, mente, alma e vontade à Palavra de Deus? Por que a minha vida não mergulha, pela fé, profundamente nas coisas celestiais? Gostaria muito de, um dia, poder dizer como o testemunho que li do famoso pregador Jonathan Edwards, ele disse: “jamais pude dar um relato de como ou por qual meio fui convencido, e nem de longe imaginar, nem na época nem muito tempo depois, que houve uma influência extraordinária do Espírito de Deus; eu simplesmente passei a enxergar mais longe, e minha razão aprendeu a justiça e a lógica da doutrina de Deus. Minha mente descansou nela; e dei fim a todas as contestações e objeções.”

Discernir hoje se estou construindo a minha vida no firme fundamento ou em uma área de risco fará toda a diferença no dia em que cair a chuva. Estar protegido e seguro em Cristo será bem melhor do que, um dia ao despertar, perceber que estou soterrado nas ruínas cheio de lixo ao meu redor.

“Todo aquele que ouve estas minhas palavras e não as pratica será comparado a um homem insensato que edificou a sua casa sobre a areia. E caiu a chuva, transbordaram os rios, sopraram os ventos e deram de ímpeto contra aquela casa, e ela desabou, sendo grande a sua ruína.” Mateus 7:26-27

A corrida

agosto 7, 2006 0 comentários

“Desembaraçando-nos de todo peso e do pecado que tenazmente nos assedia, corramos com perseverança a carreira que nos está proposta, olhando firmemente para o Autor e consumador da fé, Jesus.” Hebreus 12:1

Sempre gostei muito de praticar esportes. As minhas maiores disputas esportivas foram durante a minha adolescência nas olimpíadas colegiais. Vitórias inesquecíveis e derrotas vergonhosas me acompanharam ao longo desse tempo. Lembro-me de uma corrida que participei no campo de futebol do colégio. Era uma corrida de revezamento. Tínhamos que dar quatro voltas em torno do campo sendo que cada volta seria dada por um corredor. O “campão” estava cheio, todos os “primeiros anos” do colégio estavam lá presentes para assistirem a competição. Entramos na corrida sem muita expectativa, mas incrivelmente nos saiamos muito bem. Eu era o terceiro a correr pela nossa equipe e, quando recebi o bastão, já estávamos em primeiro lugar. Quando entreguei o bastão para o meu colega (que seria o último) estávamos com quase meia volta de vantagem. Só perderíamos se acontecesse uma catástrofe, e aconteceu. Na penúltima curva do campão, meu colega escorregou e caiu. Devido a grande vantagem, daria tempo de se levantar e ainda ganhar a corrida. Mas ele não o fez. Ficou sentado no chão com um risinho sem graça na cara pela vergonha que estava passando. Ficamos em último lugar, pior ainda, não chegamos a completar a corrida.

A Bíblia também usa a corrida como uma figura da peregrinação cristã sobre esta terra: o atleta precisa ser diligente na sua preparação (I Co 9:25); o atleta deverá pagar um preço para conseguir alcançar a meta (I Co 9: 26-27) o atleta receberá o prêmio ao chegar ao fim da corrida ( I Co 9:24) se, porém, respeitar as regras estipuladas (IITm 2:5). O escritor de Hebreus cita alguns pontos que podem atrapalhar o peregrino corredor terminar a carreira que está adiante. O pecado sem dúvida é um grande empecilho, ele nos faz errar o alvo e acabamos saindo da pista para corrermos em outras direções. O peso que o escritor menciona pode ser coisas legitimas que recusamos abandonar. Pode um atleta correr tranqüilo carregando uma televisão? Ou uma mala cheia de dinheiro? O conselho bíblico é muito claro: deixe para trás tudo aquilo que é peso e que dificulta na corrida, não carregue consigo. No final, não fará falta.
Porém, existe um terceiro ponto que o escritor de Hebreus apresenta que é ainda mais preocupante: a falta de perseverança. “nós somos a casa de Deus, se guardamos firme até ao fim a ousadia e a exultação da esperança”(3:6). Em outra passagem: “Porque nos temos tornado participantes de Cristo, se de fato guardarmos firme até ao fim a confiança que desde o principio tivemos” (3:14). E ainda: “Desejamos, porém, continue cada um de vós mostrando até ao fim a mesma diligência para a plena certeza da esperança para que não vos torneis indolentes, mas imitadores daqueles que, pela fé e pela longanimidade, herdam as promessas” (6:11-12). O apelo divino é para não pararmos no meio da corrida, mas que prossigamos até ao fim.
Fico pensando na lista dos chamados “heróis da fé” no capítulo 11 de Hebreus. Por que esses nomes estão lá? Nessa lista, é mencionada a respeito de Raabe, a prostituta. Gideão, que após fazer uma estola sacerdotal fez o povo prostituir-se. Baraque, que devido a sua covardia, perdeu a honra da vitória que foi passada a uma mulher. Sansão, de grande força física, porém de um fraquíssimo caráter. Davi, que após adulterar, matou o marido da amante para tentar ocultar o seu pecado. Porém todos eles não pararam, eles completaram a corrida. Apesar dos tropeços, eles continuaram até ao fim. E hoje, são exemplos para nós.
No colégio, fiquei frustrado com a nossa derrota. Tínhamos tudo para ganhar o prêmio naquela manhã e não ganhamos. Culpamos o nosso colega pela nossa derrota. Mas quanto a minha corrida rumo à Deus? Se eu parar ou desistir, a quem culparei? Mesmo tropeçando e caindo sei que não posso desistir “Sete vezes cairá o justo e se levantará” Pv 24:16. Não posso olhar para os meus pecados ou para qualquer homem senão não prosseguirei. Olharei firmemente para o autor e consumador da minha fé, Jesus. Porque sei que Ele está sempre pronto para me receber . Porque sei que Ele é o caminho a verdade e a vida. Porque sei que, quando encontrá-lo face a face, terei completado a minha carreira.
“Porque ainda dentro de pouco tempo aquele que vem virá, e não tardará; todavia o meu justo viverá pela fé, e: se retroceder, nele não se compraz a minha alma.” Hebreus 10:37-38

Nosso Pai também é Deus

maio 29, 2006 0 comentários
 Ainda bem criança, meu pai resolveu me levar ao shopping para escolher um presente de aniversário. Parecia um sonho. Entrar em uma loja enorme e, ali, no meio de vários corredores cheios de brinquedos eu poderia escolher qualquer coisa. Quando entramos na loja, bati o olho e achei o presente que eu queria: um jipe movido a pilha do Esquadrão Classe A (seriado americano que eu era fã). “É esse pai, achei o meu presente”. Lembro do meu pai dizendo: “Filho, você nem entrou na loja direito, dê uma olhada melhor. Quem sabe você não encontra outro brinquedo melhor.” Apesar das considerações feitas, o brinquedo já estava escolhido. Fui impulsivo, imediatista e egoísta. Agi exatamente como o que eu era; uma criança.

A bíblia nos ensina que quando nos arrependemos e voltamos à Deus, nascemos de novo. “Ele vos deu vida, estando vós mortos em vossos delitos e pecados” (Efésios 2:1). A partir daí iniciamos um processo de crescimento espiritual até chegarmos à medida da estatura da plenitude de Cristo (Efésios 4:13). Não podemos exigir de uma criança a maturidade de um adulto. Existem importantes experiências que são vivenciadas nesse período inicial de relacionamento com o nosso Pai Celeste e fazem parte do processo de crescimento.

O que é lamentável é quando nos tornamos lentos em nosso crescimento espiritual. Os Hebreus que já deveriam ser mestres estavam necessitados de leite (Hb 5:12) e os Coríntios não podiam suportar alimento sólido (eram crianças em Cristo) porque ainda eram carnais (I Co 3:1-2). A carnalidade e a inexperiência que deveriam ser características da meninice teimam em permanecer na vida de cristãos que estão caminhando há anos. Tornam-se subnutridos. Pela idade deveriam ser adultos, porém agem como meninos: são egoístas em seus propósitos, imediatistas quanto as suas orações e impulsivos para satisfazerem seus desejos carnais.

O Rei Salomão passou pela experiência de ouvir Deus dizer: “Pede-me o que queres que eu te dê” (I Rs 3:5). Diante de tantos brinquedinhos para entreter a sua alma, Salomão fez a escolha certa. Tirou os olhos dos presentes e olhou para o doador. Ele reconheceu diante do Senhor: “Não passo de uma criança, não sei como conduzir-me” (I Rs 3:7). Ao reconhecer a sua imaturidade, Salomão estava amadurecendo. Ao confessar sua pequenez, ele estava crescendo.

O cristianismo moderno converteu o Deus Pai em um gênio da lâmpada. Alguém que existe apenas para ouvir pedidos e atendê-los. O cristianismo tirou Cristo do centro para colocar o homem. Assim como uma criança mimada, a Igreja não se importa com os interesses do Pai Celestial. Ela está muito entretida com seus pensamentos infantis para perceber que existe um propósito muito mais elevado. O que faremos peregrinos? Iremos preferir ocupar o nosso tempo pedindo brinquedinhos inúteis para satisfazer nosso egoísmo ou iremos buscar o nosso crescimento espiritual mesmo que nos custe renúncia, consagração e esforço?

Deus nunca apareceu pessoalmente para mim como fez a Salomão. Mas sei que Deus me procura todos os dias. Sei que ele inclina os seus ouvidos para escutar os meus pedidos desejando ouvir os anseios do meu coração. Deus deseja me dar muito mais que carrinhos. Ele quer me dar alimento sólido, quer esclarecer minha mente para tornar-me um filho maduro, capaz de ajudar aos meus irmãos. Ele deseja confiar-me seu poder para representar seus interesses dignamente sobre a terra. Ele quer contar comigo para combater as suas batalhas e expor à vergonha todos os seus inimigos.

Ao crescermos, o nosso Pai Celeste não deixará de ser o nosso Pai. Ele continuará cuidando de nós com todo amor paternal. Ele continuará nos enchendo com um monte de presentes. Ao crescermos, conheceremos também o nosso Pai Celeste como o nosso Deus Altíssimo – aquele a quem adoraremos e serviremos para todo o sempre. Esse relacionamento encherá nosso coração de alegria e sentindo. Mas, principalmente, alegrará o coração do nosso Deus e Pai.

Tenho certeza de que Ele merece essa alegria.

“Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, pensava como menino; quando cheguei a ser homem, desisti das cousas de menino. Porque agora vemos como em espelho, obscuramente, então veremos face a face; agora conheço em parte, então conhecerei como também sou conhecido.” I Coríntios 13:11-12

Combustível

maio 18, 2006 0 comentários

Pela primeira vez em quase 10 anos de carteira de motorista cometi um erro bobo – deixei acabar a gasolina do carro. A luz amarela indicando a falta de combustível estava acessa fazia dois dias. Tentei chegar ao posto onde costumo abastecer, mas não deu. O carro começou a engasgar e a perder força até parar completamente dois quarteirões adiante. Já voltando pra casa não pude deixar de pensar no que ocorrera. O carro estava ótimo: pneus novos, freio, motor, câmbio, correias e tudo o que era necessário para que ele funcionasse perfeitamente, estava tudo OK. Tanto é verdade que quando coloquei 5 litros de gasolina no tanque o carro voltou a andar como se nada tivesse acontecido. Eu havia ignorado uma lei básica: sem combustível nenhum carro anda.

Da mesma forma, existe uma lei espiritual estabelecida pelo Senhor Jesus: “Sem mim nada podeis fazer” (Jo 15:5). Tento imaginar o impacto dessa afirmação ao longo da história da humanidade. Os céticos poderão interpretar essa frase como uma bravata do Senhor; uma tentativa de criar dependência emocional nos seus pobres discípulos. Os auto-suficientes falarão que o Senhor exagerou um pouquinho no discurso em algum momento de empolgação. Os filósofos ressaltarão a eloqüente retórica do Mestre sem, contudo, se importarem com a seriedade do que foi dito. E, finalmente, penso nos fracos, naqueles que já falharam tanto que sabem que nada podem fazer por eles mesmos. Eles receberão essas palavras como um profundo consolo para suas almas.

Gostaria muito de me enquadrar no grupo dos fracos, porém, reconheço que, muitas vezes, resisto a essa afirmação e procuro achar forças em mim mesmo. Tento provar para mim e para os outros que tenho valor e que sou capaz. Esforço-me até “o carro começar a engasgar” até o momento em que o Espírito Santo acende a luz amarela em mim e me convence que sem Cristo nenhum fruto poderei produzir. “Porque nem mesmo compreendo o meu próprio modo de agir, pois não faço o que prefiro e sim, o que detesto ” (Rm 7:15). Por que tento viver com as minhas forças, se aquele em quem tudo subsiste me oferece a força dele? Por que me afasto de quem todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento estão ocultos para aconselhar-me com a minha própria alma? Porque insisto em ter vida longe do autor da vida?

Quando a minha vida cristã está “engasgando” é fácil diagnosticar o problema. Está faltando o combustível do cristão: a vida de Cristo. Posso ter todo o “equipamento” necessário para dar frutos: inteligência, conhecimento, saúde, diligência, vontade, etc. Mas sem a vida de Cristo, nada de útil será produzido. Somente a vida de Cristo permitirá que meus talentos, dons, capacidades naturais, emoções e pensamentos trabalhem harmoniosamente com a vontade de Deus. Nego todo esse conhecimento teórico quando fujo da presença de Deus, quando paro de orar ou quando desobedeço aos seus mandamentos deliberadamente. Não tem jeito. Não farei nada de valor eterno se não permitir que a vida de Cristo se torne o combustível das minhas ações.

O Apóstolo Paulo faz uma afirmação que completa o pensamento do nosso Senhor: “Tudo posso naquele que em fortalece” (Fp 4:13). Aqui o Espírito Santo nos leva a meditar na mesma situação vista de uma outra perspectiva. Sem Cristo nada posso fazer, porém, em Cristo, tudo posso. Sem Cristo experimento fraqueza, em Cristo fortalecimento. É o milagre da obra divina transformando o que é inútil em um utensílio para honra, preparado para toda boa obra (II Tm 2:21). É o homem voltando a ser como foi idealizado.

Oro ao Senhor para que Ele tenha misericórdia de mim. Que meu coração não seja seduzido pelo meu orgulho próprio, ao contrário, com muita alegria quero depender do meu Senhor. Quero proclamar a esse mundo que já não sou quem vive, mas Cristo vive em mim; e esse viver que agora tenho na carne, vivo pela fé no filho de Deus que me amou e a si mesmo se entregou por mim (Gl 2:20).

Espero ter aprendido a lição. Quando a luz amarela acender que eu possa ser humilde o suficiente para reconhecer o meu estado e, sem demora, voltar-me para Ele para ser abastecido com Sua vida. Pensando bem, oro pra que a luz amarela nunca mais se acenda.

“Então o reino dos céus será semelhante a dez virgens que, tomando as suas lâmpadas, saíram a encontrar-se com o noivo (…) À meia noite, ouviu-se um grito: Eis o noivo! Saí ao seu encontro. Então se levantaram todas aquelas virgens e prepararam as suas lâmpadas. E as néscias disseram: Dai-nos do vosso azeite, porque as nossas lâmpadas estão se apagando.” Mateus 25:1,6-8