Tag Archives

comunhão

Prontos para ouvir

maio 30, 2019 0 comentários

“Todo homem, seja pronto para ouvir e tardio para falar” Tiago 1: 19

Vivemos a era digital. Nossas interações estão cada vez mais sendo pautadas pelas redes
sociais e mensagens via WhatsApp. Paramos de olhar no olho do outro e de investir tempo
de qualidade nos nossos diálogos. Somos apressados no falar. Apenas nossa opinião e
sentimentos importam. Temos invertido a orientação bíblica. Somos prontos para falar e
tardios para ouvir. Com isso nossos relacionamentos estão se tornando cada vez mais
superficiais e individualistas.

Precisamos voltar a considerar o conselho bíblico: não importa se você é pai, mãe, pastor,
presidente, diretor … todo homem deve estar pronto para ouvir. Agora, é preciso esclarecer; ouvir é muito mais do que escutar é criar conexão emocional com o próximo. Para que isso aconteça eu gostaria de te dar algumas sugestões:

Quando estiver conversando com alguém, transforme essa pessoa no centro da sua atenção. Ela deve ser a única coisa que importa para você naquele momento. Faça todo o esforço de entender a situação na perspectiva dela. Sinta o que ela está sentindo. Não a interrompa. Ultrapasse as palavras, ouça o seu coração e a sua alma esforce-se para perceber o que ela está tentando transmitir. Não se apresse em opinar, repreender ou orientar. Você nunca compreenderá a outra pessoa se a sua interação for apenas na superfície … transitando apenas no nivel das palavras. Lembre-se que algumas coisas têm sentidos diferentes para as pessoas. Então ouça com muita sensibilidade. Procure entender como a outra pessoa está se sentindo e não como você se sente por causa do problema dela. Não a escute dentro do seu próprio marco de referência, filtrando o que te interessa pelo filtro dos seus próprios sentimentos. Não suponha, não deduza. Se tiver dúvida, pergunte. Descubra o que ela realmente está querendo dizer, qual é o motivo e o sentimento que a levam sentir-se dessa maneira. Não tente ver os problemas do outro pelo filtro que você enxerga os seus. Mas tente enxergar pelo filtro que a outra pessoa está vendo. Dê a oportunidade da pessoa se esvaziar e falar desimpedidamente.

Você se lembra da experiência de Jó? o Senhor Deus aguarda Jó e seus amigos falarem tudo o que queriam. E apenas depois que a Bíblia diz: “fim das palavras de Jó“ é que o Senhor fala e faz suas considerações. O Senhor Deus como um bom ouvinte, esperou Jó se esvaziar e expor tudo o que estava sentindo para só então preencher o seu coração quebrantado com palavras transformadoras.

O nosso desafio é enorme. Porque fazemos parte de uma geração que perdeu a habilidade de ouvir empaticamente. Escutamos mas não ouvimos. Entendemos mas não discernimos. Ficamos impacientes porque ouvir ao outro parece ser uma perda de nosso precioso tempo. E manifestamos nosso desinteresse através da pressa em estabelecer e falar o nosso pensamento. O nosso egoísmo emocional nos impede de chorar com os que choram e de se alegrar com os que se alegram. Não é de se estranhar que, geralmente, o nosso falar se torna em um discurso vazio. E, não raro, destruímos ao invés de edificar.

Ser pronto para ouvir é, com o máximo de diligência e compaixão possível, se identificar com as limitações, dores, pecados e tristezas do próximo. E quando conseguimos criar essa verdadeira conexão no diálogo … então, finalmente, estaremos prontos para falar, esperando e dependendo que, ao abrirmos a boca seremos apenas um instrumento do próprio Espírito Santo de maneira que venhamos abençoar , de verdade , uma outra pessoa.

“Como maçãs de ouro em salvas de prata assim é a palavra dita a seu tempo” Pv 25:11

 

Uns aos outros

dezembro 12, 2017 0 comentários

“Sabe porém isto: nos últimos dias sobrevirão tempos difíceis pois os homens serão egoístas, avarentos, jactanciosos, arrogantes, blasfemadores, desobedientes aos pais, ingratos, irreverentes, desafeiçoados, implacáveis, caluniadores, sem domínio de si, cruéis, inimigos do bem, traidores, atrevidos, enfatuados, antes amigos dos prazeres que amigos de Deus” II Timóteo 3:1-4

O Senhor Deus já nos advertiu através da sua palavra profética de como os homens seriam nos últimos dias. O que talvez a gente não perceba é que não se é falado de apenas alguns homens ou de como os incrédulos seriam. Mas, se é dito, que a raça humana seria moldada por essas anomalias malignas que transformariam a cultura e a mentalidade do gênero humano. Perdoe-me quem quer que seja que esteja lendo esse texto, mas essa lista diz respeito a você e a mim. Apenas o Senhor Deus, através da vida de Cristo, pelo poder do Espírito Santo pode resgatar o ser humano do atual estado que se encontra.

Engana-se o desavisado que pensa que Deus não preparou provisão para nos tratar profundamente para que não venhamos ser amoldados pelo formato desse mundo. Deus sabe que precisamos sofrer uma profunda e completa transformação, não só de vida mas de também de caráter. E essa transformação passa, necessariamente e invariavelmente, pela vida comunitária do corpo de Cristo – a Igreja.

O Senhor Jesus não nos salvou para sermos desconectados, isolados ou distantes dos outros peregrinos também redimidos pelo seu sangue. Por isso que expressões como: “mutuamente”, “uns aos outros” ou “uns para com os outros” aparecem continuamente em todo o ensinamento apostólico. Para cada atributo que se levanta como característica da raça humana podemos perceber uma contra-posição sugerida pelo Senhor para combatermos essas ameaças:

Se o mundo quer que pensemos apenas em nossos próprios interesses (egoístas) a palavra de Deus nos convida a abrirmos nossa casa, tempo e comodidade e sermos hospitaleiros “sede mutuamente hospitaleiros”(I pe 4:9).

Se o mundo quer que sirvamos cada vez mais as riquezas (avareza) a palavra de Deus nos conclama a compartilharmos as necessidades dos santos (Rm 12:13) cooperando com o sustento uns dos outros “cooperem os membros, com igual cuidado, em favor uns dos outros”(I co 12:25).

Contra a jactância a bíblia diz: “acolhei-vos uns aos outros”(Rm 15:7)

Contra a arrogância e o orgulho diz: “cingi-vos de humildade no trato de uns para com os outros”(I pe 5:5)

Contra a blasfêmia diz: “sede uns para com os outros compassivos ”(Ef 4:32)

Os desobedientes necessitam de correção: “estejais aptos para admoestardes uns aos outros”(Rm 15:14)

Aos invés de sermos ingratos devemos aprender a honrar:“preferindo-vos em honra uns aos outros”(Rm 12:10)

Àqueles que não possuem respeito (irreverentes): sujeição. “Sujeitando-vos uns aos outros no temor de Cristo”(Ef 5:21)

Aos desafeiçoados, exortação: “exortai-vos mutuamente”(Hb 3:13)

Aos que não conseguem perdoar (implacáveis): “perdoando-vos uns aos outros”(Ef 4:32)

Aos mentirosos e caluniadores: “fale cada um a verdade com o seu próximo porque somos membros uns dos outros”(Ef 4:25)

Àqueles que não controlam seus impulsos (sem domínio de si): “suportai-vos uns aos outros” (Cl 3:13)

Aos cruéis: “levai as cargas uns dos outros”(Gl 6:2)

Aos inimigos do bem: “sede uns para com os outros benignos” (Ef 4:32)

Aos traidores a bíblia ensina consideração: “tendo o mesmo sentimento uns para com os outros ”(Rm 12:16)

Aos invés de sermos atrevidos sermos edificadores: “consolai-vos uns aos outros edificai-vos reciprocamente”(I Ts 5:11)

Ao invés de estarmos satisfeitos com o nosso conhecimento (enfatuados) temos que desejar receber mais instrução: “instruí-vos e aconselhai-vos mutuamente”(Cl 3:16)

Para os amigos dos prazeres arrependimento e confissão: uma vida de transparência entre os irmãos “confessai os vossos pecados uns aos outros e orai uns pelos outros, para serdes curados” (Tg 5:16)

Uma vida cheia dos “uns aos outros” trará muito desconforto à nossa alma porque não é natural para nós palavras como: perdão, humildade, dar a nossa honra a outro. Tudo isso vai em direção contrária ao espírito que move esse mundo. E haverá uma luta constante e terrível dentro de nós. Qualquer comunidade cristã que aceita a superficialidade dos relacionamentos poderá gozar até de crescimento numérico e de uma aparente sensação de bem-estar. Porém, é na profundidade da experiência dos “uns aos outros” que seremos transformados, disciplinados, humilhados e santificados. Repensemos nossa consagração e envolvimento “uns com os outros”. Esse é o caminho estreito e apertado utilizado pelo Espírito Santo para que não venhamos a andar segundo a nossa própria vaidade.

Propositadamente deixei por último o mais conhecido mandamento do “uns aos outros” – o amor. Eu pessoalmente não concordo com a clássica definição que o “ide” de Mateus 28 é a grande comissão do Senhor Jesus. Porque “ainda que entregue meu próprio corpo para ser queimado, se não tiver amor, nada disso me aproveitará” (I Co 13:3). Evangelismo, profecia, ensino, pastoreio ou qualquer outra coisa que fizermos necessita ser feito em amor para com o próximo.

Segue abaixo o que eu considero ser a grande comissão deixada pelo nosso Senhor e, pelo qual, tudo o mais encontra sentido.

“Novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros; assim como eu vos amei, que também vos ameis uns aos outros. Nisto conhecerão que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns aos outros.”João 13:34

“O meu mandamento é este, que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei.”João 15:12

“isto vos mando, que vos ameis uns aos outros” João 5:17

“ No tocante ao amor fraternal não há necessidade de que eu vos escreva, porquanto vós mesmos já estais por Deus instruídos que deveis amar-vos uns aos outros. ”I Tessalonicenses 4:9 

“ amai-vos de coração uns aos outros ardentemente ”I Pedro 1:22

“acima de tudo, porém, tende amor intenso uns para com os outros.”I Pedro 4:8

“a mensagem que ouvistes desde o principio é esta, que vos ameis uns aos outros ”I João 3:11

Um só pão

dezembro 1, 2012 0 comentários

“O solitário busca o próprio interesse, e insurge-se contra a verdadeira sabedoria.” Provérbios 18:1

“Deus faz que o solitário more em família.” Salmos 68:6

A solidão é uma das coisas que mais aflige o coração humano. A sensação de que a nossa vida está andando na direção contrária do mundo produz em nós insegurança e desânimo. Por outro lado, quando encontramos outras pessoas que compartilham dos mesmos idéias e pensamentos e nos encorajam a prosseguir, ficamos mais fortes do que de fato somos e avançamos. Falo isto porque neste último final de semana tive a oportunidade de conhecer e re-encontrar irmãos de outras cidades. Pude escutar experiências de perseguições, lutas, sofrimentos e vitórias. Mais uma vez percebi que não estou sozinho nesta jornada rumo à pátria celestial.

Dentro deste contexto, lembrei-me de Elias, poderoso profeta de Deus, que após uma incrível experiência no monte Carmelo (I Rs 18) aonde fez cair fogo do céu entrou em uma profunda crise e desânimo. Deus então o leva a um outro monte, Horebe, o monte de Deus (I Rs19:8). A desesperança de Elias talvez seja justificada pela sua solidão: “porque os filhos de Israel deixaram a tua aliança, derribaram os teus altares, e mataram os teus profetas à espada; e eu fiquei só”( I Rs 19:14) porém Deus, que conhece todas as coisas, corrige o pensamento de Elias e o encoraja: “conservei em Israel sete mil: todos os joelhos que não se dobraram a Baal e toda boca que o não beijou” (I Rs 19:18). Elias descobriu que não era único. Viu que sete mil fiéis anônimos também estavam trilhando o mesmo caminho. Após esse encontro Elias recobrou suas forças e prosseguiu até o dia em que uma carruagem de fogo o levou para junto de Deus.

A Ceia do Senhor é uma divina ocasião em que podemos testemunhar o fim da solidão. O apóstolo Paulo diz: “Porventura o cálice da benção que abençoamos não é a comunhão do sangue de Cristo?: O pão que partimos não é a comunhão do corpo de Cristo?” (I Co 10:16). Quando partimos o pão, lembramos da obra do nosso Salvador Jesus Cristo. Lembramos do seu corpo partido e do seu sangue derramado. Lembramos que uma das conseqüências dessa obra é a nossa comunhão com os que são da família de Deus. Quando partimos o pão não celebramos a solidão, ao contrário, celebramos e discernimos o corpo espiritual de Cristo aonde todos os redimidos tornaram-se um só corpo e membros uns dos outros.

Satanás sabe que um cristão isolado torna-se um alvo fácil para seus ataques e enganos. O isolamento produz a solidão que produz a auto-piedade que produz orgulho que produz mais isolamento. Devemos estar bem protegidos, cobrindo uns aos outros em oração e mútua cooperação. Dessa maneira estaremos vigilantes diante das tentativas do diabo e estaremos dando um testemunho coerente diante da Mesa do Senhor. Outrora éramos indivíduos, antes éramos grãos de uva e feixes de trigo. Agora, porém, somos inseparáveis e indissociáveis. Através da obra do calvário nos tornamos vinho e pão.

“Sede sóbrios e vigilantes. O diabo, vosso adversário, anda em derredor, como leão que ruge procurando alguém para devorar; resisti-lhe firmes na fé, certos que sofrimentos iguais aos vossos estão-se cumprindo na vossa irmandade espalhada pelo mundo.” I Pedro 5:8,9

Mula sem cabeça

agosto 23, 2010 0 comentários

“Não podem os olhos dizer à mão: Não precisamos de ti; nem ainda a cabeça, aos pés: Não preciso de vós.” I Coríntios 12:21 

Talvez a eclesiologia (doutrina sobre a igreja) seja um dos assuntos mais frágeis da teologia cristã. Mesmo após a importante reforma proposta pelo movimento protestante, muitos valores espirituais da Igreja como a expressão corporativa de Jesus Cristo ainda permanecem relegados a um segundo plano como se fossem um assunto menor. Tal debilidade na correta compreensão do papel da Igreja tem gerado muitas aberrações tanto no evangelho pregado quanto na vida vivida.

Cada vez mais tenho ouvido um discurso atraente de um cristianismo sem vida de Igreja. A intuição pessoal e o exercício individual da “espiritualidade” é o tema da moda que atrai a muitas pessoas que desiludidas com os outros (nunca consigo mesmas) optam em seguir um caminho solitário: dizem que amam a Jesus mas não amam a Igreja – que é o Seu corpo.

As escrituras usam muitas figuras para nos demonstrar como a relação entre a Igreja e Cristo é impossível de ser separada. Proponho abaixo três figuras usadas por Paulo no livro de Efésios fazendo referencia ao tripé: esperança, fé e amor (I Co 13:13).

Esperança. A Igreja é como uma noiva que espera a chegada do amado noivo para as bodas de casamento. O Senhor Jesus “amou a igreja, e a si mesmo se entregou por ela, para que a santificasse, para a apresentar a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga nem cousa semelhante, porém santa e sem defeito. (5:25-27)” Como será possível não amarmos a quem o nosso noivo ama tanto? Não despreze a noiva de Cristo; ela é a sua amada e Ele está trabalhando para desposá-la.

. A Igreja também é a casa de Deus (3:19-21) sendo que o Senhor Jesus é o alicerce da casa. Ninguém lança os alicerces em um terreno se não for para construir algo em cima dele. Uma casa além de proteger aos que estão dentro também serve de testemunho para os de fora. Quando as “pedras vivas” (I Pe 2:5)obedecem pela fé a doutrina dos apóstolos então um testemunho se ergue para o mundo aonde Cristo Jesus é o único alicerce: “a qual a casa somos nós, se guardamos firme até ao fim a ousadia e a exultação da esperança” (Hb 3:6).

Amor. Somos também um corpo aonde Cristo é a Cabeça (5:23). É através do Corpo que os membros demonstram amor mútuo cuidando e alimentando uns aos outros reciprocamente. Através da obediência a Cristo como o Cabeça, somos conduzidos, por Ele, na árdua tarefa de suportarmos e protegermos aos outros membros. “Porque ninguém jamais odiou a sua própria carne, antes a alimenta e dela cuida, como também Cristo o faz com a igreja; porque somos membros do seu corpo” (5:29 – 30).

É impossível separar Cristo da Igreja. Quando buscamos caminhos alternativos para a nossa peregrinação naufragaremos tanto na fé como na esperança e no amor. Porque esses elementos, necessariamente, florescem e são renovados no estreito e árido caminho da comunhão dos santos. Não existe um noivo sem uma noiva. Ninguém lança um alicerce para não construir nada em cima. Não existe uma cabeça flutuando por aí sem um corpo. Não existe cristianismo sem Igreja: “aquele que não ama a seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê” (I Jo 4:20).

Escrevendo esse pensamento me lembrei de uma personagem do folclore brasileiro: a “Mula sem Cabeça” um animal que ao invés de ter uma cabeça tem uma chama de fogo que sai do seu pescoço. Achei engraçado ter lembrado disso porque Davi nos adverte para não sermos sem entendimento como uma mula: “Não sejais como o cavalo ou a mula, sem entendimento, os quais com freios e cabrestos são dominados; de outra sorte não te obedecem” (Sl 32:9). Acredito que existem muitas “mulas” por aí que – por terem uma mente carnal deixaram de reter o cabeça (Cl 2:19) e, ficam cuspindo fogo de um lado pro outro assustando e perturbando todos ao seu redor. São mulas porque não aprendem. São sem cabeça porque não se submetem à Igreja – que é o Corpo de Cristo.

Pensando melhor. Não há nada de engraçado nisso.

“ Não deixemos de congregar-nos como é costume de alguns; antes, façamos admoestações, e tanto mais quanto vedes que o dia se aproxima.” (Hebreus 10:25)

Hoje

abril 21, 2010 0 comentários

“Portanto não vos inquieteis com o dia de amanhã, pois o amanhã trará os seus cuidados” Mateus 6:34

Nesses dias de gravidez tenho ouvido de muitas pessoas o conselho de aproveitar ao máximo o “filhote” enquanto ele ainda é pequeno – “Porque o tempo passa muito rápido e, quando menos percebemos, o bebê tornou-se um adulto”. Realmente a vida passa muito mais rápido que percebemos e eu tenho um palpite para isso: é porque sempre estamos olhando para o futuro e não aproveitamos plenamente o presente. Talvez uma prova que sustente a minha tese é o fato de que ninguém ainda me aconselhou a curtir e a aproveitar esse período de gravidez. Geralmente olhamos apenas para frente e perdemos o dia de hoje.

Não nos enganemos com a aparência trivial do assunto: esse é um dos maiores males da nossa sociedade consumista ocidental. A angústia gerada pelo desejo de sempre ter “algo mais” faz-nos perder a alegria, paz e o gozo de desfrutarmos do que temos hoje. A propaganda enganosa e cruel projetada por Satanás e veiculada em todos os meios de comunicação que nos atingem nos induzem a acreditar que “ter” é mais importante do que “ser”. O que nos leva correr atrás do vento o tempo inteiro aceitando usar as pesadas algemas de uma vida escravizada pela promessa de um amanhã melhor. Porém, o hoje, nada mais é do que o amanhã de ontem e, de fato, o amanhã nunca chega.

Tenho a impressão que, todos nós, temos nossos momentos de lucidez quanto a esse fato. A grande tristeza é que geralmente tal momento se dá com clareza em momentos irreversíveis: quando enterramos nossos pais e percebemos que poderíamos ter gasto mais tempo com eles. Diante de um casamento destruído descobrimos que os gestos gentis e amorosos do cotidiano foram esquecidos e agora a pessoa que você tanto amava tornou-se uma estranha. Quando os filhos crescem e se vão deixando não apenas um quarto vazio na casa mas a sensação que poderíamos ter vivido mais plenamente todos esses anos passados. Ou quando, ao adentrarmos pelos portais eternos, descobrirmos que Deus Pai, O Eterno, é uma pessoa absolutamente desconhecida das nossas vidas ficando sempre à margem das nossas decisões, tempo e desejos. Como aconselha o pregador: “Lembra-te do teu Criador nos dias da tua mocidade, antes que venham os maus dias, e cheguem os anos dos quais dirão: Não tenho neles prazer; antes que se escureçam o sol, a lua e as estrelas do esplendor da tua vida, e tornem a vir as nuvens do aguaceiro; no dia em que tremerem os guardas da boca, por já serem poucos e se escurecerem os teus olhos nas janelas; e os teus lábios, quais portas da rua, se fecharem; no dia em que não puderes falar em alta voz, te levantares à voz das aves, e todas as harmonias, filhas da música, te diminuírem; como também quando temeres o que é alto, e te espantares no caminho, e te embranqueceres, como floresce amendoeira, e o gafanhoto te for um peso e te perecer o apetite; porque vais à casa eterna, e os pranteadores andarão rodeando pela praça; antes que se rompa o fio de prata e se despedace o copo de ouro, e se quebre o cântico junto à fonte, e se desfaça a roda junto ao poço, e o pó volte à terra, como o era, e o espírito volte a Deus, que o deu. Vaidade de vaidade, diz o pregador: tudo é vaidade.” Eclesiastes 12:1 – 8

O passado já ficou pra trás, não temos como mudá-lo. O futuro não nos pertence porque: “qual de vós, por ansioso que esteja, pode acrescentar um côvado ao curso da sua vida?” MT 6:27. É por isso que o conselho bíblico é para com o dia de Hoje: “Hoje se ouvirdes a sua voz, não endureçais os vossos corações” Hb 3:7 e outra vez: “exortai-vos mutuamente cada dia, durante o tempo que se chama Hoje” Hb 3:13. Consagrar nosso dia à Deus e viver o dia presente plenamente sendo grato a Deus por todas as bênçãos e provações do cotidiano parece ser um bom conselho para que não tenhamos a sensação de que “a vida passou rápido e eu nem vi.” Como o Senhor Jesus nos aconselha não devemos andar preocupados com o amanhã, o dia de Hoje já possui as suas inquietações e alegrias.

Sei que a minha vida nunca mais será a mesma com a chegada do “filhote”. Não vou poder acordar sábado no horário que eu quiser nem jantar no sofá vendo TV. Um ciclo se encerrará e um novo se aproximará com suas sensações, alegrias e sacrifícios. Mas o que eu farei hoje? Vou ficar ansioso com o dia de amanhã e esquecer do presente? De jeito nenhum! Hoje eu vou viver cada momento da gravidez: comprar o enxoval, ler livros sobre educação de filhos, decorar o quarto e curtir o visual “barrigudo” da minha amada. É… terei um dia feliz. Hoje.

“Portanto vede prudentemente como andais, não como néscios, e, sim, como sábios, remindo o tempo porque os dias são maus.” Efésios 5:15,16

Deformações

dezembro 1, 2008 0 comentários

“Um só é legislador e Juiz, aquele que pode salvar e fazer perecer; tu porém quem és que julgas ao próximo?” Tiago 4:12

Estou lutando com minha visão tem algum tempo. Comecei a usar óculos e o problema não resolvia completamente; continuava vendo as coisas embaçadas e com dificuldade. Finalmente descobri o meu problema: estou com ceratocone. Segundo a wikipédia: “O ceratocone pode ser definido de forma geral como uma deformação coniforme da córnea em forma de ectasia. É uma desordem ocular não-inflamatória que afeta a forma da córnea, provocando a percepção de imagens distorcidas. A dificuldade na percepção das imagens é similar à provocada pelo astigmatismo e nos casos mais avançados a visão é muito baixa ou totalmente borrada. Não há consenso a respeito da origem da patologia, acredita-se que tenha relação com o hábito de coçar os olhos em pacientes com rinite alérgica”.

O que me chamou muito atenção foi o fato que eu tenho ceratocone apenas no olho direito enquanto que meu olho esquerdo enxerga perfeitamente. Mas como isso é possível? Nas minhas crises alérgicas os meu dois olhos sofreram com as minhas mãos. Nunca poupei um em detrimento do outro, nunca “protegi” o meu olho esquerdo. Os dois coçaram. Os dois foram esfregados. Os dois sofreram as mesmas pressões. Por que então um olho está tão danificado e outro quase não tem nenhuma seqüela? Após exames veio a resposta: minha córnea direita é muito mais fina que a minha córnea esquerda. Até agora não sei se me acho “meio sortudo” por ter uma córnea grossa ou “meio azarado” por ter uma córnea tão frágil, mas o fato em questão é que os meus olhos não são iguais e o que causou dano para um não causou para o outro. A pressão atuou de maneira diferentes neles.

Após sair do médico fiquei pensando que se eu soubesse que meu olho direito era tão frágil não teria o coçado com tanta força tantas vezes. Para não machucá-lo teria sido mais gentil. Teria feito de tudo para poupá-lo e com isso seria beneficiado com a sua visão. Apesar da sua debilidade, continuo apreciando o meu olho. Não o desprezo, pelo contrário, desde o dia em que soube do problema passei a tomar cuidado com ele. Estou adquirindo uma maior sensibilidade e consideração por saber que ele não agüenta a pressão.

Meus pensamentos também me levaram a concluir que não tenho o direito de julgar as reações de ninguém. Não é porque agüento uma determinada pressão que meu irmão também irá agüentar. Possuímos estruturas diferentes e por isso mesmo reagimos de maneira diferente. Quando condeno alguém por não reagir da forma que eu esperava, demonstro uma ignorância maligna que despreza variáveis e situações que estão fora da minha percepção. É por isso que Deus é o único capaz de “Julgar retamente” (I Pe 2:23), apenas Deus conhece todas as circunstâncias que nos pressionam e quais são as nossas verdadeiras motivações.

Meu olho direito era perfeito mas tornou-se debilitado porque eu não me atentei para a finura da sua córnea. Quando aceitamos as deformações mútuas paramos de questionar a “fragilidade da córnea alheia’ e passamos a nos preocupar em preservá-la para que ela não continue se deformando e perca ainda mais a visão. Assim, de acusadores passamos a intercessores; de impiedosos a misericordiosos; de senhores a conservos; de opositores a colaboradores.

É provável que as deformações continuarão existindo em nossas vidas, porém naquilo que sou forte ajudarei o fraco na sua debilidade e vice-versa. E, assim, juntos, enxergaremos com clareza.

“Respondeu-lhes Jesus: Se fôsseis cegos, não teríeis pecado algum; mas, porque agora dizeis: nós vemos, subsiste o vosso pecado.” João 9:41

“O Senhor abre os olhos aos cegos, o Senhor levanta os abatidos, o Senhor ama os justos. O Senhor guarda o peregrino.” Salmos 146:8-9a

Caçadores de Serpentes

junho 12, 2006 0 comentários

“Não negligencieis igualmente a prática do bem e a mútua cooperação; pois com tais sacrifícios Deus se compraz.” Hebreus 13:16

Existe uma fábula que é mais ou menos assim:

Em uma fazenda, vivia um ratinho que em certo dia viu uma pequena serpente se esconder dentro do celeiro. Preocupado em não se tornar o almoço da serpente, o ratinho pediu ajuda aos outros animais: a galinha, o porco e a vaca. “Vocês precisam me ajudar! Uma serpente entrou no celeiro hoje de manhã e estou com medo de ser atacado por ela” – disse o ratinho reconhecendo seu triste lugar na cadeia alimentar. Apesar do sincero pedido de ajuda, os animais não se interessaram pela sua situação, cada um deu um bom motivo e todos voltaram aos seus afazeres.
No dia seguinte, a esposa do fazendeiro, foi ao celeiro e, enquanto mexia no feno foi picada pela serpente e ficou muito doente. O fazendeiro preocupado com a saúde de sua mulher matou a galinha e fez uma boa canja para reanimar sua amada esposa. Os familiares, ao saberem do ocorrido, foram fazer uma visita. O fazendeiro ao receber seus parentes, matou o porco e fez uma bela feijoada. Após duas semanas, vendo que sua esposa já estava bem de saúde, convidou toda a vizinhança, matou a vaca e fez um lindo churrasco para comemorar.
………………………………………………….

A obra satânica se levanta contra tudo que é da vontade de Deus. Se o Senhor é contra a fornicação e o adultério, então satanás trabalhará ativamente produzindo na humanidade um desequilíbrio quase que animalesco por sexo. Se o Senhor deseja que tenhamos uma vida simples, satanás trará um ritmo e padrão de vida que nos tornará escravos do trabalho e das pressões do dia-a-dia. Com respeito à mútua cooperação não é diferente. A vontade do Senhor é que andemos juntos. Que levemos as cargas uns dos outros (Gl 6:2). Que confessemos os nossos pecados e oremos uns pelos outros para sermos curados (Tg 5:16). Ao longo das eras, existe uma obra maligna que tenta afastar-nos da vida coletiva que o Senhor planejou para seus servos. Quando fomos resgatados do império das trevas e transportados para o reino do Filho do Seu amor, descobrimos que não estamos mais sós. Assim como eu, milhares de milhares de outros pecadores encontraram salvação e proteção na família de Deus. Fomos batizados para dentro de um só corpo. Queiramos ou não, estamos unidos uns aos outros. O Senhor espera que ajudemos uns aos outros durante a nossa caminhada. Como mencionei anteriormente, satanás trabalha intensamente para afastar-nos de tudo que é legitimamente do Espírito. O cristianismo sem compromisso mútuo e egoísta talvez seja uma das maiores contradições do evangelho pregado atualmente.

Nestes dias de trevas, em que os homens, entre tantas outras coisas, se tornaram egoístas e desafeiçoados (II Tm 3:2-5) pensar no próximo tornou-se num grande desafio para minha vida. Deixar de só pensar em que posso receber para começar a pensar em que posso dar. Gastar meu tempo na cooperação, no trabalho e no desenvolvimento dos meus irmãos. Preocupar-me com suas preocupações. Importar-me com seus temores. Valorizá-los mais do que a mim mesmo. Chorar com os que choram e alegrar-me com os que se alegram (Rm 12:15).

Na minha vida cristã tenho experimentado a fidelidade do Senhor através de vários irmãos e irmãs que tem me ajudado a prosseguir. Tenho certeza que muitas orações já foram feitas a meu favor. Quando olho para trás, sei que muitos já se importaram em caçar as “serpentes” que me aterrorizavam.

Assim como na fábula, o problema hoje do meu irmão, poderá se tornar no meu problema amanhã. A falta de cooperação mútua permite o surgimento de serpentes que poderão, futuramente, inocular morte em muitos. Quando nos tornamos caçadores das serpentes que perturbam o bem-estar dos nossos irmãos garantimos também saúde espiritual para as nossas próprias vidas. Experimentaremos a benção do cristianismo genuíno: quanto mais eu der, mais receberei. Quanto mais eu esquecer de mim mesmo, mais serei lembrado. Quanto mais eu amar, mais serei amado.

“Quem é pois, o servo fiel e prudente a quem o Senhor confiou os seus conservos para dar-lhes o sustento a seu tempo? Bem-aventurado aquele servo a quem seu senhor, quando vier, achar fazendo assim. Em verdade vos digo que lhe confiará todos os seus bens” (Mt 24:45-47).

 

Pijama para uma noite fria

maio 22, 2006 0 comentários

Durante dois anos consecutivos, ganhei de aniversário do meu irmão um pijama. O que eu vou fazer com um pijama? Será que ele não sabe que durmo sem camisa? Será que não havia nada melhor para ele me dar? Nenhum livro, camisa ou CD? E por dois anos! Confesso que, em meu coração, desprezei o presente.

Ontem à noite, quando fui dormir, achei que estava muito frio para dormir sem camisa. Não tive dúvida, fui ao armário e catei um dos pijamas e fui me deitar. Já na cama, de luz apagada, fiquei pensando que a idéia do pijama não era de toda ruim. Recordei que ao longo dos anos, nos dias mais frios ou nos dias em que eu estava doente, eu usei os pijamas.

Da mesma maneira quando ganhamos uma repreensão esse efeito pode acontecer. Por que ele disse isso? Será que ele sabe da minha situação? Por que o Senhor está fazendo isso comigo? Eu não precisava ouvir essa palavra! Isso definitivamente não serve para mim! Existe algum engano.

Admiro o Rei Davi. O grande rei de Israel. Acumulou inúmeras vitórias desde a sua mocidade – venceu leões, ursos, gigantes e exércitos inteiros, porém ele deixou ser vencido por Deus. E essa derrota, foi sua maior vitória. Quando repreendido, reconhecia suas falhas. Reconhecia que carecia de repreensão. Ele chegou a escrever: “Fira-me o justo, será isso mercê. Repreenda-me, será como óleo sobre a minha cabeça, a qual não há de rejeitá-lo” (Sl 141:5). Davi aprendeu uma coisa dificílima ao homem: ouvir a voz do Senhor através das repreensões.

Para mim, a repreensão funciona como um pijama – valorizo apenas quando estou sentindo frio ou me sentindo fraco. O desafio é reconhecermos a nossa temperatura. O Senhor advertiu aos seus discípulos da ameaça do esfriamento: “E por se multiplicar a iniqüidade, o amor se esfriará de quase todos.” (Mt 24:12). Ã medida que a vinda do Senhor se aproxima, mais frio este mundo ficará. Precisamos ser cada vez mais vigilantes. A repreensão entra profundamente naquele que reconhece que a necessita. Enquanto o orgulhoso irá permanecer surdo, preferindo o frio mesmo que isso cause sua morte, o humilde a aceitará trazendo arrependimento, consolo e paz. Esse é um dos objetivos quando o Senhor nos repreende: reaquecer o nosso espírito. Temo rejeitar a repreensão do Senhor por me achar aquecido demais. Temo não reconhecer a minha dependência do calor que só pode ser gerado pelo fogo do Espírito Santo.

Ontem à noite, agradeci ao Senhor pelo meu irmão. Agradeci pelo pijama que, mesmo não querendo, recebi de presente.

Apesar do frio, dormi aquecido.

“Filho meu, não rejeites a disciplina do Senhor, nem te enfades da sua repreensão. Porque o Senhor repreende a quem ama, assim como o pai ao filho a quem quer bem.” Provérbios 3:11-12