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Tribulações

O fogo e a brisa

setembro 19, 2019 0 comentários

“Disse-lhe Deus: sai e põe-te neste monte perante o Senhor; e um grande e forte vento fendia os montes e despedaçava as penhas diante dele, porém o Senhor não estava no vento. Depois do vento um terremoto, mas o Senhor não estava no terremoto, depois do terremoto um fogo mas o Senhor não estava no fogo ; e , depois um cicio tranquilo e suave. Ouvindo-o Elias envolveu o rosto no manto e, saindo pôs-se à entrada da caverna. Eis que lhe veio uma voz e lhe disse: Que fazes aqui Elias?” I Reis 19: 11 – 13

O profeta Elias vinha de uma grande vitória. É uma daquelas histórias que gostamos de contar para as crianças e a lemos nos deliciando em cada versículo. Elias havia chamado o povo para assistir uma “disputa” de poder entre deuses. De um lado, estava o Senhor Jeová, Deus de Israel e do outro lado Baal representado por 450 profetas. O povo se reuniu para testemunhar qual deles era, de fato o verdadeiro. A prova era simples, cada um dos lados ofereceria um sacrifício ao seu deus e o vencedor seria àquele que fizesse descer fogo do céu como um sinal de resposta e aceitação. Conhecemos a história, de como os 450 profetas de baal ficaram por meio dia clamando e suplicando uma manifestação que não veio. E quando Elias orou a Jeová imediatamente caiu fogo do céu consumindo o holocausto, a lenha, as pedras e a terra.

Eu consigo entender porque essa história nos atrai tanto. Todos nós gostaríamos de ter um dia de Elias, de orar e pedir ao Senhor que de uma maneira poderosa e inequívoca se manifeste, convencendo os incrédulos do seu erro e provando que Deus é real.

Quase me parece inacreditável o que acontece na continuação dessa história. Elias ouviu as ameaças de morte feitas pela rainha Jezabel, teve medo e fugiu para o deserto pedindo para si a morte. E é nesse contexto que temos a passagem que li no início deste pensamento. Escondido em uma caverna, Deus ordena que Elias saia e fique perante o Senhor. Então, veio um vento tão forte que despedaçou a penha mas Deus não estava lá. Depois veio um terremoto mas Deus não estava lá. Quando Elias viu o fogo deve ter pensado “ah! esse é o Deus que eu conheço, o Deus que faz descer fogo do céu … mas…. Deus também não estava lá. Talvez para a surpresa de Elias, Deus se manifestou através de um cicio tranquilo e suave. Deus estava no sussurro da brisa.

Fico pensando nesse exemplo e de como para nós é fácil vermos Deus nas coisas espetaculares mas, muitas vezes, não conseguimos vê-lo na brisa por ser comum demais.É fácil ouvi-lo quando ele se manifesta com a voz de um trovão, mas será que o ouvimos quando ele apenas sussurra mansamente perto do nosso ouvido? Achamos que Deus está apenas presente quando pessoas são curadas ou mortos são ressuscitados. Mas Deus também se revela nas coisas acessíveis da vida: Deus está na brisa suave de uma visita ao enfermo ou na oferta financeira que se dá ao necessitado ou no amigo que dá do seu tempo e consolo ao desanimado. Deus é a voz baixa e suave que santifica o jovem, que restaura o casamento, que inspira os pais na educação dos filhos, que une a igreja no vínculo do amor. Deus é a voz mansa e tranquila no pedido de perdão, no ósculo santo, na prática do bem ou no partir do pão em que anunciamos a morte de Cristo até que Ele venha.

Eu nunca vi fogo cair do céu … e talvez eu nunca o veja. Mas eu já senti o efeito da brisa sobre mim, muitas e muitas vezes. E isso me basta para saber e crer que Deus é real. Que Ele fala, que ele opera e que está presente.

“eis que estou convosco todos os dias, até à consumação dos séculos” Mateus 28:20

 

 

Pedradas

julho 5, 2019 0 comentários

“Ouvindo eles isto enfureceram-se nos seu corações e rilhavam os dentes contra ele. Mas, Estevão, cheio do Espírito Santo fitou os olhos no céu e viu a glória de Deus, e Jesus, que estava a sua direita. Eles porém, clamando em alta voz, taparam os ouvidos e unânimes arremeteram contra ele. E, lançando-o fora da cidade, o apedrejaram. Então, ajoelhando-se, Estevão clamou: Senhor, não lhes imputes este pecado. Com estas palavras adormeceu.” Atos 7: 54 

Estevão foi um dos sete homens de boa reputação, cheios do Espírito e de sabedoria que foram escolhidos pela igreja para servirem às viúvas helenistas. Ele é o 1o nome mencionado na lista e o único que o escritor acrescenta a expressão “homem cheio de fé e do Espírito Santo”. Poucos versículos à frente é mencionado novamente “Estevão, cheio de graça e poder fazia prodígios e grandes sinais entre o povo”. Quando alguns da sinagoga tentaram discutir com ele não puderam sobrepor-se à sabedoria e ao Espírito com que Estevão falava. Então eles subornaram homens para darem falso testemunho e o levaram para o tribunal judaico. Lucas volta a dizer que todos os que estavam assentados no Sinédrio, fitando os olhos em Estevão viram o seu rosto como se fosse rosto de anjo.

Lendo sobre uma pessoa com um currículo destes é difícil entendermos o desfecho desta história. Os judeus, movidos de ódio e não encontrando com que o acusar, subornam algumas pessoas para darem falso testemunho. Levando-o a um rápido julgamento e a uma rápida condenação: morte por apedrejamento. 

Eu tento me colocar no lugar de Estevão… lembre-se, até aquele momento, ninguém ainda havia morrido por testemunhar da fé em Jesus Cristo. Quando aqueles judeus iniciaram o cruel ritual, nenhum campo de força foi criado protegendo o corpo de Estevão, nem as pedras se transformaram em pedaços de espuma. Não, nada disso. As pedras, cada uma delas, foram rasgando sua pele, abrindo profundos cortes em sua cabeça e desfigurando o seu rosto. Qual seria o meu sentimento em um momento tão vergonhoso e de aparente derrota diante não só dos meus inimigos mas também diante de toda a igreja em Jerusalém? Como avaliar meu serviço com um fim tão trágico e um ministério tão curto ? O que eu teria pensado? O que eu teria orado? 

Fico impressionado com a reação do amado Estevão. Não vemos um homem apavorado, desesperado ou decepcionado com Deus. Mas percebemos alguém que teve o privilégio de ver o Senhor Jesus de pé para o receber na glória. E, com, mansidão e humildade aceitou o seu destino. Talvez ele não soubesse, mas foi através da sua morte que a Igreja saiu de Jerusalém espalhando a verdade do evangelho em outras cidades. Talvez ele também não soubesse  que o seu testemunho impactaria profundamente um jovem judeu zeloso da lei chamado Saulo de Tarso. 

E, finalmente, meditando na história de Estevão eu concluí uma questão muito importante:  um homem cheio de fé, de graça, de poder, de sabedoria e, principalmente, cheio do Espírito Santo não é um homem que não leva pedradas … mas, sim , é um homem que intercede e perdoa àqueles que lhe estão atirando as pedras.

“Foram apedrejados, provados, serrados pelo meio, mortos ao fio da espada;  necessitados, afligidos, maltratados – homens dos quais o mundo não era digno” Hebreus 11:37, 38

A vitória dos derrotados

abril 26, 2019 0 comentários

“ E sendo acusado pelos principais sacerdotes e pelos anciãos, nada respondeu. Então lhe perguntou Pilatos: não ouves quantas acusações te fazem? Jesus não respondeu nem um palavra, vindo com isto a admirar-se grandemente o governador.” Mt 27:12 – 14

Não sei você, mas sempre tive uma ideia – talvez influenciado por filmes e televisão, mas eu pensava de que uma pessoa com muita sabedoria, conhecimento ou, no caso de um cristão, com discernimento espiritual, jamais poderia perder uma discussão. Ou, melhor, ela teria a capacidade de desconstruir a opinião ou as ideias de qualquer oponente provando para os seus ouvintes que “um homem de Deus” sempre prevalece diante de um embate.

Até que um dia, lendo o livro Ortodoxia de G.K. Chesterton, ele disse uma coisa muito interessante: : ele observou que se uma pessoa sã discute com um louco, é extremamente provável que tal pessoa leve a pior, pois, sob muitos aspectos, a mente do louco não se atrapalha com as coisas que acompanham o bom juízo. Ela não tem compromisso com a verdade ou com o bom senso. De modo que a sua abordagem torna-se impossível de ser rebatida por alguém que usa a sanidade como uma bússola moral.

É difícil expressar como isso me ajudou. Tais palavras entraram iluminando o meu entendimento e me trouxeram uma profunda e verdadeira libertação. Naquele dia, eu entendi que, muitas e muitas vezes ou senão todas as vezes em que um piedoso conversar com um ímpio ele se calará. Isso porque, como servo da luz ele respeitará o próximo. Se recusará a ofendê-lo ou como é comum nas discussões, ele não extrapolará os limites da honra insinuando mentiras, difamações ou calúnias. Por outro lado, o ímpio, que não teme as consequências das suas palavras, abrirá a sua boca propalando arrogâncias, ofensas e ódio.

Posso entender melhor o silêncio do nosso Senhor Jesus quando esteve diante do Sumo Sacerdote, de Herodes e de Pilatos. Ao contrário do que o conceito de persuasão terrena pode julgar o Senhor da Glória, o verbo de Deus, sabia que existem muitas situações que não são resolvidas com palavras. Ao se calar, o Senhor falou muitas coisas. Uma delas é a clara percepção de que as coisas espirituais se discernem espiritualmente e não através da razão humana.

Uma das coisas mais terríveis que pode acontecer conosco é pagarmos mal com mal. Ofensa por ofensa. Calúnia por calúnia. Ameaça por ameaça. Quando isso acontece o mal vence e Satanás alcança o seu propósito de destruir tudo e todos os envolvidos. Acabamos nos nivelando por baixo, usamos as mesmas armas das trevas, desejamos produzir no outro a mesma dor e morte que ele está tentando causar em nós.

Podemos até sair de uma discussão entre aspas com a “alma lavada” por ter falado algumas verdades na cara da pessoa. Imediatamente, começamos a buscar desesperadamente a nossa auto-justificação no esforço de encontrarmos uma absolvição para nossa conduta. O perigo desse processo em nossos corações é que podemos ficar

cada vez mais insensíveis aos outros nos tornando pessoas com uma consciência cauterizada sempre preparados e dispostos a uma boa briga. Como Paulo diz a TIto: nos tornamos odiosos e odiando-nos uns aos outros. Casamentos são destruídos, pais e filhos se afastam, a fraternidade entre os irmãos desaparece isso tudo porque, muitas vezes, não conseguimos ficar calados.

Aparentemente, para os distraídos ou para os de fora, poderá até parecer que você é uma pessoa fraca. Mas isso é muito pequeno comparado com a paz interior que o Espírito Santo produz. Com a sensação de que o mais importante é testemunhar das coisas santas do caráter de Deus.

Precisamos entender que o Reino de Deus não se regula nos mesmos termos que o reino dos homens. Então, no Reino de Deus, o maior é o menor, quem tem autoridade é o que serve, o rico é o que se faz pobre. Quem quer preservar a sua vida , perde e quem decide morrer, vive. Os primeiros serão os últimos e os últimos serão os primeiros.

De maneira, que devemos andar de modo digno nesta terra sob a perspectiva dos valores morais e espirituais do nosso Senhor. Então vamos perceber que muitas vezes nós ganhamos mas perdemos. E, não raro, muitas vezes nós perdemos, mas na verdade, nós ganhamos.

“ porquanto para isto mesmo fostes chamados, pois que também Cristo sofreu em vosso lugar, deixando-vos exemplo para seguirdes os seus passos, o qual não cometeu pecado nem dolo algum se achou em sua boca, pois ele, quando ultrajado não revidava com ultraje, quando maltratado não fazia ameaças, mas entregava-se àquele que julga retamente“ I Pe 2:21 – 23

Conquistando o Campo de Batalha

abril 20, 2018 0 comentários

“Pensai nas cousas lá do alto, não nas que são aqui da terra.” Colossenses 3:2

Após o pensamento da semana passada, me perguntaram como podemos retomar o controle dos nossos pensamentos. Me disseram que eu apenas alertei do perigo mas não disse como podemos reconquistar esse importante campo de batalha. Bem, sendo assim, julguei que poderia ser útil registrar alguns pensamentos que tenho sobre esse assunto para apreciação dos irmãos:

(*) Medite sobre a Palavra de Deus

“Habite ricamente em vós a palavra de Cristo” (Colossenses 3:16)
O mundo moderno com sua correria e preocupação impôs a todos nós um ritmo de vida que nos afasta de qualquer tempo para meditação. Se já é difícil encontrar um cristão que se alimenta diariamente da palavra de Deus, quanto mais raro é encontrar alguém que invista seu tempo em digerir o que leu! Ler a Bíblia é apenas o primeiro passo. Precisamos fazer com que a nossa mente receba a palavra e a acolha. A palavra de Cristo precisa habitar em nosso corações e não ser apenas uma simples visitante. Além disso, ela precisa habitar ricamente tendo o nosso melhor tempo, esforço e dedicação. Na minha experiência pessoal, tenho sempre tentado memorizar algum trecho da palavra. Assim, toda vez que estou preso no trânsito, na fila de um banco ou a espera de alguém tento recitar as passagens. É verdade que esqueço quase tudo porém ao meditar na Palavra de Deus seu poder de purificação limpa a minha mente e a guarda de acolher pensamentos inconvenientes.
“Nas suas mentes imprimirei as minhas leis.” (Hebreus 8:10)

(*) Tenha irmãos em que possa confiar

“Se porém, andarmos na luz, como ele está na luz, mantemos comunhão uns aos outros, e o sangue de Jesus, seu filho, nos purifica de todo o pecado.” (I João 1:7)
Parece ser uma lei espiritual: não conseguimos andar nas trevas ao mesmo tempo que mantemos comunhão uns com os outros. A vida de Cristo no irmão me constrange, admoesta, consola e purifica. Por isso, encontre algum irmão em que você possa confiar inteiramente. Alguém em que você possa abrir seu coração sabendo que ele terá maturidade o suficiente para te ouvir, proteger e aconselhar. Permita que ele fale sinceramente sobre você e, mesmo que não concorde, ouça com respeito e atenção. O Senhor usa os irmãos para expor nossos pensamentos equivocados. Não fuja da comunhão, ela trará cura para a mente.
“Confessai, pois, os vossos pecados uns aos outros, e orai uns pelos outros, para serdes curados.” (Tiago 5:16).

(*) Exercite seu discernimento espiritual

“Tu conservarás em paz aquele cuja mente está firme em ti, porque ele confia em ti.” (Isaias 26:3)

Tenha uma mente firme. Se os pensamentos trabalham como a força que gera todas as nossas ações, monitore em todo tempo todos seus pensamentos. Exercite sua capacidade de discernir todas as coisas. O que se assiste, o que se escuta, o que se lê ou vê precisa ser mapeado e filtrado por sua mente. Nas palavras de John Piper sobre a nossa atitude para com os pensamentos inadequados:

“Diga não a todo pensamento lascivo, no espaço de cinco segundos. E diga-o com a autoridade de Jesus Cristo. ‘Em nome de Jesus: Não!’ Você não tem mais do que cinco segundos. Se passar mais do que esse tempo sem opor-se a tal pensamento, ele se alojará em sua mente com tanta força, a ponto de se tornar quase irremovível. Se tiver coragem, diga-o em voz alta. Seja resoluto e hostil.”

(*) Fuja da ociosidade

Dizem que: “a mente vazia é uma oficina do diabo” e eu acho que esse dito popular é verdadeiro. Evite a ociosidade. Evite passar muito tempo sem exercitar sua mente. É um engano acreditar que nossa mente precisa descansar, isso ela já o faz enquanto dormimos. Enquanto estamos acordados precisamos ter uma mente em constante estado de alerta. Lembremo-nos de Davi. Ele caiu em adultério e cobiçou a mulher do seu próximo durante um período de ociosidade da sua vida. “no tempo em que os reis costumam sair para a guerra, enviou Davi a Joabe e aos seus servos com ele e a todo o Israel. Uma tarde, levantou-se Davi do seu leito e andava passeando no terraço da casa real; daí viu uma mulher…” (II Sm11:1,2). Enquanto todo Israel guerreava Davi preferiu passear. Quando sua mente descuidou ele já havia sido vencido em outro tipo de guerra.

Como disse anteriormente, não tenho a pretensão de usar esse espaço como um local de estudo bíblico (até mesmo porque não tenho a capacidade para o fazê-lo). Mas desejo compartilhar meus pensamentos no desejo que eles incentivem a outros peregrinos a pensarem também. Com certeza existem outros tantos conselhos que poderiam ser mencionados para que a nossa luta pela nossa mente alcance êxito, porém acredito que esse exercício será mais proveitosos se você o fizer por você mesmo. Afinal de contas é disso que tenho falado: não tenha preguiça de pensar. Julgue todas as coisas e retenha o que é bom. Permita que sua mente seja uma base militar fortificada pelas coisas de Deus. E que o Espírito Santo te lidere, como um poderoso general, frustrando toda iniciativa do mal.

“Finalmente irmãos, tudo que é verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso o que ocupe o vosso pensamento.” Filipenses 3:8

A raiz dos justos

janeiro 8, 2018 0 comentários

“O homem não se estabelece pela perversidade mas a raiz dos justos não será removida.” Provérbios 12: 3

Em um mundo tão materialista um dos desafios do peregrino celestial é permanecer firme em suas crenças como que “vendo o que é invisível.” Quando olhamos para uma árvore frondosa cheia de frutos, geralmente nos esquecemos que são as suas raízes que garantem sua fixação e estabilidade, e, principalmente, a absorção dos nutrientes, água e potássio que irão garantir sua beleza. Geralmente escondidas debaixo da terra é a raiz, e não os frutos, que garantem a vida.

Da mesma forma, as bases da nossa vida determinarão quais serão as fontes de onde tiraremos nossa energia vital. É através das nossas raízes que obteremos a seiva necessária para a sobrevivência. Na parábola do semeador, o Senhor Jesus usa a figura de um solo rochoso cuja a raiz não pode se aprofundar para nos alertar dos perigos do desânimo diante das perseguições e escândalos. Sem uma raiz firme, não haverá frutos sadios porém: “ser for santa a raiz também os ramos o serão” (Rm 11:16).

Mais uma vez a história de Davi se destaca em meus pensamentos. Como foi possível a Davi suportar tamanha pressão e opressão durante seus anos como um fugitivo do insano rei de Israel? Para escapar da morte diante de um outro rei, agora filisteu, Davi se passa por doido babando em sua barba, arranhando portas e contorcendo suas mãos (I Sm 21:13). Sua popularidade aumentou com as pessoas menos desejadas do povo de maneira que Davi se fez chefe de “todos os homens que se achavam em aperto, e todo homem endividado, e todos os amargurados de espírito” (I Sm 22:2).Quem olha para ele não poderia imaginar que uma “árvore tão seca e com nenhum fruto” poderia ter uma raiz tão forte. Davi encontrou em Deus sua fixação e seu local de absorver os nutrientes necessários para prosseguir. Até chegar o momento em que a primavera chegou e ele passou a dar muito fruto. Qual era o segredo de Davi? O próprio Senhor responde: “Eu, Jesus, sou a raiz de Davi” (Ap 22:16).

O imediatismo em que vivemos nos inclina a buscarmos atalhos para demonstrarmos para os outros frutos que nos faltam. Nossas raízes tentam se fixar em solos pobres das coisas profundas de Deus e, como conseqüência, temos muita folhagem mas pouco fruto do Espírito: “árvores em plena estação dos frutos, destes desprovidas, duplamente mortas, desarraigadas” (Jd 13). Não experimentamos uma vida plena de comunhão fraternal uns com os outros porque tememos que descubram que, por detrás da nossa linda folhagem, não existem frutos. Selamos então um pacto de mediocridade recíproca aonde eu não critico suas raízes e vice-versa e nos contentamos com a fachada pseudo-piedosa que traz uma aparência religiosa para as nossas vidas porém nossas raízes continuam absorvendo as coisas do inferno, da carne e do mundo. “vendo Jesus uma figueira à beira do caminho, aproximou-se dela; e, não tendo achado senão folhas, disse-lhe: Nunca mais nasça fruto de ti” (MT 21:19).

João Batista advertia ao povo: “Já está posto o machado à raiz das árvores; toda árvore, pois, que não produz bom fruto é cortada e lançada ao fogo” (Mt 3:10). Toda raiz profana será cortada pelo próprio Senhor Jesus. Entendermos hoje que “o amor do dinheiro é a raiz de todos os males” (I Tm 6:10) será um bálsamo para todos os peregrinos que anelam experimentar uma vida liberta do veneno mortal da vaidade e das ambições humanas. Abandonemos a perversidade e estendamos nossas raízes para os mananciais de vida de Deus sabedores de que, a raiz dos justos, jamais poderá ser removida.

“Bendito o homem que confia no Senhor e cuja esperança é o Senhor. Porque ele é como a árvore plantada junto às águas, que estende as suas raízes para o ribeiro e não receia quando vem o calor, mas a sua folha fica verde, e no ano de sequidão não se perturba nem deixa de dar fruto.” Jeremias 17:7,8

Tempestades

dezembro 27, 2017 0 comentários

“Fez-se no mar uma grande tempestade e o navio estava a ponto de se despedaçar (…) Jonas porém havia descido ao porão e se deitado: e dormia profundamente” Jonas 1:5

“Eis que sobreveio no mar uma grande tempestade, de sorte que o barco era varrido pelas ondas. Entretanto, Jesus dormia.” Mateus 8:24

São duas histórias de aparente semelhança…são dois barcos em águas bravias. São dois homens dormindo tranquilamente no barco enquanto a tempestade aterroriza aos demais tripulantes. São dois profetas de Deus cada um enviado para uma missão. Porém, quando descobrimos o contexto, as histórias se distanciam com evidentes resultados…

O profeta Jonas ao desobedecer uma instrução clara de Deus negou seu chamamento, negou sua vocação, negou a soberania e a vontade de Deus. Tentou “fugir da presença” D’Aquele que está em todo lugar. Tentou mudar a direção de seus caminhos. Estar longe de Deus era a sua real intenção. Por outro lado temos o Senhor Jesus – por ser o verbo encarnado Ele era, é, e sempre será, a exata expressão do Pai, a absoluta fiel testemunha de Deus. Enquanto a missão de Jonas era a de anunciar a condenação a uma cidade promíscua, a missão do Senhor Jesus era a de anunciar a salvação da humanidade pelo seu próprio sacrifício pagando o preço exigido pela Justiça de Deus. “ e que havendo feito a paz pelo sangue da sua cruz, por meio dele, reconciliasse consigo mesmo todas as coisas” Cl 1:20.

Dois homens dormindo mas como eles são diferentes! Um traz o repouso inerte, quase mortal, gerado pela desobediência. A imobilização recebida como o salário do pecado. O outro dorme o descanso dos justos. Usufrui do repouso de Deus apesar do cenário contrário. Dorme em paz por saber que, apesar do tamanho das ondas, nada deveria temer. Um, ao despertar se acovarda. O outro enfrenta a situação com serenidade e autoridade. Um traz a tempestade. O outro termina com ela.

Não devemos confundir o sono do pecado com o sono da obediência. Se por fora eles aparentam estar descansando por dentro apenas um realmente está em paz. Como é possível experimentar o descanso ao meio à tempestade? Como é possível encontrar o repouso sabendo que, logo adiante, encontraremos com o Gólgota – o lugar da caveira? Apenas Deus pode nos dar da “paz que excede todo o entendimento” (Fp 4:7). Ela não é produzida pelas circunstancias ou pelas nossas emoções mas é produzida unicamente pela obediência irrestrita à Sua soberana vontade.

Todos nós passaremos por tempestades, isso é certo. Estar em Cristo é estar com Ele no mesmo barco. E quando O Senhor dos Senhores abrir a sua boca toda tempestade terminará: bonança, paz, consolo, descanso e vitória substituirão os trovões, as trevas e o agitar das ondas. Estar no barco sem Cristo é desesperança, perdição, loucura, aflição, tristeza e dor sem fim.

Estar em Cristo fará toda a diferença no final da nossa história. Qual será o nosso destino? A bonança ou o ventre de um grande peixe? Faça a sua escolha.

“E Jesus despertando, repreendeu o vento e disse ao mar: Acalma-te, emudece! O vento se aquietou e fez-se grande bonança.” Marcos 4:39

Contextos

maio 5, 2010 0 comentários

“Porque a palavra de Deus é viva e eficaz e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra ao ponto de dividir alma e espírito, juntas e medulas, e apta para discernir os pensamentos e propósitos do coração.” Hebreus 4:12

Muitas e muitas vezes tenho visto pessoas ao meu redor sendo orientadas pelo contexto que vivem: “vou tentar entrar sem visto se eu conseguir passar pela alfândega foi porque é da vontade de Deus pra mim” ou “recebi uma proposta de emprego irrecusável para trabalhar em outra cidade, não acredito que Deus permitiria uma oportunidade dessa na minha vida se não fosse da Sua vontade” ou ainda “foi amor à primeira vista, tudo deu certo para que ficássemos juntos isso só pode ser de Deus.” Poderia listar tantas outras situações ordinárias que nos dão a impressão que as “portas se abriram” e, então, concluímos apressadamente que vem de Deus.

As escrituras nos dão alguns exemplos de que não devemos confiar no contexto ou até mesmo em profetas que fazem sinais e prodígios porém ensinam falsas doutrinas. Em Deuteronômio 13:1- 4 o próprio Senhor nos alerta da possibilidade Dele permitir a atuação e a confirmação de sinais de falsos profetas para nos “provar, para saber se amais ao Senhor vosso Deus de todo o vosso coração, e de toda a vossa alma” (vs 3). Definitivamente não devemos estribar nossas decisões nas circunstâncias: “o justo viverá pela fé” de maneira que a bússola que orientará as suas decisões deve ser os princípios e os valores explicitados na Bíblia e não em qualquer outra pessoa ou situação.

Para mim, o maior exemplo de como o contexto pode ser enganoso, nos é relatado em I Samuel 24. O rei Saul, movido por um ciúme maligno, realizou várias tentativas de matar a Davi (o futuro rei de Israel já ungido e designado pelo Senhor). Em uma de suas campanhas contra Davi, Saul entra em uma caverna para “aliviar o ventre” sem saber que o próprio Davi e seu exército estão escondidos no interior da caverna. Ao verem Saul se despindo da sua armadura e dos seus trajes de guerra a conclusão dos homens de Davi parece ser a mais óbvia: “então os homens de Davi lhe disseram: Hoje é o dia, do qual o Senhor te disse: Eis que te entrego nas mãos o teu inimigo e far-lhe-á o que bem te parecer” (vs 4). Finalmente havia chegado o dia da vingança! Após tantas traições e tentativas de homicídio finalmente se cumpriria as promessas de Deus! Porém essa não foi a conclusão de Davi. Ele já conhecia o suficiente ao Seu Senhor para saber qual era a Sua vontade: “disse Davi aos seus homens: O Senhor me guarde de que eu faça tal cousa ao meu Senhor, isto é, que eu estenda a mão contra ele, pois é o ungido do Senhor. Com estas palavras Davi conteve os seus homens e não lhes permitiu que se levantassem contra Saul” (vs 6,7). Que homem foi Davi! Apesar de ter sido um grande herói de guerra capaz de lutar destemidamente ele não levantou a sua espada contra aquele que por quase dez anos tentou tirar a sua vida. Não tenho dúvidas de que, naquela caverna, Deus testou a fé de Davi. O Senhor preparou todo um cenário favorável para que Davi matasse a Saul. Davi foi provado e optou pela obediência a despeito do contexto. Seu coração cada vez mais pertencia a Deus. O período de preparação estava terminando e, em breve, Davi se tornaria no maior rei da história de Israel.

Tento me colocar naquela caverna escura e úmida. Qual seria a minha conclusão se eu estivesse ali? Agiria como um dos homens de Davi julgando que a situação vinha do Senhor? Discerniria adequadamente o cenário? Quanto mais conhecermos a palavra de Deus mais capacitados estaremos para distinguir os contextos. Porque a palavra de Deus não muda. Seus princípios são eternos e servem de âncora para nossa fé. Não devemos confiar em nossos “achismos”, sentimentos ou circunstâncias. Apenas a Palavra de Deus é capaz de lançar luz aos pensamentos e propósitos do coração.

Às vezes chegamos em um oásis e acreditamos que “é de Deus” outras vezes rejeitamos o deserto acreditando que Deus nunca nos levaria vivenciar experiências tão desafiadoras. Não devemos ser tão rápidos em nos mover. Porque melhor nos será estarmos no deserto com Deus do que no oásis com o diabo. Melhor é a caverna com Deus do que todo um reino sem Ele.

“o Senhor teu Deus te guiou no deserto para te humilhar, para te provar, para saber o que estava no seu coração, se guardarias ou não os seus mandamentos.” (Dt 8:2)

Campo de Batalha

novembro 27, 2007 0 comentários

“E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.” Romanos 12:2 

Em seu famoso tratado militar sobre estratégias de guerra, Sun Tzu, comenta que ter domínio do campo de batalha é um dos pontos fundamentais para se conseguir a vitória. O terreno deve ser muito bem conhecido e avaliado. O General precisa conhecer suas dimensões, topografia, distâncias até outros locais, qual é o grau de dificuldade para locomoção e quais são os pontos de maior segurança ou vulnerabilidade. Quando se conhece bem o terreno, o General pode usá-lo para proteger seus pontos fracos e, ao mesmo tempo, para a projeção das suas principais forças. Mapear e proteger o campo de batalha é essencial em qualquer batalha.

Qualquer peregrino é capaz de sentir que existe uma tremenda batalha neste planeta. Há um foco de rebelião que se levantou contra a vontade de Deus e tem lutado incessantemente, 24 horas por dia e 7 dias na semana, para destruir tudo e todos que se voltam para os interesses de Deus. Existe então, uma intensa disputa para saber a quem cada homem servirá. Essa batalha é travada na mente de cada um de nós. E são os nossos pensamentos e vontades que determinarão quem terá domínio sobre a nossa vida.

Termos uma mente passiva que aninha todo tipo de pensamento torna-nos alvos fáceis para as ciladas do Diabo. Pense na televisão. Talvez ela seja a arma mais mortífera para o desenvolvimento de uma mente passiva. Assistimos de tudo: adultério, homicídio, homossexualismo, mentiras, vingança, violência e tudo mais que desonra a Deus sem fazer qualquer resistência. E, enquanto vemos, nossa mente permanece passiva recebendo mensagens malignas que se esconderão em algum canto escuro da nossa imaginação e, que, no momento certo, serão usadas pela nossa carne. Da mesma forma na música reside um grande perigo. Escutamos músicas mundanas com suas letras imorais que escarnecem dos valores celestiais e profanam as coisas sagradas de Deus achando que isso não trará qualquer dano. Faça uma retrospectiva. Quando você apaga a luz do seu quarto e escuta essas musicas deitado em sua cama que tipo de pensamentos surgem? Eles te aproximam de Deus ou afloram sentimentos carnais de toda espécie? A verdade é que não existe sequer um centímetro quadrado nesta terra que não esteja sob alguma influência. Não existe pausa, neutralidade ou descanso. Estamos sempre sob ataque e a necessidade de vigilância é urgente. Não devemos nos acostumar com esse mundo mas devemos ter uma mente em constante renovação para experimentarmos a vontade de Deus (Rm 12:2). Não experimentaremos a vontade de Deus com uma mente preguiçosa e vazia.

Por estarmos em um ambiente de guerra, pensamentos inconvenientes sempre surgirão. Muitas vezes eles virão de fora para dentro como um ataque maligno sobre nós. Quando nossa mente está atenta, podemos diagnosticar claramente tais insinuações e rejeitá-las com toda fé: “Resistir ao diabo e ele fugirá de vós” (Tg 4:7) é uma promessa preciosa a todos os vigilantes. Precisamos retomar todo espaço que foi dado ao inimigo em nossas mentes: ressentimentos, falta de perdão, lascívia e heresias não podem permanecer alojadas dentro de nós. Enquanto tais pensamentos existirem, seremos como uma cidade fortificada em que o inimigo conseguiu instalar uma bomba. Sempre que ele quiser invadirmos detonará a bomba e entrará em nossos corações sem muita resistência. Sobre essa batalha Paulo diz: “Porque as armas da nossa milícia não são carnais, e sim, poderosas em Deus para destruir fortalezas; anulando sofismas e toda altivez que se levante contra o conhecimento de Deus, levando cativo todo pensamento à obediência de Cristo” (II Co 10: 4,5 ). Se for necessário, precisaremos usar de violência contra nossos pensamentos até que a nossa mente pense adequadamente. Como um rebelde, precisamos algemar nossos pensamentos e aprisioná-los sob o cárcere de Cristo e levá-los a uma completa obediência. Precisamos reconquistar o campo de batalha.

Em Noé temos uma ilustração interessante. Quando a pomba saiu da arca após o dilúvio nos é dito: “mas a pomba, não achando onde pousar o pé, tornou a ele para a arca; porque as águas cobriam ainda a terra. Noé, estendendo a mão, tomou-a e a recolheu consigo na arca.” (Gn 8:9 ). Como são os nossos pensamentos? Quando permitimos que nossos pensamentos voem, para aonde eles vão? Voltam para a arca de Deus por não encontrarem local para pousarem ou será que nossos pensamentos encontram lugar e prazer na morte e podridão deste mundo?

Pense peregrino. Mas pense certo. Pense com a mente de Cristo.

“Lava o teu coração da malícia, ó Jerusalém, para que sejas salva! Até quando hospedarás contigo os teus maus pensamentos?” Jeremias 4:14

Ducha Fria

agosto 20, 2007 0 comentários

“Vinde a mim vós que estais cansados e sobrecarregados e eu vos aliviarei.” Mateus 12:28

Já disse muitas vezes para o meu companheiro de sauna, o irmão Mota, que a sauna sem a ducha fria não faz sentido. Ficamos ali assando naquela temperatura insuportável suando mais que tampa de chaleira sonhando com aquela deliciosa ducha fria. Provavelmente exista uma explicação cientifica que descreva o bem estar que sentimos após esse choque térmico que sofremos quando saímos da sauna e entramos na ducha fria. Também fico pensando no cenário contrário. Qual é a graça em sair de casa para tomar uma ducha gelada e passar frio? Para mim, a ducha fria justifica o calor da sauna e vice-versa.

A rebeldia do homem trouxe um caos que afetou diretamente o equilíbrio do planeta e de todos os seus habitantes. Como conseqüência do pecado, toda a humanidade, sem exceção, passa, em alguma medida, por sofrimentos. As lutas, doenças, fraquezas, dores emocionais e perdas fazem parte da experiência de todos nós. Porém, nós, filhos do Deus altíssimo devemos ter uma perspectiva completamente diferente da que tem os filhos das trevas quando passamos pelo calor do deserto. Porque diferentemente deles, podemos buscar consolo e refrigério em Deus.

Infelizmente, nós só valorizamos alguma coisa quando sentimos falta dela. Como desejar um copo de água se não sabemos o que é sede? Como alegrarmos com a luz do dia se não passarmos pela negridão da noite? Ou como teremos gratidão pela nossa saúde se nunca adoecemos? Para experimentarmos o refrigério de Deus, precisamos passar por situações de calor e sufoco.

Fico pensando na sauna; no desconforto momentâneo e no calor sufocante que sinto quando estou nela. Após a ducha fria, sinto-me incrivelmente melhor. A sensação de relaxamento é uma boa recompensa. Quando somos afligidos precisamos reconhecer que somente Deus pode oferecer a ducha fria que refrigera a nossa alma. Após desfrutarmos do consolo oferecido pelo Espírito Santo nos sentimos renovados. A paz que excede todo o entendimento nos envolve e nos faz testemunhar como Davi: “O Senhor é meu pastor. Ele refrigera a minha alma” (Sl 23).

A murmuração é o produto de uma mente que só visualiza o incômodo sufoco da situação presente e não percebe que o Senhor está logo adiante oferecendo alívio. Em breve o Senhor voltará e trará refrigério eterno sob suas asas. Como já disse alguém: “o final da história do cristão é gloriosa, cheia de paz e alegria. Se temos passado por lutas e sofrimentos é porque a nossa história ainda não acabou.” Enquanto isso não acontece, corramos diariamente para o Senhor que nos oferece uma deliciosa ducha fria para suportarmos o calor dessa vida.

“Jamais terão fome, nunca mais terão sede, não cairá sobre eles o sol, nem ardor algum, pois o Cordeiro que se encontra no meio do trono os apascentará e os guiará para as fontes da água da vida. E Deus lhes enxugará dos olhos toda lágrima.” Apocalipse 7:17

Oração de um profeta menor

novembro 23, 2006 0 comentários

“Porque para mim tenho por certo que os sofrimentos do tempo presente não são para comparar com a glória por vir a ser revelada em nós.” Romanos 8:18

Diante de algumas situações que perturbaram os meus pensamentos, o Senhor me levou a meditar, mais uma vez, em um texto de um livro chamado: Deus fala ao homem que mostra interesse escrito por A. W. Tozer.

Em especial no capítulo: Oração de um profeta menor, o irmão registra, em forma de oração, seus pensamentos em relação ao seu serviço. Comungando dos mesmos sentimentos e desejando repartir do mesmo encorajamento que tenho recebido que transcrevo abaixo um trecho deste capítulo:

“Está na hora ó Deus, de entrares em ação, pois o inimigo invadiu as tuas pastagens e as ovelhas foram destroçadas e espalhadas. Os falsos pastores andam por toda a parte, negando o perigo e rindo dos riscos que o teu rebanho corre. As ovelhas estão sendo enganadas por esses mercenários e os seguem com lealdade tocante enquanto o lobo se aproxima para matar e destruir. Suplico-te ó Deus, dá-me olhos penetrantes para perceber a presença do inimigo; dá-me entendimento para observar e coragem para contar fielmente o que vejo. Torna a minha voz tão idêntica à tua que até mesmo as ovelhas doentes reconheçam e te sigam.

Senhor Jesus, aproximo-me de ti para receber preparo espiritual. Impõe sobre mim a tua mão. Unge-me com o óleo do profeta do Novo Testamento. Proíbe que me transforme num escriba religioso e perca assim meu chamado profético. Salva-me da maldição que paira sobre o clero moderno, a maldição da transigência, da imitação, do profissionalismo. Salva-me do erro de julgar uma igreja pelo seu tamanho, sua popularidade ou pelas somas que oferece anualmente. Ajuda-me a lembras que sou profeta – não um promotor, nem um administrador religioso, mas um profeta. Não permita que jamais me torne escravo da multidão. Cura minha alma das ambições carnais e salva-me da atração da publicidade. Livra-me da escravidão às coisas. Não permita que desperdice meus dias com trivialidades. Põe teu terror sobre mim, ó Deus, e leva-me para o lugar de oração onde possa lutar com os principados e potestades e com os senhores das trevas deste mundo.

E agora, Senhor dos céu e da terra, consagro o restante de meus dias a Ti; sejam eles muitos ou poucos, conforme a Tua vontade. Oro a Ti, portanto meu Senhor e Redentor, salva-me de mim mesmo e de todos os males que possa fazer a mim mesmo enquanto tento ser uma benção para outros. Enche-me com o teu poder pelo Espírito Santo, e na Tua força irei e anunciarei a tua justiça. Espalharei a mensagem do amor que redime enquanto tiver forças.”