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Igreja

Empurrando o carro

novembro 7, 2019 0 comentários

“Fazei e guardai, pois, tudo quanto eles vos disserem, porém não os imiteis nas suas obras, porque dizem e não fazem.”  Mateus 23:3

 

Certa vez, Um grupo de pessoas fez a seguinte experiência: colocaram um carro enguiçado na rua e uma pessoa parada ao lado pedindo ajuda… esperaram por alguns minutos e ninguém parou para ajudar. Depois pegaram o mesmo carro, a mesma pessoa na mesma rua e, ao invés de ficar parada pedindo ajuda ela começou a empurrar o carro … em pouco tempo outras pessoas se apresentaram para ajudar.

 

Não precisaríamos fazer uma experiência como essa para saber, intuitivamente,  essa verdade: pessoas se identificam e se solidarizam muito mais com aqueles que estão tentando do que com aqueles que estão simplesmente apontando o problema. 

 

A Bíblia nos mostra que nossas palavras necessitam andar de mãos dadas com o nosso comportamento. Esse é o testemunho sobre o Senhor em Atos 1:1 quando Lucas diz das cousas que Jesus começou a fazer e a ensinar ou quando João Batista enviou mensageiros para conversar com o Senhor. Ele responde “ide, anunciai a João o que estais ouvindo e vendo:” Paulo escrevendo aos Filipenses ele pede para que se lembrassem das coisas que eles ouviram e viram nele” da mesma forma na sua última carta,falando a Timoteo ele diz: “tu porém, tens seguido de perto o meu ensino e procedimento”. A proclamação do evangelho é muito mais do que palavras que se pregam é uma vida que se vive. E essa é a critica do texto do inicio desta meditação quando o Senhor fala dos fariseus … teoria nota 10 prática nota zero. Ensinam sobre o amor mas não amam. Reclamam da falta de compromisso dos outros mas eles mesmos não se consagram. Ficam na periferia murmurando e criticando tudo e todos. Sempre, claro, envolvendo suas observações em uma falsa aparência de piedade. 

 

Muitas vezes a vida de igreja parece com um carro enguiçado. O que era para ser não é e tudo parece estagnado. Enxergamos os problemas e ai podemos reagir de duas formas: ou ficamos murmurando e reclamando da situação e das pessoas ou começamos a empurrar o carro sabendo que alguma coisa precisa ser feita. É como se diz: a mudança que espero nos outros começa primeiramente dentro de mim. 

 

Tenho a impressão que se você decidir agir mais do que falar acontecerá duas coisas: A primeira é que, com o tempo, outras pessoas, encorajadas pelo seu exemplo, começarão a empurrar o carro junto com você. E a segunda coisa é que você perceberá que outros irmãos já estavam empurrando o carro muito antes de você começar.

 

“Não amemos de palavra nem de língua mas de fato e de verdade” I Jo 3: 18

 

A melhor parte

outubro 31, 2019 0 comentários

“Indo eles de caminho entrou Jesus num povoado. E certa mulher, chamada Marta, hospedou-o na sua casa. Tinha ela uma irmã chamada Maria, e esta quedava-se assentada aos pés do Senhor a ouvir-lhe os ensinamentos. Marta agitava-se de um lado para outro, ocupada e muitos serviços. Então se aproximou de Jesus e disse: Senhor, não te importas de que minha irmã tivesse deixado que eu fique a servir sozinha? Ordena-lhe, pois que venha ajudar-me. Respondeu-lhe o Senhor: Marta! Marta! andas inquieta e te preocupas com muitas cousas. Entretanto, pouco é necessário, ou mesmo uma só cousa: Maria, pois, escolheu a boa parte e esta não lhe será tirada.”  Lucas 10: 38 – 42

 

Talvez você já tenha escutado alguém, ao fazer uma reflexão sobre esse texto dizer, que mais importante do que servir ao Senhor é estar aos seus pés. Isso é, em qualquer perspectiva, uma verdade absoluta porque podemos trabalhar para o Senhor sem estarmos aos seus pés. Porém quem estiver aos seus pés inevitavelmente trabalhará para Ele.

O problema que surge é que, muitas vezes parece existir a necessidade de fazermos uma escolha: ou somos como Marta ou somos como Maria. Temos de escolher: ou trabalhamos ou ficamos parados aos seus pés. Isso tem levado alguns de nós a uma vida cristã pouco prática e até mesmo ociosa. Nos contentamos com uma experiência basicamente contemplativa e pouco operosa. Lendo Tiago capitulo 2 vemos claramente, que qualquer bom observador da nossa vida pode concluir o que nós realmente cremos, não pelo que falamos mas pelo que fazemos. Tiago diz: eu com a minhas obras te mostrarei a minha fé. 

De maneira que não penso que o propósito da história de Marta e Maria seja nos mostrar que essas duas dimensões (trabalho e contemplação) não possam andar juntas.Creio que essa história nos revela o perigo de termos um coração dividido. 

Lucas começa nos apresentando Marta: é ela quem hospeda ao Senhor e com sinceridade ela se ocupou em servi-Lo em muitas coisas. Até o momento em que Marta para de olhar para o Senhor e começa olhar para a sua irmã… E ao olhar para a sua irmã – se comparou. E ao se comparar – se incomodou. E ao se incomodar – reclamou. E ao reclamar – Ela ordenou ao Senhor que ordenasse o que a sua irmã deveria fazer. 

E é nessa situação que o Senhor Jesus corrige o coração de Marta. Porque ela havia tirado os seus olhos do Senhor e passou a olhar para os lados. E quando servimos a Deus olhando para as pessoas e não para Ele, nós perdemos a boa parte. Passamos a nos sentir superiores que os outros. Tiramos conclusões e julgamos ao próximo tendo o nosso serviço como referência. Passamos a reclamar uns dos outros e dizer o que o outro deve fazer. Pense no constrangimento que Marta passou. É como se o Senhor Jesus a corrigisse dizendo “não me diga o que devo ordenar, mas se eu fosse ordenar alguma coisa para alguém seria para você Marta… e eu te ordenaria que você olhasse apenas para mim e aquietasse o seu coração:”

O texto diz que Maria ficava aos pés do Senhor ouvindo os seus mandamentos. De maneira que eu tenho para mim,  que se Marta não tivesse falado nada e com alegria continuasse a servir ao Senhor, em algum momento o Senhor Jesus falaria para Maria: “agora se levante e vá ajudar a sua irmã”. Então teríamos essas duas mulheres servindo e contemplando apenas o Senhor com alegria e integridade de coração. 

Minha oração é que assim como Marta eu me ocupe em servir ao Senhor Jesus em muitas coisas mas, que assim como Maria, eu sempre esteja aos seus pés olhando apenas para Ele.

“Tudo quanto fizerdes, fazei-o de todo o coração, como para o Senhor” Cl 3:23

Com vergonha do evangelho

setembro 26, 2019 0 comentários

“não me envergonho do evangelho porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê” Rm 1:16

Certa vez eu li o relato de um pastor que participou de uma reunião de jovens em uma igreja lá nos Estados Unidos. onde ele diz mais ou menos o seguinte:

“Entrei em um tipo de loft que combinava diversos elementos: fliperama, cafeteria, clube de dança e recreação. A sala pulsava energia com uma sensação de felicidade. Alguns jovens estavam jogando playstation outros estavam largados no sofá vendo seus celulares enquanto que outros estavam conversando ao redor de uma mesa cheia de guloseimas. Após algum tempo, todos eles se reuniram para o início do culto. Começou então uma adoração comunitária . Uma banda barulhenta ocupava o palco central. A banda conduzia o grupo por uma sequência incitante de canções de louvor triunfantes e depois por uma sequência de meditações introspectivas. Abruptamente, eles pararam de tocar e um grupo de teatro subiu no palco para aliviar a atmosfera e comunicar a todos que seguir a Jesus pode ser divertido. Depois disso um pastor jovem e moderno trouxe uma mensagem onde, resumidamente, ele  dizia “não beba” “não fume” e principalmente “não faça sexo” tudo isso com uma grande preocupação de não parecer careta nem soar uma coisa chata. Após terem recebido uma mensagem vagamente bíblica os jovens foram dispensados com promessas de mais divertimento na semana seguinte.”

A turma que nasceu após o ano 2000 é conhecida na literatura como a geração Z ou os nativos digitais. Eles não sabem o que é um mundo sem internet, são multimídia, multitelas e por isso mesmo,  conquistar a atenção deles não é nada fácil. Os pais desses jovens possuem uma honesta preocupação de que seus filhos saiam da igreja e abandonem a fé. Mas, se a intenção é correta os meios escolhidos são perigosos e insuficientes. Porque transformamos o ministério de jovens em uma tentativa de lhes oferecer o próprio mundo envelopado na religião cristã na tentativa que isso consiga os segurar na igreja. 

O remédio que se oferece aos jovens poderá, no futuro, tornar-se em um veneno. Porque se a tentativa é oferecer as coisas do mundo em doses homeopáticas chegará um momento em que o jovem descobrirá que poderá experimentar todas essas coisas de uma forma mais liberada fora da igreja. Não oferecemos entretenimento, isso o mundo oferece melhor do que nós. Não oferecemos diversão, vida social ou experiências sensoriais … oferecemos o evangelho eterno e imutável de Deus que nos liberta de um império e nos transporta para pertencermos a um outro reino.

Precisamos enfrentar essa realidade com coragem e temor porque manter nossos jovens presos no prédio da igreja não é, de modo algum, sinônimo de torná-los prisioneiros de Cristo. O preço a ser pago para se tornar um discípulo de Cristo é altíssimo porque o custo é a própria vida.  Por isso que o Senhor já nos avisou que a porta é estreita e apertado o caminho que conduz para a vida e são poucos que se acertam com ela.  

Não devemos nos envergonhar do evangelho de Deus como se fosse insuficiente para os nossos jovens ou desatualizado para os dias de hoje.  Não devemos omitir as duras verdades do evangelho com medo de que o nosso ouvinte fique chateado ou pense que somos radicais demais. Que o Senhor nos livre de fazermos concessões ou adulterações na sua palavra na  tentativa de tornar o convite de Cristo mais agradável e palatável a quem quer que seja. 

 

A Igreja, como nação santa, como povo de propriedade exclusiva de Deus, dá esse testemunho … vivemos para Cristo. nós nos reunimos por causa de Cristo, servimos e amamos uns aos outros por causa de Cristo.  Se isso parece loucura para alguns, para nós é poder e sabedoria de Deus.  

 

“nós pregamos a Cristo crucificado, escândalo para os judeus, loucura para os gentios;  mas para os que foram chamados, pregamos a Cristo, poder de Deus e sabedoria de Deus” I Co 1: 23,24

 

Aprendendo a falar

julho 12, 2019 0 comentários

“Não saia de vossa boca nenhuma palavra torpe, e, sim, unicamente a que for boa
para edificação, conforme a necessidade e assim transmita graça aos que ouvem”

Acredito que todos nós desejamos ser pessoas sábias, agradáveis que tenham sempre
graça ao falar com o próximo. Ou como dz provérbios 24:26 “ a resposta dada com palavras
retas é como um beijo nos lábios”.

Bem, a boa notícia é que a Bíblia nos orienta de como podemos fazer isso. Neste versiculo
que lemos de Efesios 4:29 Paulo fala de 3 filtros aonde todas as nossas palavras devem
passar. Se falharmos em alguma delas é povável que não alcançaremos o objetivo
pretendido.

O 1o filtro é a qualidade das palavras que usamos.
Devemos ser santos também no nosso vocabulário. É o que Paulo está chamando de
palavras torpes. Ou seja, palavras indecorosas, ofensivas, sujas ou indignas. No capitulo 5
vs 4 Paulo vai mais adiante… elimine toda palavra vã – vazia sem propósito, bem como
também toda chocarrice – que inclui zombaria, ironia, duplo sentido ou desrespeito. No final
de Eclesiastes se diz que as palavras do sábio são como pregos bem fixados. Não
desperdice suas palavras, coloque-as , cada uma, no seu correto lugar. Lembre-se que
prestaremos conta de cada palavra insolente proferida como nos é advertido em Judas vs
15.

O 2o filtro é o desejo de edificar.
Muitas vezes, estamos com a razão, a pessoa está errada e o que você está falando é o
certo. MAS , o nosso coração está tomado de ira, indignação, vingança ou mágoa.
Precisamos ser sinceros com respeito a nossa intenção. Se a nossa fala não deseja edificar
porém deseja humilhar ou destruir então é melhor não abrirmos a boca.

O 3o filtro é entender o momento certo.
Falar conforme a necessidade é entender qual é o momento certo de expressar uma
opinião, repreensão ou ensino. Citando mais uma vez Eclesiastes, o coração do sábio
conhece o TEMPO e o MODO. Às vezes chamamos atenção dos nosso filhos ou do nosso
cônjuge na frente de outras pessoas em momentos inadequados e desperdiçamos a
oportunidade de conversarmos sobre o ocorrido em um momento preparado e regado com
oração e temor.

No Sermão do Monte o Senhor Jesus adverte aos seus discípulos que Deus julgará do
mesmo crime de homicídio o homem que proferiu insultos ao seu irmão. Isso porque, da
mesma forma que uma facada tenta matar o corpo, palavras malignas têm poder para matar
corações, sentimentos e relacionamentos.

Que o Senhor nos livre de sermos agentes do mal, esparramando morte, violência e
opressão. Usar essas três regras antes de abrirmos a boca não é garantia que salvaremos
as pessoas ao nosso redor. Mas é a garantia que salvaremos a nós mesmos“

 

“Põe guarda, SENHOR, à minha boca; vigia a porta dos meus lábios.” Sl 141:3

 

Prontos para ouvir

maio 30, 2019 0 comentários

“Todo homem, seja pronto para ouvir e tardio para falar” Tiago 1: 19

Vivemos a era digital. Nossas interações estão cada vez mais sendo pautadas pelas redes
sociais e mensagens via WhatsApp. Paramos de olhar no olho do outro e de investir tempo
de qualidade nos nossos diálogos. Somos apressados no falar. Apenas nossa opinião e
sentimentos importam. Temos invertido a orientação bíblica. Somos prontos para falar e
tardios para ouvir. Com isso nossos relacionamentos estão se tornando cada vez mais
superficiais e individualistas.

Precisamos voltar a considerar o conselho bíblico: não importa se você é pai, mãe, pastor,
presidente, diretor … todo homem deve estar pronto para ouvir. Agora, é preciso esclarecer; ouvir é muito mais do que escutar é criar conexão emocional com o próximo. Para que isso aconteça eu gostaria de te dar algumas sugestões:

Quando estiver conversando com alguém, transforme essa pessoa no centro da sua atenção. Ela deve ser a única coisa que importa para você naquele momento. Faça todo o esforço de entender a situação na perspectiva dela. Sinta o que ela está sentindo. Não a interrompa. Ultrapasse as palavras, ouça o seu coração e a sua alma esforce-se para perceber o que ela está tentando transmitir. Não se apresse em opinar, repreender ou orientar. Você nunca compreenderá a outra pessoa se a sua interação for apenas na superfície … transitando apenas no nivel das palavras. Lembre-se que algumas coisas têm sentidos diferentes para as pessoas. Então ouça com muita sensibilidade. Procure entender como a outra pessoa está se sentindo e não como você se sente por causa do problema dela. Não a escute dentro do seu próprio marco de referência, filtrando o que te interessa pelo filtro dos seus próprios sentimentos. Não suponha, não deduza. Se tiver dúvida, pergunte. Descubra o que ela realmente está querendo dizer, qual é o motivo e o sentimento que a levam sentir-se dessa maneira. Não tente ver os problemas do outro pelo filtro que você enxerga os seus. Mas tente enxergar pelo filtro que a outra pessoa está vendo. Dê a oportunidade da pessoa se esvaziar e falar desimpedidamente.

Você se lembra da experiência de Jó? o Senhor Deus aguarda Jó e seus amigos falarem tudo o que queriam. E apenas depois que a Bíblia diz: “fim das palavras de Jó“ é que o Senhor fala e faz suas considerações. O Senhor Deus como um bom ouvinte, esperou Jó se esvaziar e expor tudo o que estava sentindo para só então preencher o seu coração quebrantado com palavras transformadoras.

O nosso desafio é enorme. Porque fazemos parte de uma geração que perdeu a habilidade de ouvir empaticamente. Escutamos mas não ouvimos. Entendemos mas não discernimos. Ficamos impacientes porque ouvir ao outro parece ser uma perda de nosso precioso tempo. E manifestamos nosso desinteresse através da pressa em estabelecer e falar o nosso pensamento. O nosso egoísmo emocional nos impede de chorar com os que choram e de se alegrar com os que se alegram. Não é de se estranhar que, geralmente, o nosso falar se torna em um discurso vazio. E, não raro, destruímos ao invés de edificar.

Ser pronto para ouvir é, com o máximo de diligência e compaixão possível, se identificar com as limitações, dores, pecados e tristezas do próximo. E quando conseguimos criar essa verdadeira conexão no diálogo … então, finalmente, estaremos prontos para falar, esperando e dependendo que, ao abrirmos a boca seremos apenas um instrumento do próprio Espírito Santo de maneira que venhamos abençoar , de verdade , uma outra pessoa.

“Como maçãs de ouro em salvas de prata assim é a palavra dita a seu tempo” Pv 25:11

 

Gratidão

novembro 20, 2018 0 comentários

“Estás ciente de que todos os da Ásia me abandonaram; dentre eles cito Figelo e Hermógenes. Conceda o Senhor misericórdia à casa de Onesíforo porque muitas vezes me deu ânimo e nunca se envergonhou das minhas algemas. Antes tendo chegado a Roma me procurou solicitamente até me encontrar. O Senhor lhe conceda, naquele dia, achar misericórdia da parte do Senhor. E tu sabes melhor do que eu, quantos serviços me prestou ele em Éfeso. ” II Timóteo 1:15-18

Olhando para trás tento perceber o quanto de gratidão tenho em meu coração pelo serviço que várias pessoas já prestaram em meu favor. E, se a Bíblia afirma que nos últimos dias os homens serão ingratos (II Tm 3:2), então percebo que a minha atenção para com esse assunto deve redobrar.

Gratidão é a qualidade de estar grato ou o reconhecimento por um benefício recebido. Sendo assim, devemos sempre ter um coração grato para com Deus: “pois Ele mesmo quem a todos dá vida, respiração e tudo mais” (At 17:25). Além disso Deus revelou ao homem Seu propósito e Sua salvação através da obra redentora do calvário. Paulo ordenou aos Colossenses: “louve a Deus com salmos e hinos e cânticos espirituais, com gratidão em vossos corações” (Cl 3:16). Quanto mais dependente for nossa alma maior será a sua capacidade de reconhecer as bênçãos divinas; “Bendize ó minha alma ao Senhor e não se esqueça de nem um só de seus benefícios” (Sl 103:2) – é o clamor de Davi para que sua alma tenha uma boa memória e possa reconhecer a bondade de Deus.

Também precisamos nos exercitar em reconhecer os benefícios que recebemos uns dos outros. Paulo na passagem acima, menciona explicitamente a Timóteo, sua gratidão pela vida de Onesíforo. O grande apóstolo dos gentios; talvez o homem mais usado na história do cristianismo, no final da sua vida, ainda é capaz de reconhecer os serviços dos outros em favor dele. É interessante destacar o que o nome de Onesíforo significa – portador de préstimos. Deus sempre colocará ao nosso redor pessoas portadoras de Suas bênçãos.

Contrastando com o exemplo de Onesíforo, Paulo menciona sobre a perturbação que Alexandre, o latoeiro, trouxe a sua vida. Alexandre foi um blasfemador (I Tm 1:20), de coração resistente (II Tm 4:15) e causador de muitos males (II Tm 4:14). Também acho interessante destacar o oficio de Alexandre – latoeiro ou funileiro. Alexandre não apenas fazia funis mas também afunilou sua gratidão. Paulo, que passara quase dois anos em Éfeso, pregando, ensinando e correndo risco de vida (At 19) agora se via confrontado por, provavelmente um de seus filhos na fé. E assim como um funil, Alexandre que tanto recebeu não aprendeu a dar proporcionalmente. Reteve mais do que devia e por isso mesmo perdeu o santo equilíbrio.

Quando estudava o livro de Timóteo voltei minha atenção para essa questão da gratidão: será que tenho reconhecido e honrado adequadamente os “Onesíforos” que Deus tem levantado ao longo da minha jornada? Cada palavra de instrução, cada palavra de admoestação, cada palavra de consolo, cada oração feita em meu favor, cada visita, cada sorriso… Será que tenho esquecido os muitos benefícios que tenho recebido ao ponto de afunilá-los e perceber apenas poucos?

Pensando nesse assunto, pude me recordar de tantos nomes: das professoras da minha infância na escola dominical que me ensinaram as primeiras histórias bíblicas, dos tantos irmãos que me apascentaram e guiaram na minha adolescência, na minha mocidade e o fazem ainda hoje. Da minha saudosa avó e dos meus amados pais. Naquele momento pude agradecer a Deus por cada nome que veio à minha mente. Assim como Paulo fez por Onesíforo, também orei pelos meus irmãos para que Deus conceda misericórdia a eles e os recompensem quando aquele dia chegar.

Pensando ainda sobre essa questão de termos um coração grato e honrarmos uns aos outros conclui que isso alegra o coração de Deus porque Ele também é, por natureza, um ser dadivoso. Deus é como um funil ao contrário; o pouco que Lhe oferecemos Ele nos devolverá derramando muito mais do que merecemos. O homem oferece a Deus dentro da sua medida. Deus, por seu lado, nos devolve dentro da Sua.

“Amai, porem os vosso inimigos, fazei o bem e emprestai sem esperar nenhuma paga; será grande o vosso galardão, e sereis filhos do Altíssimo. Pois ele é benigno até para com os ingratos e maus. Sede misericordiosos, como também é misericordioso vosso Pai. Não julgueis, e não sereis julgados; não condeneis e não sereis condenados; perdoai e sereis perdoados; dai e dar-se-vos-á; boa medida, recalcada, sacudida, transbordante, generosamente vos darão.” Lucas 6:35 – 38

Único

novembro 2, 2018 0 comentários

“Alegrai-vos porque os vossos nomes estão arrolados nos céus.” Lucas 10:20

Vivemos muitas vezes influenciados pela opinião dos outros. Passamos muito tempo nos esforçando para sermos como as pessoas esperam que sejamos. Assim, corremos o risco de sermos alguém que simplesmente não somos. Violentamos os nossos sentimentos e a nós mesmos, desprezamos nossos talentos naturais porque queremos ter os talentos da pessoa ao lado.

Por muitos anos acreditei que um cristão maduro deveria ser uma pessoa sisuda e sombria. Pelo fato de ter seus sentimentos sob controle, o cristão maduro não poderia nunca dar uma gargalhada ou chorar copiosamente porque seria uma demonstração patente de carnalidade. Então me esforçava para tentar ser alguma coisa que, essencialmente, era forçado e não natural.

Quando lemos as escrituras, percebemos uma infinidade de histórias e personagens que tinham temperamentos peculiares. Para tentar ser mais claro, usarei a nomenclatura que Tim LaHaye explica no seu livro: “Temperamento controlado pelo Espírito.” Ele explica que, basicamente, existem quatro tipos de temperamentos:

Sanguíneo. O sanguíneo é uma pessoa sempre bem disposta, animada, cordial e amiga. Porém é inconstante emocionalmente, negligente e imprudente. Um bom exemplo é o apóstolo Pedro que, em muitas situações, falou sem pensar e agiu impulsivamente.

Colérico. Pessoa com muita força de vontade, firme, decidido e de aguçado raciocínio. Naturalmente ele é um grande líder no seu meio. Mas também ele é violento, cruel, impetuoso e auto-suficiente. Antes de sua conversão, o apóstolo Paulo se mostrou um ótimo exemplo do colérico: forte em seus ideais ao ponto de perseguir e consentir com a morte daqueles que não concordavam com ele.

Melancólico. Pessoa perfeccionista, metódica e introspectiva. Os maiores gênios da história da humanidade foram melancólicos. São altamente analíticos e reservados. Mas também são egoístas, pessimistas e inseguros. O apóstolo Tomé é um bom exemplo. Ele mostrou seu pessimismo ao pensar que morreria em Betânia como aconteceu com Lázaro (Jo 11:16) e depois mostrou toda a sua insegurança sendo o apóstolo mais incrédulo entre os onze quanto à ressurreição de Cristo.

Fleumático. Geralmente são pessoas espirituosas, práticas e eficientes. São bons observadores e por isso bons conselheiros. Aparenta ser o temperamento mais equilibrado de todos porém eles são morosos, indolentes, provocadores e covardes. Abraão, é uma boa ilustração. Este patriarca foi dominado pelo medo a maior parte de sua existência. Sendo que, duas vezes, ele negou que Sara fosse sua esposa com medo de ser morto.

Observando a vida do Senhor Jesus percebemos o perfeito equilíbrio no perfeito varão. Ele reunia todas as qualidades dos temperamentos. Mas e quanto a nós? Existe um temperamento melhor do que o outro? Creio que a resposta é não. Todos temperamentos possuem qualidades e defeitos. Precisamos permitir que o Espírito Santo controle nosso temperamento. Quando isso acontece daremos um belo testemunho de Deus independente da nossa personalidade. Foi dessa maneira que Pedro tornou-se em um grande líder da Igreja primitiva aprendendo a ser mais prudente e fiel. Paulo deixou seu perfil implacável sendo drasticamente transformado em uma pessoa maleável e dócil. O inseguro Tomé tornou-se em uma poderosa testemunha do Senhor sendo martirizado na Índia e Abraão aprendeu a andar pela fé não pela razão. Na verdade, o Espírito Santo possui uma força diferente para cada fraqueza do homem.

Parei de tentar ser o que não sou. Minhas digitais e arcada dentária são provas materiais da minha individualidade. Ter o meu nome escrito no Livro da Vida e arrolado nos céus é uma prova espiritual que sou único diante de Deus. Quando tento negar quem eu sou desprezo a obra do Deus como meu Criador e rejeito a obra de santificação que Ele deseja realizar como meu Deus Redentor.

Quando compreendo essa lição também passo a apreciar mais meus irmãos porque reconheço neles características que eu nunca terei. E, quando somos controlados pelo Espírito, juntos podemos dar um testemunho harmonioso e singular da nossa pluralidade e, ao mesmo tempo, dar um testemunho plural da nossa singularidade.

Quando encontramos com o Senhor ficaremos surpreendidos com essa verdade: que embora sendo muitos, cada peregrino é único diante Dele.

“Ao vencedor dar-lhe-ei do maná escondido, bem como lhe darei uma pedrinha branca e sobre essa pedrinha escrito um nome novo, o qual ninguém conhece, exceto aquele que o recebe.” Apocalipse 2:17

Uns aos outros

dezembro 12, 2017 0 comentários

“Sabe porém isto: nos últimos dias sobrevirão tempos difíceis pois os homens serão egoístas, avarentos, jactanciosos, arrogantes, blasfemadores, desobedientes aos pais, ingratos, irreverentes, desafeiçoados, implacáveis, caluniadores, sem domínio de si, cruéis, inimigos do bem, traidores, atrevidos, enfatuados, antes amigos dos prazeres que amigos de Deus” II Timóteo 3:1-4

O Senhor Deus já nos advertiu através da sua palavra profética de como os homens seriam nos últimos dias. O que talvez a gente não perceba é que não se é falado de apenas alguns homens ou de como os incrédulos seriam. Mas, se é dito, que a raça humana seria moldada por essas anomalias malignas que transformariam a cultura e a mentalidade do gênero humano. Perdoe-me quem quer que seja que esteja lendo esse texto, mas essa lista diz respeito a você e a mim. Apenas o Senhor Deus, através da vida de Cristo, pelo poder do Espírito Santo pode resgatar o ser humano do atual estado que se encontra.

Engana-se o desavisado que pensa que Deus não preparou provisão para nos tratar profundamente para que não venhamos ser amoldados pelo formato desse mundo. Deus sabe que precisamos sofrer uma profunda e completa transformação, não só de vida mas de também de caráter. E essa transformação passa, necessariamente e invariavelmente, pela vida comunitária do corpo de Cristo – a Igreja.

O Senhor Jesus não nos salvou para sermos desconectados, isolados ou distantes dos outros peregrinos também redimidos pelo seu sangue. Por isso que expressões como: “mutuamente”, “uns aos outros” ou “uns para com os outros” aparecem continuamente em todo o ensinamento apostólico. Para cada atributo que se levanta como característica da raça humana podemos perceber uma contra-posição sugerida pelo Senhor para combatermos essas ameaças:

Se o mundo quer que pensemos apenas em nossos próprios interesses (egoístas) a palavra de Deus nos convida a abrirmos nossa casa, tempo e comodidade e sermos hospitaleiros “sede mutuamente hospitaleiros”(I pe 4:9).

Se o mundo quer que sirvamos cada vez mais as riquezas (avareza) a palavra de Deus nos conclama a compartilharmos as necessidades dos santos (Rm 12:13) cooperando com o sustento uns dos outros “cooperem os membros, com igual cuidado, em favor uns dos outros”(I co 12:25).

Contra a jactância a bíblia diz: “acolhei-vos uns aos outros”(Rm 15:7)

Contra a arrogância e o orgulho diz: “cingi-vos de humildade no trato de uns para com os outros”(I pe 5:5)

Contra a blasfêmia diz: “sede uns para com os outros compassivos ”(Ef 4:32)

Os desobedientes necessitam de correção: “estejais aptos para admoestardes uns aos outros”(Rm 15:14)

Aos invés de sermos ingratos devemos aprender a honrar:“preferindo-vos em honra uns aos outros”(Rm 12:10)

Àqueles que não possuem respeito (irreverentes): sujeição. “Sujeitando-vos uns aos outros no temor de Cristo”(Ef 5:21)

Aos desafeiçoados, exortação: “exortai-vos mutuamente”(Hb 3:13)

Aos que não conseguem perdoar (implacáveis): “perdoando-vos uns aos outros”(Ef 4:32)

Aos mentirosos e caluniadores: “fale cada um a verdade com o seu próximo porque somos membros uns dos outros”(Ef 4:25)

Àqueles que não controlam seus impulsos (sem domínio de si): “suportai-vos uns aos outros” (Cl 3:13)

Aos cruéis: “levai as cargas uns dos outros”(Gl 6:2)

Aos inimigos do bem: “sede uns para com os outros benignos” (Ef 4:32)

Aos traidores a bíblia ensina consideração: “tendo o mesmo sentimento uns para com os outros ”(Rm 12:16)

Aos invés de sermos atrevidos sermos edificadores: “consolai-vos uns aos outros edificai-vos reciprocamente”(I Ts 5:11)

Ao invés de estarmos satisfeitos com o nosso conhecimento (enfatuados) temos que desejar receber mais instrução: “instruí-vos e aconselhai-vos mutuamente”(Cl 3:16)

Para os amigos dos prazeres arrependimento e confissão: uma vida de transparência entre os irmãos “confessai os vossos pecados uns aos outros e orai uns pelos outros, para serdes curados” (Tg 5:16)

Uma vida cheia dos “uns aos outros” trará muito desconforto à nossa alma porque não é natural para nós palavras como: perdão, humildade, dar a nossa honra a outro. Tudo isso vai em direção contrária ao espírito que move esse mundo. E haverá uma luta constante e terrível dentro de nós. Qualquer comunidade cristã que aceita a superficialidade dos relacionamentos poderá gozar até de crescimento numérico e de uma aparente sensação de bem-estar. Porém, é na profundidade da experiência dos “uns aos outros” que seremos transformados, disciplinados, humilhados e santificados. Repensemos nossa consagração e envolvimento “uns com os outros”. Esse é o caminho estreito e apertado utilizado pelo Espírito Santo para que não venhamos a andar segundo a nossa própria vaidade.

Propositadamente deixei por último o mais conhecido mandamento do “uns aos outros” – o amor. Eu pessoalmente não concordo com a clássica definição que o “ide” de Mateus 28 é a grande comissão do Senhor Jesus. Porque “ainda que entregue meu próprio corpo para ser queimado, se não tiver amor, nada disso me aproveitará” (I Co 13:3). Evangelismo, profecia, ensino, pastoreio ou qualquer outra coisa que fizermos necessita ser feito em amor para com o próximo.

Segue abaixo o que eu considero ser a grande comissão deixada pelo nosso Senhor e, pelo qual, tudo o mais encontra sentido.

“Novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros; assim como eu vos amei, que também vos ameis uns aos outros. Nisto conhecerão que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns aos outros.”João 13:34

“O meu mandamento é este, que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei.”João 15:12

“isto vos mando, que vos ameis uns aos outros” João 5:17

“ No tocante ao amor fraternal não há necessidade de que eu vos escreva, porquanto vós mesmos já estais por Deus instruídos que deveis amar-vos uns aos outros. ”I Tessalonicenses 4:9 

“ amai-vos de coração uns aos outros ardentemente ”I Pedro 1:22

“acima de tudo, porém, tende amor intenso uns para com os outros.”I Pedro 4:8

“a mensagem que ouvistes desde o principio é esta, que vos ameis uns aos outros ”I João 3:11

Ouro de Tolo

novembro 30, 2017 0 comentários
“Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! Entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus. Muitos naquele dia, hão de dizer-me: Senhor, Senhor! Porventura, não temos nós profetizado em teu nome, e em teu nome não expelimos demônios, e em teu nome não fizemos muitos milagres? Então lhes direi explicitamente: Nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniqüidade.” Mateus 7:21-23
Por volta de 1850, milhares de aventureiros viajaram para o oeste americano em busca de ouro. Eles se aglomeravam com outros tantos milhares de garimpeiros que, abandonando tudo, viajavam para a Califórnia na esperança de mudarem de vida. Ao chegarem aos seus mais variados destinos, os exploradores tinham que aprender que nem tudo que reluz é ouro. Isso porque nos leitos dos rios e em muitas rochas encontrava-se a pirita de ferro; um mineral que devido ao seu brilho e à cor amarelo-dourada parecia muito com o ouro. Com isso os garimpeiros desenvolveram técnicas para saber diferenciar entre os minerais como mordê-la ou riscá-la em alguma rocha para observar qual era a cor do risco feito. Todos temiam o engano. Ninguém desejava, depois de tanto sacrifício e trabalho duro, voltar pra casa com um falso ouro que não valia nada. Fica fácil entender porque a pirita de ferro ficou conhecida como o “Ouro de Tolo”.
Confesso que esse é um pensamento que sempre povoa a minha mente: estou no caminho certo? Estou garimpando o verdadeiro ouro de Deus ou estou sendo seduzido por aparências e enganos? Como tenho autenticado todas as situações ao meu redor? Nenhum peregrino deveria ficar desatento sobre esse assunto. A história da humanidade nos mostra que são as exceções e não a maioria que consegue discernir o real do fictício, a verdade do engano o que é de Deus e o que é imitação diabólica.
A Bíblia cita alguns heróis que souberam procurar pelo verdadeiro ouro no meio de muita falsificação e oposição. Cito apenas alguns:
Noé. Aparentemente o único homem justo e integro no meio de uma geração perversa. Por instrução divina, aparelhou uma arca escapando do castigo que sobreveio a todos. (Gn 6)
Calebe e Josué. Foram as únicas testemunhas oculares da glória e dos prodígios que o Senhor fez no Egito que entraram na Terra Prometida (Nm 13:21-23). Milhares de outras testemunhas morreram incrédulas no deserto.
Elias. Em uma das mais duras fases experimentada por Israel, o próprio Deus revela a Elias que apenas 7000 fieis não dobraram os seus joelhos a Baal (I Rs 19:18).
Daniel. Jerusalém foi destruída e os judeus foram levados cativos à Babilônia, Daniel e seus amigos conservaram-se puros e resolveram firmemente não se contaminarem com o novo estilo de vida oferecido a eles (Dn 1).
Zorobabel. O exílio na Babilônia terminou. Deus abre as portas para que Seu povo volte à Jerusalém. Uma minoria liderada por Zorobabel decide voltar e reconstruir a cidade do grande Rei (Es 2:1-2).
Temos a tendência de condenar a infidelidade do povo de Israel no passado como se a Igreja não corresse os mesmos riscos. O Espírito Santo dá uma rasteira em tal pensamento ao afirmar explicitamente que o que aconteceu no passado pode acontecer conosco também: “Estas cousas lhes sobrevieram como exemplos, e foram escritas para advertência nossa, de nós outros sobre quem os fins dos séculos têm chegado. Aquele pois, que pensa estar de pé, veja que não caia”( I Co 10:11-12). É como se Paulo estivesse dizendo: “Aquele pois, que pensa estar se enriquecendo, certifique-se de que seja do ouro verdadeiro.”
Sobre esse assunto tenho muito que falar, meus pensamentos gritam cada vez mais alto diante da eminente revelação do iníquo. Da forma como enxergo as escrituras, concluo que, infelizmente, a Igreja tem perseguido o brilho do falso ouro. Temos gasto tanto tempo, tanta energia garimpando em locais distantes do centro da vontade de Deus… A passagem postada no inicio deste texto deveria, no mínimo, gerar uma temerosa reflexão diante do Senhor sobre o que temos buscado.
Quando fico atordoado com as confusões ao meu redor corro para as escrituras com a certeza que encontrarei nelas uma âncora segura para a minha fé. Ali, lendo e pensando nesses verdadeiros servos de Deus aprendo valiosas lições sobre o nosso caminhar nesta terra. Vejo que quase sempre o ouro de Deus está longe da multidão. Geralmente o povo se contenta com o brilho e a aparência da pirita de ferro. Não testam o mineral. Acham-se ricos quando na verdade são pobres. Ao contrário dos acomodados que seguem o fluxo das tendências e correm atrás das doutrinas da moda penso nos verdadeiros garimpeiros que assim como Noé, Elias e Daniel experimentaram a solidão e o desprezo dos demais. Porém, perseveraram até o final recebendo a justa recompensa pela sua jornada. Definitivamente a voz do povo não é a voz de Deus.
Falando assim, não quero deixar a impressão que eu tenha o “mapa da mina” até mesmo porque creio que o Senhor nâo o revela de uma vez mas dia-a-dia durante a nossa peregrinação. Dessa forma, continuo a minha viagem rumo à Nova Jerusalém, tentando me enriquecer do verdadeiro ouro para que, quando chegar diante do meu Senhor, eu tenha algo de valor para lhe apresentar.
“Porque ninguém pode lançar outro fundamento, além do que foi posto, o qual é Jesus Cristo. Contudo se o que alguém edifica sobre o fundamento é ouro, prata, pedras preciosas, madeira, feno palha, manifesta se tornará a obra de cada um; pois o dia a demonstrará, porque está sendo revelada pelo fogo; e qual seja a obra de cada um o próprio fogo o provará. Se permanecer a obra de alguém que sobre o fundamento edificou, esse receberá galardão; se a obra de alguém queimar, sofrerá ele o dano; mas esse mesmo será salvo; todavia como que através do fogo.” I Coríntios 3: 11 – 15

Ligamentos

dezembro 1, 2013 0 comentários

“(…) e não retendo a Cabeça, da qual todo o corpo, suprido e bem vinculado por suas juntas e ligamentos, cresce o crescimento que procede de Deus.” Gálatas 2:19

Sofri um entorse no pé direito há um mês atrás. Ao longo desse tempo, venho passando por várias fases aguardando a recuperação completa do meu pé. Imediatamente após o entorse o pé inchou tanto que o meu tornozelo desapareceu. Nessa fase de dor aguda, não conseguia colocar o pé no chão. Ele estava completamente inutilizado. Após muito antiinflamatório, gelo e repouso, o meu pé foi desinchando porém ficou todo roxo. Apesar da sua fragilidade eu conseguia apoiá-lo no chão e já conseguia sair mancando por aí. Estou na terceira fase em que o pé já não está mais inchado nem roxo, e consigo quase andar normalmente. Pelo que tenho lido essa é a fase mais delicada da recuperação porque o pé aparentemente está bom porém os ligamentos ainda não estão cicatrizados e uma nova lesão pode ocorrer.

Nesses dias de fragilidade física pude meditar um pouco mais nessa verdade espiritual falada tantas vezes pelo apóstolo Paulo: a igreja como o corpo de Cristo. “Vós sois o corpo de Cristo; e, individualmente, membros desse corpo” (I Co 12:27). Sendo que Cristo é a cabeça: “Ele é a cabeça do corpo, da igreja” (Cl 1:18). E como acontece com o nosso corpo, todos nós temos funções: “conquanto muitos, somos um só corpo em Cristo e membros uns dos outro, tendo, porém, diferentes dons segundo a graça que nos foi dada” (Rm 12:5-6). Para que a igreja pudesse compreender seu papel na terra o Espírito Santo nos trouxe essa figura maravilhosa de unidade, harmonia, trabalho e dependência que deve nos acompanhar em toda nossa peregrinação.

Fiquei pensando em meu pé e de como não consigo fazer tudo que gostaria devido à sua fragilidade. Minha cabeça está ótima, o resto do meu corpo também. Porém alguns poucos feixes do tecido fibroso que reforçam meu tornozelo impedem que eu ande normalmente. Na minha cabeça ordeno que o meu pé faça um determinado movimento porém não sou obedecido. A lesão trouxe uma desarmonia em todo o meu corpo. Sobrecarrego demais a minha perna esquerda, não consigo fazer meus exercícios físicos para uma melhor saúde do meu corpo afetando assim o meu peso, humor e cotidiano. Como Paulo diz: “cooperem os membros, com igual cuidado, em favor uns dos outros. De maneira que, se um membro sofre, todos sofrem com ele” (I Co 12:25,26).

Penso que nosso problema não está na lesão em si mas na forma como nos recuperamos dela. Todos nós estamos sujeitos a torções e tropeços na nossa caminhada. Todo peregrino passa por momentos em que necessita de repouso e recuperação. O melhor a si fazer é buscar restauração completa. Às vezes a lesão é visível. O inchaço e os hematomas aparecem em um determinado membro e a única solução é a imobilização e o tratamento. Porém, o perigo maior está nas lesões ocultas, mal cicatrizadas. Externamente não percebemos qualquer problema mas a lesão está lá. Agir como se não tivesse nenhum problema é um grande erro que manifestará graves conseqüências ao corpo futuramente.

Apesar de toda minha ansiedade em voltar a correr e ter uma vida normal, admito que ainda não estou preparado. Apesar do progresso, meu pé necessita de descanso para total recuperação. Para que no dia de amanhã meu corpo não sofra uma dor ainda maior devido à fraqueza dos meus ligamentos. Para que toda ordem da minha cabeça seja completamente obedecida pelo meu pé.

Essa preocupação com o meu corpo físico me adverte severamente sobre a minha função na igreja. Muitas vezes, preciso de tratamento e disciplina para uma completa restauração. Por várias vezes Deus tentou tratar as lesões no povo de Israel mas eles rejeitavam o tratamento preferindo a cura superficial das feridas (Jr 8:11). O Senhor Jesus não só deseja ser o meu Cabeça trazendo orientação e direção como também tem poder para me curar e restaurar-me completamente fazendo-me um membro útil ao Seu propósito.

A decisão está comigo.


“Estava ali um homem, enfermo havia trinta e oito anos. Jesus vendo-o deitado e sabendo que estava assim havia muito tempo, perguntou-lhe: Queres ser curado?” João 5:5,6

”Tu os feriste, e não lhes doeu; consumiste-os, e não quiseram receber a disciplina; endureceram os seus rostos mais do que uma rocha; não quiseram voltar.” Jeremias 5:3