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Graça

Pedradas

julho 5, 2019 0 comentários

“Ouvindo eles isto enfureceram-se nos seu corações e rilhavam os dentes contra ele. Mas, Estevão, cheio do Espírito Santo fitou os olhos no céu e viu a glória de Deus, e Jesus, que estava a sua direita. Eles porém, clamando em alta voz, taparam os ouvidos e unânimes arremeteram contra ele. E, lançando-o fora da cidade, o apedrejaram. Então, ajoelhando-se, Estevão clamou: Senhor, não lhes imputes este pecado. Com estas palavras adormeceu.” Atos 7: 54 

Estevão foi um dos sete homens de boa reputação, cheios do Espírito e de sabedoria que foram escolhidos pela igreja para servirem às viúvas helenistas. Ele é o 1o nome mencionado na lista e o único que o escritor acrescenta a expressão “homem cheio de fé e do Espírito Santo”. Poucos versículos à frente é mencionado novamente “Estevão, cheio de graça e poder fazia prodígios e grandes sinais entre o povo”. Quando alguns da sinagoga tentaram discutir com ele não puderam sobrepor-se à sabedoria e ao Espírito com que Estevão falava. Então eles subornaram homens para darem falso testemunho e o levaram para o tribunal judaico. Lucas volta a dizer que todos os que estavam assentados no Sinédrio, fitando os olhos em Estevão viram o seu rosto como se fosse rosto de anjo.

Lendo sobre uma pessoa com um currículo destes é difícil entendermos o desfecho desta história. Os judeus, movidos de ódio e não encontrando com que o acusar, subornam algumas pessoas para darem falso testemunho. Levando-o a um rápido julgamento e a uma rápida condenação: morte por apedrejamento. 

Eu tento me colocar no lugar de Estevão… lembre-se, até aquele momento, ninguém ainda havia morrido por testemunhar da fé em Jesus Cristo. Quando aqueles judeus iniciaram o cruel ritual, nenhum campo de força foi criado protegendo o corpo de Estevão, nem as pedras se transformaram em pedaços de espuma. Não, nada disso. As pedras, cada uma delas, foram rasgando sua pele, abrindo profundos cortes em sua cabeça e desfigurando o seu rosto. Qual seria o meu sentimento em um momento tão vergonhoso e de aparente derrota diante não só dos meus inimigos mas também diante de toda a igreja em Jerusalém? Como avaliar meu serviço com um fim tão trágico e um ministério tão curto ? O que eu teria pensado? O que eu teria orado? 

Fico impressionado com a reação do amado Estevão. Não vemos um homem apavorado, desesperado ou decepcionado com Deus. Mas percebemos alguém que teve o privilégio de ver o Senhor Jesus de pé para o receber na glória. E, com, mansidão e humildade aceitou o seu destino. Talvez ele não soubesse, mas foi através da sua morte que a Igreja saiu de Jerusalém espalhando a verdade do evangelho em outras cidades. Talvez ele também não soubesse  que o seu testemunho impactaria profundamente um jovem judeu zeloso da lei chamado Saulo de Tarso. 

E, finalmente, meditando na história de Estevão eu concluí uma questão muito importante:  um homem cheio de fé, de graça, de poder, de sabedoria e, principalmente, cheio do Espírito Santo não é um homem que não leva pedradas … mas, sim , é um homem que intercede e perdoa àqueles que lhe estão atirando as pedras.

“Foram apedrejados, provados, serrados pelo meio, mortos ao fio da espada;  necessitados, afligidos, maltratados – homens dos quais o mundo não era digno” Hebreus 11:37, 38

Cordeiro pascal

abril 18, 2019 0 comentários

“ Cristo, subsistindo em forma de Deus não julgou como usurpação o ser igual a Deus; antes a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e reconhecido em semelhança de homens, e reconhecido em figura humana, a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até a morte e morte de cruz” Filipenses 2: 5 – 8

A crucificação era uma forma generalizada e comum de execução na antiguidade. Mas foi Roma que tornou a crucificação a forma convencional de punição do Estado.

O objetivo da crucificação não era tanto matar o condenado, mas servia para demonstrar  para o resto da população o que acontecia com quem ousava desafiar o império. Por isso que era frequente pregar uma pessoa na cruz mesmo após a sua execução

Por essa razão, as crucificações eram sempre realizadas em público – escolhendo lugares altos  para que todos que passassem pudessem testemunhar o destino do insubordinado. O condenado era sempre deixado pendurado por muito tempo após a morte, sendo que raramente eles eram sepultados. O cadáver, então, era deixado pendurado para ser comido por cães e bicado até aos ossos por aves de rapina. Os ossos depois eram jogados em uma pilha de lixo que é como o Gólgota (em aramaico) ou Calvário (em latim) era conhecido esse lugar em Jerusalém – que significa o local dos crânios ou local da caveira.

Como era o caso de todos os condenados à crucificação, Jesus foi forçado a levar a trave da própria cruz para uma colina situada fora das muralhas de Jerusalém, junto à estrada que levava aos portões da cidade. Dessa forma, cada peregrino que entrasse em Jerusalém para as festividades sagradas não teria escolha a não ser testemunhar a sua condenação.

E assim, em uma colina sem árvores, coberta de cruzes e ossos, crucificado entre dois malfeitores, com um bando de corvos circulando ansiosamente sobre eles, o sol se escurece …. o dia se faz noite, e o filho de Deus,  no seu último suspiro proclama em alta voz: ESTÁ CONSUMADO! O verbo, aquele que é desde o princípio, assumiu a forma ferida da humanidade para levar sobre si as reivindicações da Justiça de Deus.

Paulo escreve aos coríntios dizendo que Jesus Cristo é o nosso cordeiro pascal  I Co 5: 7 de maneira que, para nós, cristãos, a Páscoa se torna a história das histórias e a boa nova mais poderosa que qualquer um de nós jamais escutou.  Enquanto os judeus se preparavam para celebrar a páscoa sacrificando os seus cordeiros. Naquele dia singular também Deus imolou o seu Cordeiro. A diferença é que o Cordeiro de Deus, tem poder para tirar o pecado do mundo.

Nos lembramos da história do Deus  que deixou o esplendor de sua Glória e se fez carne. Naquele dia, ele desceu: desceu da sua glória, do seu trono e se fez homem. Depois desceu mais tornando-se servo. Desceu ainda mais se oferecendo como sacrifício e experimentando a morte por todos os homens. Ele desceu, desceu e desceu. Até chegar no fundo do mais profundo abismo, nas mais densas trevas. E ali me encontrou … afogado na lama da perdição, paralisado pelo pecado e acorrentado na morte … e por meio do seu sacrifício , Ele me salvou, me libertou e mudou completamente a minha história.

“O povo que andava em trevas viu grande luz, e aos que viviam na região da sombra da morte, resplandeceu-lhes a luz. Tens multiplicado este povo, a alegria lhe aumentaste; alegram-se eles diante de ti, como se alegram na ceifa e como exultam quando repartem os despojos. Porque tu quebraste o jugo que pesava sobre eles, a vara que lhes feria os ombros e o cetro do seu opressor. Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; o governo está sobre os seus ombros; e o seu nome será: Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz;”   Isaías 9: 2 – 6

À procura de Deus

novembro 30, 2018 0 comentários

“Fui buscado dos que não perguntavam por mim, fui achado daqueles que não me buscavam; a um povo que não se chamava do meu nome eu disse: Eis-me aqui, eis-me aqui.” Isaias 65: 1

Recentemente, um irmão me fez a seguinte indagação: “ Tenho perguntado sobre isso a muitas pessoas e ninguém me deu uma resposta satisfatória; afinal de contas, como faço para buscar a Deus?” Esse tipo de pergunta todo cristão com alguns anos de vida cristã responde facilmente. No meu caso não foi diferente, comecei dizendo da importância da oração, do devocional diário , do reunir etc. Mas enquanto eu falava percebi que todas aquelas coisas ele já sabia, eu não estava dizendo nada de novo. Ele não precisava de teoria isso ele já tinha e, obviamente, não estava o levando até a Deus. Aprender a cultivar a presença de Deus deveria ser um tema prioritário em nossas meditações. Mas como procurar um ser onipresente?

Jonas aprendeu sobre a onipresença de Deus da maneira mais difícil. Escondido dentro do porão de um barco tentando fugir “para longe da presença do Senhor” (Jn1:3) ele percebeu que “os olhos do Senhor estão em todo lugar contemplando os maus e os bons (Pv 15:3)”. E, depois de um tratamento super-intensivo de três dias, ele também aprendeu que os ouvidos do Senhor estão abertos para ouvir as súplicas do quebrantado seja aonde for – dentro do metrô, de um banheiro público ou dentro do ventre de um peixe. Davi também desistiu de fugir de Deus: “Para onde me ausentarei do teu Espírito? Para onde fugirei da Tua face? ( Sl 139: 7)”.

Seria mais prático se existe um formato pré-concebido para buscar a Deus, uma espécie de roteiro que dispensasse sinceridade e desejo deixando apenas o esforço. Mas se isso acontecesse não desenvolveríamos um relacionamento saudável, pessoal e respeitoso com Ele. Como o gênio da lâmpada, Deus se tornaria um escravo de nossas vontades, tempo e decisões. Por isso, apesar de Deus estar ao nosso lado em todo o lugar e em todo o tempo, cada um de nós precisa exercitar a sua fé para sentí-Lo, vê-lo e ouví-Lo caso contrário não O perceberá.

Diante disso, consigo compreender um pouco melhor quando o Senhor Jesus lamentou quando chegou em Jerusalém. Ali nos é revelado algo do caráter divino. Deus compara seu sentimento para com o homem com o sentimento de proteção e cuidado que a galinha tem pelos seus pintinhos. Ao usar a figura de um animal, talvez o Senhor estivesse querendo nos mostrar que o Seu sentimento transcende a razão. É instintivo, é incondicional, faz parte do seu ser.

Naquela noite com aquele irmão, só pude falar um pouco da minha experiência pessoal. De como luto para quebrar paradigmas que foram incutidos na minha cabeça desde a infância sobre o “buscar a Deus.” Antes eu separava aquilo que era “espiritual” e aquilo que era “secular” no meu cotidiano. Entendia que em alguns momentos do meu dia eu poderia “buscar a Deus” e em outros momentos eu teria que fazer as coisas necessárias como estudar ou trabalhar. Hoje eu me esforço para percebê-Lo o tempo todo. Comer, dormir, namorar, jogar futebol , passear no shopping podem produzir experiências tão reais com Deus como participar de cultos, ler a bíblia ou evangelizar. Por quê? Porque Deus deseja se relacionar comigo em todo o tempo e em todo lugar. Deus não vai embora quando vou almoçar ou dormir. Todas as minhas experiências cotidianas podem ser compartilhadas com Ele. Buscá-Lo não deve ser um evento no meu dia – se Ele é o motivo da minha vida é justo que eu dedique a Ele cada segundo de todas as minhas atividades.

Penso que buscar a Deus não significa que Ele está distante e, que por isso, agora preciso estabelecer alguma forma de contato que chame a Sua atenção. Pelo contrário, creio que buscar a Deus é a reação objetiva à presença Dele. Eu O busco porque Ele está presente. Eu O procuro porque Ele já me encontrou. Eu O amo porque Ele me amou primeiro. Buscar a Deus é uma resposta à Sua busca por nós. É lembrarmos que um novo e vivo caminho para chegar até Deus foi construído por Ele mesmo. Não há restrições. Ele derrubou toda barreira de separação.

O mundo tem sede de Deus porém não consegue O perceber. Nós, peregrinos nesta terra incrédula, temos essa grande responsabilidade – uma vez que Deus está presente em todos os lugares precisamos torná-Lo visível.

“Eu é que sei que pensamentos tenho a vosso respeito, diz o Senhor; pensamentos de paz e não de mal, para vos dar o fim que desejais. Então me invocareis, passareis a orar a mim, e eu vos ouvirei. Buscar-me-eis, e me achareis, quando buscardes de todo o vosso coração. Serei achado de vós, diz o Senhor e farei mudar a vossa sorte.” Jeremias 29:11-14ª

 

Novos Tempos

março 18, 2008 0 comentários

“Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo propósito debaixo do céu (…) há tempo de falar e tempo de estar calado. ”Ec 3:1,7 

Quando comecei esse Blog coloquei como meta pessoal escrever durante 12 meses publicando, pelo menos 01 pensamento por semana. Queria me esforçar em passar pelas 4 estações do ano para perceber quais seriam meus pensamentos durante os “verões” e os “invernos” da vida. Durante esse tempo parei de escrever por quase 09 meses por diversos motivos plausíveis (mudança de emprego, mudança de apartamento, viagens a trabalho, etc). Porém, ao longo de todo esse tempo, eu sabia que deveria voltar a escrever porque eu tinha a sensação de que meu objetivo não havia sido ainda cumprido. Voltei a escrever os pensamentos em Setembro do ano passado e, após, 55 pensamentos postados, sinto-me tranqüilo em parar de escrever.

Quando comecei a escrever sinceramente não sabia o que me esperava. Nunca tive facilidade para escrever e não sabia se o blog seria um manancial de prazer ou um pesado fardo que ficaria atado aos meus pés. Não foi nem um, nem outro. Os pensamentos nunca foram problema; eles estão sempre aí pulando na minha cabeça. O problema era conseguir colocar no papel os pensamentos com o mínimo de linearidade e aplicação. Tentei fugir do padrão estudo bíblico. Sei que não tenho a competência e a profundidade necessárias para escrever sobre assuntos já tão ricamente explorados por tantos santos ao longo das eras. Mas, desejei, pontuar meus pensamentos sempre usando como quadro de fundo minha história e cotidiano.

Também quero agradecer àqueles que, de alguma forma, interagiram comigo através de e-mails, sugestões, comentários e pensamentos. Amigos distantes, irmãos próximos e alguns que nunca os conheci. Estou certo que, no final da nossa jornada, nos encontraremos e nos saudaremos pessoalmente.

Como muitos sabem, dedico esse blog aos amados jovens com quem tenho o privilégio de conviver. Não sei se eles acompanharam os posts e também não sei se existiu algum tipo de ajuda objetiva. Porém, como irmão mais velho, sentia-me inclinado a passar um pouco das minhas derrotas, medos e ansiedades no desejo que isso gerasse, em suas vidas, vitória, coragem e descanso.

Se me permitem, gostaria de deixar um último pensamento. Se me perguntassem qual é a coisa mais surpreendente que eu já ouvi ou experimentei não teria nenhuma dúvida em responder: A graça de nosso Senhor Jesus. Estou certo que não há nenhum outro assunto ou tema em que eu deva gastar mais do meu tempo e esforço. Pedro diz: “esperai inteiramente na graça que nos está sendo trazida na revelação de Jesus Cristo. ” (I Pe 1:14) . Paulo, na sua última carta, aconselha ao seu filho na fé Timóteo: “fortifica-te na graça que está em Cristo Jesus” (II Tm 2:1). Por falar em Paulo, todas as suas cartas começam e terminam desejando graça. O que para alguns pode soar uma falta de criatividade da parte de Paulo, na minha opinião ele simplesmente desejava o melhor que ele havia recebido e experimentado em sua vida. A graça de Deus é o melhor que podemos receber, vivenciar e testemunhar. É pela graça que andamos e é pela graça que nos levantamos da queda. A graça de Deus é testemunhada em todo lugar o tempo todo. Precisamos apenas sintonizar nossos ouvidos espirituais para ouvirmos a doce melodia da provisão, proteção e salvação de Deus.

Comecei escrevendo esse texto com uma tremenda tempestade lá fora. Aproximei-me da janela e fiquei contemplando aquele espetáculo da natureza. Entre relâmpagos e trovões pude escutar o forte vento soprando contra minha janela. E, mais uma vez, tive um sentimento que insiste em me perseguir. Como uma onda, senti dentro de mim um estranho desconforto de inconformidade com o presente. Um desejo intenso de que meu futuro chegue rápido. Eu tenho uma hipótese para esse sentimento. Acho que é porque ainda sou um peregrino em terra estranha e, às vezes, sinto saudades do meu futuro lar.

“Aquele que dá testemunho desta cousas diz: Certamente venho sem demora. Amém. Vem Senhor Jesus. A graça do Senhor Jesus seja com todos.” Apocalipse 22:20,21