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Forasteiros

Um dia de praia

outubro 15, 2018 0 comentários

“Atentei para todas as obras que se fazem debaixo do sol, e eis que tudo era vaidade e correr atrás do vento” Ec 1:14

Certa vez estava na praia e , observei uma família que chegou e se assentou próxima da minha barraca.

Era um lindo dia de sol. A mão forte e firme do pai levava uma pequena criança, talvez 5 ou 6 anos,  até a areia.  Ela logo se entreteve com todos os brinquedos que havia levado em uma grande bolsas dessas do tipo de sacolão. Ela brincou por muito tempo na areia … construiu castelos, pontes e passagens secretas cavando o chão como um tatu.  Conheceu outras crianças, de algumas ficou mais próxima e quase parecia que se conheciam há muito tempo, enquanto que de outras,  brigou, se desentendeu se afastou.  Em alguns momento do dia, por causa do forte sol ela precisou ficar na sombra. Parecia quase um castigo … queria logo sair mas o seu pai não a deixava.

Por falar no pai, ele foi sempre uma pessoa presente, mesmo quando a criança estava distraída com outras coisas. Ele passou protetor solar no corpo todo enquanto ela agachada enchia um balde com água. Ele deu muito líquido e obrigou a pequena criança parar, em alguns momentos, para comer. Mesmo brincando na beira do mar, os olhos atentos e decididos do seu pai nunca se cansaram de a vigiar.

O dia foi terminando, a praia já estava vazia e o sol começava o seu caminho para se esconder no horizonte. Escutei a voz do pai chamando o seu filho: era hora de ir embora. Após arrumar todas as coisas o pai pegou o seu filho pela mão e começaram o caminho da partida. Enquanto iam embora, a criança olhou para trás e viu que o seu lindo castelo todo murado e bem trabalhado agora estava sendo destruído pelo mar. Todos os vestígios de que ele estivera ali estavam sendo rapidamente apagados pela maré que começava a subir. Ao contrário do que imaginei, a criança não chorou, parecia que ela entendeu que as coisas da praia ficam na praia. E que apesar de toda a diversão do dia ali não era a sua casa.

Então, finalmente, vencida pelo cansaço do dia, a criança dormiu em paz, tranquilamente, no colo do seu  pai.

Naquele dia, compreendi uma lição importante. Tudo em nossa vida, todas as obras, empreendimentos, afazeres, patrimônio, bens,  e trabalhos que gastamos tanto tempo de nossa energia, é como se tudo fosse uma experiência na praia. É tudo feito de areia. Todas essas coisas irão passar. A mesma mão que me leva para a praia um dia também me levará embora dela.  Aprendi que, mais cedo ou mais tarde, as ondas do tempo virão e apagarão tudo aquilo que fiz debaixo do sol.  

Eu entendi, que quando isso acontecer, somente aquele que está no colo de Deus será capaz de gozar de um  perfeito descanso.

“Lembra-te do teu criador nos dias da tua mocidade, antes que venham os maus dias, e cheguem os anos dos quais dirás: Não tenho neles prazer (…)  antes que se rompa o fio de prata e se despedace o copo de ouro, e se quebre o cântaro junto à fonte, e se desfaça a roda junto ao poço, e o pó volte à terra, como o era, e o espírito volte a Deus que o deu.”Ec 12: 1, 6,7

 

Calafrios

agosto 11, 2018 0 comentários

Senhor, para quem iremos? tu tens as palavras de vida eterna. João 6:68

Naturalmente não sou uma pessoa muito ansiosa ou estressada, mas já tive meus calafrios emocionais. Aqui, não estou mencionando os calafrios que temos quando estamos febris ou quando sentimos frio. Estou chamando de calafrio emocional aquela sensação estranha que sentimos quando pensamos em situações difíceis do cotidiano e que parece correr por todo nosso corpo terminando com uma fincada bem no coração. Lembro-me dos meus calafrios na época de engenharia quando deitava na cama e sabia que não estava preparado para a prova de cálculo no dia seguinte ou quando pensava no meu namoro que estava a beira do fim ou quando calculava meus custos e via que não teria dinheiro para pagar todas as contas do mês. Se eu sou uma pessoa normal (e eu acho que sou) acredito que outras pessoas também já tiveram seus calafrios emocionais. Sendo assim, no começo de mais um ano eu me perguntei – hoje, o que me faz ter calafrios? Li uma frase atribuída ao Santo Agostinho que diz: “O calafrio que você sente quando pensa em não ver mais a face de Deus é proporcional ao seu amor por Ele.” 

Ao ler essa frase perdi a graça. Me senti como que atravessado por uma flecha. Eu estava de férias porém me senti cansado. Apesar da aparente tranqüilidade me senti sobrecarregado. Fechei o livro na hora. Sabia que alguma coisa havia me capturado e que eu precisava parar para meditar. Não sei porque mas naquele momento fiz uma viagem ao meu passado. Tentei me lembrar dos momentos mais felizes da minha vida. E o que eu percebi foi surpreendente – todos os meus momentos marcantes estão diretamente relacionados com Deus. Pude perceber que, por melhor que seja possuir coisas, não tenho saudades de nenhuma delas como meu primeiro carro, videogame ou bicicleta. Olhando para trás vi que nada disso marcou a minha vida. Tudo isso é descartável porque é passageiro. Ao mesmo tempo percebi que todas as coisas na minha vida que são verdadeiramente preciosas possuem a participação ativa de Deus. Amizades, casamento, igreja ou qualquer outra coisa não me marcará profundamente se Deus não estiver entronizado em cada uma delas. Tudo passará e será pura vaidade. Só Ele tem as palavras de vida eterna. Apenas o próprio Deus, e mais nada ou ninguém, poderá depositar em meu coração experiências que nunca passarão.

Conclui (mais uma vez) que vale a pena investir em buscar a face de Deus. Se os melhores momentos do meu passado foram com Ele devo intensificar minha busca por Ele para que meu futuro seja ainda melhor. Preciso renovar o meu chamado para andar por essa terra como um peregrino me desapegando cada vez mais do que é terreno e me aproximando do que é eterno, invisível e espiritual “não atentando nós nas cousas que se vêem, mas nas que se não vêem; porque as que se vêem são temporais e as que se não vêem são eternas” (II Co 4:18). Buscar a face de Deus deve ser a minha maior ambição.

Naquela tarde meditando na frase de Agostinho fiquei inquieto em responder para mim mesmo essa pergunta: mais um ano se passou e um novo ano se inicia… e o meu Senhor ainda não retornou… nesses dias em que Sua vinda se apresenta tão iminente o que me faz ter calafrios?

“Conjuro-vos ó filhas de Jerusalém, se encontrardes o meu amado, que lhe direis? Que desfaleço de amor.” Cantares 5:8

Vivendo no mundo

setembro 27, 2010 0 comentários

“Não ameis o mundo nem as coisas que há no mundo. Se alguém amar o mundo, o amor do Pai não está nele; porque tudo que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não procede do Pai, mas procede do mundo.” I João 2:15

Meu filho não quer nascer… Minha esposa está um pouco ansiosa porque duas conhecidas que engravidaram na mesma época já estão em seus lares com seus filhos. O pior é que ainda não há nenhum sinal evidente. Não há qualquer dilatação, o bebê não desceu e o colo do útero continua grosso. Não posso condená-lo… se eu fosse ele também retardaria ao máximo a minha chegada a este mundo. Porém, descobri neste processo, que se o nenê demora demais pra sair o perigo de um aborto vai aumentado progressivamente. Não tem jeito. Mesmo que ele não queira, vai ter que sair.

Ao longo do tempo, o cristianismo tem apresentado algumas linhas de pensamento aonde se propõem definir o papel da igreja neste mundo. Gostaria de mencionar três linhas gerais:

A igreja contra cultura: de acordo com essa abordagem, o mundo é visto como ambiente hostil para a fé cristã. A igreja se apresenta como uma comunidade que recusa qualquer interação com o sistema. Essa reclusão se manifesta de várias formas como não usar roupas da moda, corte de cabelos modernos, esmalte, depilação, bens, televisão, rádio ou cinema. Eles sugerem que a vida cristã deve ser vivida em total desconexão do mundo.

A igreja na cultura: Indo para o outro extremo, muitos defendem o conceito de que o cristão tem um papel fundamental na sociedade em que se está imerso. O papel da igreja é de influenciar e trazer valores espirituais nas questões desta terra. Pensando dessa maneira, muito do que se chama de “gospel” invadiu a cultura secular: boates, filmes, pagode, danças, empresários, política e tantas outras coisas recebem uma identificação evangélica para diferenciar suas intenções, motivações e princípios. Infelizmente, a história tem demonstrado, que tem sido mais fácil o mundo profanar a Igreja do que a Igreja santificar o mundo.

A igreja e a cultura em paralelo: uma posição mais moderada propõe que o cristão deve viver uma vida civil digna e respeitosa podendo usufruir das tecnologias e comodidades que se oferecem, sem, contudo, se esquecer do seu chamamento celestial. A igreja deve esperar viver certo grau de tensão com o mundo uma vez que haverá, inevitavelmente, um choque entre os dois reinos: “o reino do mundo” e o “reino de Deus”. A igreja então vive uma luta para discernir essas duas realidades tão distintas em seus ideais e propostas. Deve-se aceitar os padrões de Deus mesmo que não sejam aceitos pelo mundo ou pela sociedade. E, em muitos momentos de opressão, deverá lembrar-se que são peregrinos e ainda não chegaram ao seu destino final.

Entender qual é o nosso papel neste mundo é fundamental para termos uma mente esclarecida que não é enganada diante de heresias camufladas em verdades bíblicas. Entendo que não fomos chamados para nos escondermos do mundo. Vivemos nesse mundo apesar de não pertencermos ao mundo: “Não peço que os tires do mundo, e sim que os guardes do mal. Eles não são do mundo, como também eu não sou” (Jo 17: 15,16). Como faremos para estudar, trabalhar ou participar de uma reunião de condomínio? Devemos interagir com os incrédulos no nosso dia-a-dia como Paulo diz: diz: “refiro-me, com isto, não propriamente aos impuros deste mundo, ou aos avarentos, ou roubadores, ou idólatras; pois, neste caso, teríeis de sair do mundo” (I Co 5: 10). Porém, jamais devemos nos esquecer que Jesus Cristo “se entregou a si mesmo pelos nossos pecados, para nos desarraigar deste mundo perverso, segundo a vontade de nosso Deus e Pai” (Gl 1:4) e que através da cruz de Cristo ”o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo” (Gl 6:14).

Meu filho terá que nascer. Não irá adiantar tentar se esconder ou fugir deste mundo. Assim como todos nós, ele terá que descobrir qual é a história da humanidade e quais são as leis universais que regem esse sistema e tomar as suas decisões.

Não parece ser um caminho fácil: “Porque, embora andando na carne, não militamos segundo a carne” (II Co 10:3).Entendermos que não devemos ter qualquer ambição neste mundo nos inclinará para as coisas celestiais. Se a máscara deste mundo cair veremos apenas lepra e impureza. Estaremos livres de toda aparência e engano e estaremos libertos dos grilhões deste mundo apesar de ainda vivermos nele.

“Isto, porém, vos digo, irmãos: o tempo se abrevia; o que resta é que não só os casados sejam como se o não fossem;mas também os que choram, como se não chorassem; e os que se alegram, como se não se alegrassem; e os que compram, como se nada possuíssem; e os que se utilizam do mundo, como se dele não usassem; porque a aparência deste mundo passa.” I coríntios 7: 29 – 31

Jogo dos 7 erros

agosto 18, 2010 0 comentários

“Vós sois do diabo, que é vosso pai, e quereis satisfazer-lhe os desejos. Ele foi homicida desde o princípio e jamais se firmou na verdade, porque nele não há verdade. Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira.” João 8:44

Quando, na minha infância, eu comprava um “Almanaque de férias” uma das coisas que eu mais gostava de fazer era o jogo dos 7 erros. Em uma mesma página tínhamos, aparentemente duas imagens iguais, mas ao examinar com alguma atenção íamos descobrindo que existiam diferenças entre as ilustrações. Com um pouco de cuidado descobríamos que o cachorro tinha cinco patas ao invés de quatro e que o vaso antes cheio de flores agora está sem nenhuma.

O inimigo tem feito um árduo trabalho ao longo dos séculos misturando suas mentiras e heresias entre as verdades de Deus. E, da mesma forma que em Deus não pode existir trevas ou engano, no inimigo das nossas almas não existe verdade nem bem algum. Desde o principio ele é mentiroso e luta incansavelmente contra tudo que é verdadeiro. O que devemos fazer nos dias de hoje depois que tantos anos se passaram desde a descida do Espírito Santo e do surgimento da Igreja? Por séculos homens e mulheres lutaram pelas verdades imutáveis e eternas de Deus. Mas, como chegar até a verdade límpida, cristalina e legítima nos dias de hoje? Após quase 2000 anos de história da igreja como identificar os erros?

Bem, a primeira coisa que devemos fazer é buscar qual é o modelo correto. Para identificarmos os erros precisamos compará-lo com o verdadeiro. Devemos voltar para as escrituras e buscarmos, com toda sinceridade, livres de todo paradigma e pré-conceito qual é o caminho original projetado e apontado por Deus. Quando passamos a conhecer melhor o “quadro” correto, ficará mais fácil percebermos os erros e as anomalias escondidas e camufladas. C. S. Lewis, no curioso livro “Cartas de um diabo ao seu aprendiz”, relata quais seriam as estratégias malignas utilizadas para contaminar o povo de Deus. Em uma determinada passagem ele diz:

“Não tenho pretensão de tirar ninguém da igreja, pelo contrário. Quero deixá-los
lá, pois farei de tudo para que sejam frios, apáticos, que fiquem brigando entre si
por bobagem, que se dividam, e façam panelinhas entre eles. No que depender
de mim farei com que tenham uma vida tão miserável, que quando forem
evangelizar ninguém vai querer ter uma vida igual a deles.
Outra estratégia que uso muito é a de fazer com que os valores da igreja se
pareçam cada vez mais com o mundo, pois assim quando as pessoas passarem
a freqüentá.-la, elas não precisarão mudar nada, e continuarão fazendo as
mesmas coisas de antes. Não é genial?”

Se pararmos de ter o modelo correto em mente em breve acreditaremos que um cachorro ter cinco patas é uma coisa normal. A doutrina dos apóstolos constituem o sólido fundamento da igreja (Ef 2:20) e também o fundamento eterno dos muros da Nova Jerusalém (AP 21: 14) e deve ser o irrestrito filtro de nossa regra de fé e conduta. Examine as doutrinas e os costumes que temos visto e ouvido por aí. Compare com o modelo bíblico proposto e reflita com atenção por um instante.

Difícil será achar apenas 7 erros.

“Assim diz o SENHOR: Ponde-vos à margem no caminho e vede, perguntai pelas veredas antigas, qual é o bom caminho; andai por ele e achareis descanso para a vossa alma.” Jeremias 6:16

Ducha Fria

agosto 20, 2007 0 comentários

“Vinde a mim vós que estais cansados e sobrecarregados e eu vos aliviarei.” Mateus 12:28

Já disse muitas vezes para o meu companheiro de sauna, o irmão Mota, que a sauna sem a ducha fria não faz sentido. Ficamos ali assando naquela temperatura insuportável suando mais que tampa de chaleira sonhando com aquela deliciosa ducha fria. Provavelmente exista uma explicação cientifica que descreva o bem estar que sentimos após esse choque térmico que sofremos quando saímos da sauna e entramos na ducha fria. Também fico pensando no cenário contrário. Qual é a graça em sair de casa para tomar uma ducha gelada e passar frio? Para mim, a ducha fria justifica o calor da sauna e vice-versa.

A rebeldia do homem trouxe um caos que afetou diretamente o equilíbrio do planeta e de todos os seus habitantes. Como conseqüência do pecado, toda a humanidade, sem exceção, passa, em alguma medida, por sofrimentos. As lutas, doenças, fraquezas, dores emocionais e perdas fazem parte da experiência de todos nós. Porém, nós, filhos do Deus altíssimo devemos ter uma perspectiva completamente diferente da que tem os filhos das trevas quando passamos pelo calor do deserto. Porque diferentemente deles, podemos buscar consolo e refrigério em Deus.

Infelizmente, nós só valorizamos alguma coisa quando sentimos falta dela. Como desejar um copo de água se não sabemos o que é sede? Como alegrarmos com a luz do dia se não passarmos pela negridão da noite? Ou como teremos gratidão pela nossa saúde se nunca adoecemos? Para experimentarmos o refrigério de Deus, precisamos passar por situações de calor e sufoco.

Fico pensando na sauna; no desconforto momentâneo e no calor sufocante que sinto quando estou nela. Após a ducha fria, sinto-me incrivelmente melhor. A sensação de relaxamento é uma boa recompensa. Quando somos afligidos precisamos reconhecer que somente Deus pode oferecer a ducha fria que refrigera a nossa alma. Após desfrutarmos do consolo oferecido pelo Espírito Santo nos sentimos renovados. A paz que excede todo o entendimento nos envolve e nos faz testemunhar como Davi: “O Senhor é meu pastor. Ele refrigera a minha alma” (Sl 23).

A murmuração é o produto de uma mente que só visualiza o incômodo sufoco da situação presente e não percebe que o Senhor está logo adiante oferecendo alívio. Em breve o Senhor voltará e trará refrigério eterno sob suas asas. Como já disse alguém: “o final da história do cristão é gloriosa, cheia de paz e alegria. Se temos passado por lutas e sofrimentos é porque a nossa história ainda não acabou.” Enquanto isso não acontece, corramos diariamente para o Senhor que nos oferece uma deliciosa ducha fria para suportarmos o calor dessa vida.

“Jamais terão fome, nunca mais terão sede, não cairá sobre eles o sol, nem ardor algum, pois o Cordeiro que se encontra no meio do trono os apascentará e os guiará para as fontes da água da vida. E Deus lhes enxugará dos olhos toda lágrima.” Apocalipse 7:17

Porque o mundo não pode nos conhecer

junho 6, 2006 0 comentários

“Vede que grande amor nos tem concedido o Pai, ao ponto de sermos chamados filhos de Deus; e de fato, somos filhos de Deus. Por essa razão o mundo não nos conhece, porquanto não o conheceu a ele mesmo.” I João 3:1

“E eu lhes tenho dado a tua palavra, e o mundo os odiou, porque eles não são do mundo, como também eu não sou.” João 17:14

Trazer à lembrança o meu chamamento celestial é um dos maiores desafios no meu dia-a-dia. Isso porque a tendência em apegar-me às coisas visíveis é absolutamente natural. O apóstolo Paulo alerta aos romanos do perigo da mente cristã ser modelada com os princípios e o caráter mundano (Romanos 12:2).

A Bíblia retrata esse mundo de uma forma crua e sem o romantismo tão peculiar de cristãos carnais amantes das coisas caídas. Este mundo tenebroso (Ef 6:12) rejeitou seu criador: “Estava no mundo, o mundo foi feito por intermédio dele, mas o mundo não o conheceu” (João 1:10). Pior que isso, o mundo o odiou (João 15:18) amando as trevas mais do que a luz (João 3:19). O príncipe deste mundo (João 14:30) declarou guerra contra o Senhor Jesus e contra todos os seus redimidos. Quando perceberemos que estamos em um campo de batalha? Existe uma batalha ininterrupta pela minha mente, pelos meus desejos e pelo meu tempo. E, por mais que eu tente me enganar, não existe nenhuma atitude que seja neutra nessa terrível guerra pela minha vontade. Em cada segundo da minha vida, terei que optar pelo mundo ou por Deus; não há meio termo: “Infiéis, não compreendeis que a amizade do mundo é inimiga de Deus? Aquele, pois, que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus” (Tiago 4:4).

O mundo não conheceu ao Senhor Jesus, antes matou o autor da vida (Atos 3:15). Da mesma forma, o mundo natural não pode compreender as coisas espirituais. Nós, peregrinos em terra estranha, nos movemos e falamos de coisas invisíveis para o mundo:
* Nossa pátria está nos céus (Filipenses 3:20).
* Nossa herança está reservada nos céus (I Pedro 1:4).
* Nosso chamamento é celestial (Hebreus 3:1).
* As nossas bênçãos não são materiais mas sim espirituais (Efésios 3:1).
* Estamos assentados em lugares celestiais em Cristo Jesus (Efésios 2:6).
* A nossa luta não é contra o sangue e a carne mas contra seres invisíveis nas regiões celestiais (Efésios 6:12).

Entristeço-me quando esqueço dessas verdades. Quando procuro o amor de quem me odeia, ou pior, de quem odeia ao meu amado Salvador. Quando tento transformar esse lugar de batalha em um lar agradável para minha habitação. Quando eu me torno indolente na luta incessante de resgatar e salvar vidas da condenação que virá sobre toda esta terra. Quando faço concessões ao príncipe deste mundo em detrimento às ordenanças do Príncipe da Paz.

Hoje, o mundo não pode nos conhecer. Mas chegará o tempo em que o Senhor Jesus tomará de volta o que lhe foi usurpado pelo Diabo. Naquele dia, “a terra se encherá do conhecimento da glória do Senhor como as águas cobrem o mar” (Habacuque 2:14). Os povos e as nações se prostrarão em reverência ao único e verdadeiro Rei desta terra.

Podem esperar. Esse dia não tarda em chegar.

“O Senhor será Rei sobre toda a terra; naquele dia um só será o Senhor e um só será o seu nome.” Zacarias 14:9

Mudança de Tempos

abril 11, 2006 0 comentários

Proferirá palavras contra o Altíssimo, magoará os santos do Altíssimo e cuidará em mudar os tempos e a lei; ”Daniel 7:25

Há algumas semanas pra trás comprei um novo celular. Fiquei encantado com a minha nova aquisição. Manda e recebe e-mail, navega na internet, toca MP3, vem com um sistema da Palm com todas as suas utilidades e, inclusive, faz ligações telefônicas. Estava me sentindo o homem mais antenado do mundo. Antes de dormir, conferia e-mails e navegava para ver as ultimas noticias do dia. Fiquei pensando em como consegui viver tanto tempo sem um negócio desses.

Recentemente vi uma pesquisa sobre o hábito das pessoas com relação ao uso do celular: mais de 80% das pessoas que tem celular, não o desligam de noite para dormir e o deixam ligado ao lado da cama; mais de 50% das pessoas voltam durante o dia para casa para buscar o celular caso o tenham esquecido. Vi também uma outra matéria dizendo que já existem comunidades que dão ajuda e suporte para pessoas que estão viciadas em tecnologia ao ponto de se sentirem deprimidas quando não usam tais recursos. A tecnologia que deveria propiciar mais tempo e liberdade têm trazido dependência e escravidão.

Uma das pragas do mundo moderno é a tirania da urgência. Administração do tempo tornou-se um tema universal. Vivemos em um mundo que tudo é para ontem. Ficamos impacientes com o elevador que demora demais pra chegar, com o sinal de trânsito de quatro tempos e de termos que esperar 15 minutos para descongelar uma lasanha. Lembro-me da minha infância, quando o computador demorava alguns minutos para ler um joguinho ainda em fita cassete. Hoje em dia, fico impaciente com os 40 segundos que tenho de esperar para abrir o meu Windows. Cercamos-nos de tanta tecnologia e recursos, mas ao contrário do que deveria, nos tornamos ainda mais escravos da urgência. Perdemos o hábito da meditação. Do momento de quietude e devoção espiritual. Aceitamos passivamente o complexo ritmo de vida do homem moderno e perdemos a oportunidade de termos uma vida simples. Rádio, Internet, Televisão, Messenger, Orkut, Celular e outras pragas modernas ocupam um espaço exagerado em nosso cotidiano. Quando nos deparamos com o silencio ficamos constrangidos e desconfortáveis diante da sua presença.

Pensando neste tema, lembrei-me de alguns conselhos escritos por Tozer sobre a importância da meditação:
(*) Retire-se do mundo todo dia para algum local privado (ainda que seja seu quarto).
(*) Permaneça no local secreto até que os ruídos circundantes comecem a esvair-se do seu coração.
(*) Reduza os seus interesses a uns poucos.
(*) Não procure saber coisas que não lhe sejam úteis.
(*) Aprenda a orar interiormente a todo o momento.
(*) Pratique a candura, a sinceridade da criança e a humildade.
(*) Ore pedindo olhos simples.
(*) Leia menos mas leia mais daquilo que é importante para sua vida interior.
(*) Jamais permita que sua mente fique dispersa por muito tempo.
(*) Chame para casa seus pensamentos errantes.
(*) Contemple Cristo com os olhos da alma.
(*) Exercite a concentração espiritual.

Um dos trabalhos malignos no mundo contemporâneo é de mudar os tempos. Quanto mais se aproxima a nossa redenção, mais esse mundo será oprimido pela tirania da urgência. Quero me levantar contra esse tirano e não aceitar aquilo que pode desviar os meus olhos do que é importante. E quando a minha alma ficar aflita e se sentir oprimida pela urgência desse mundo direi a ela: “O Senhor vela pelos simples; volta minha alma, ao teu sossego, pois o Senhor tem sido generoso para contigo.” Salmos 116: 6-7

“Marta tinha uma irmã chamada Maria e esta quedava-se assentada aos pés do Senhor a ouvir-lhe os ensinamentos. Marta agitava-se de um lado para o outro, ocupada em muitos serviços. Então se aproximou de Jesus e disse: Senhor, não te importas de que a minha irmã tivesse deixado que eu fique a servir sozinha? Ordena-lhe pois, que venha ajudar-me. Respondeu-lhe o Senhor: Marta! Marta! Andas inquieta e te preocupas com muitas cousas. Entretanto, pouco é necessário ou mesmo uma só cousa; Maria pois escolheu a boa parte e esta não lhe será tirada.” Lucas 10: 39-42