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Família

Aprendendo a falar

julho 12, 2019 0 comentários

“Não saia de vossa boca nenhuma palavra torpe, e, sim, unicamente a que for boa
para edificação, conforme a necessidade e assim transmita graça aos que ouvem”

Acredito que todos nós desejamos ser pessoas sábias, agradáveis que tenham sempre
graça ao falar com o próximo. Ou como dz provérbios 24:26 “ a resposta dada com palavras
retas é como um beijo nos lábios”.

Bem, a boa notícia é que a Bíblia nos orienta de como podemos fazer isso. Neste versiculo
que lemos de Efesios 4:29 Paulo fala de 3 filtros aonde todas as nossas palavras devem
passar. Se falharmos em alguma delas é povável que não alcançaremos o objetivo
pretendido.

O 1o filtro é a qualidade das palavras que usamos.
Devemos ser santos também no nosso vocabulário. É o que Paulo está chamando de
palavras torpes. Ou seja, palavras indecorosas, ofensivas, sujas ou indignas. No capitulo 5
vs 4 Paulo vai mais adiante… elimine toda palavra vã – vazia sem propósito, bem como
também toda chocarrice – que inclui zombaria, ironia, duplo sentido ou desrespeito. No final
de Eclesiastes se diz que as palavras do sábio são como pregos bem fixados. Não
desperdice suas palavras, coloque-as , cada uma, no seu correto lugar. Lembre-se que
prestaremos conta de cada palavra insolente proferida como nos é advertido em Judas vs
15.

O 2o filtro é o desejo de edificar.
Muitas vezes, estamos com a razão, a pessoa está errada e o que você está falando é o
certo. MAS , o nosso coração está tomado de ira, indignação, vingança ou mágoa.
Precisamos ser sinceros com respeito a nossa intenção. Se a nossa fala não deseja edificar
porém deseja humilhar ou destruir então é melhor não abrirmos a boca.

O 3o filtro é entender o momento certo.
Falar conforme a necessidade é entender qual é o momento certo de expressar uma
opinião, repreensão ou ensino. Citando mais uma vez Eclesiastes, o coração do sábio
conhece o TEMPO e o MODO. Às vezes chamamos atenção dos nosso filhos ou do nosso
cônjuge na frente de outras pessoas em momentos inadequados e desperdiçamos a
oportunidade de conversarmos sobre o ocorrido em um momento preparado e regado com
oração e temor.

No Sermão do Monte o Senhor Jesus adverte aos seus discípulos que Deus julgará do
mesmo crime de homicídio o homem que proferiu insultos ao seu irmão. Isso porque, da
mesma forma que uma facada tenta matar o corpo, palavras malignas têm poder para matar
corações, sentimentos e relacionamentos.

Que o Senhor nos livre de sermos agentes do mal, esparramando morte, violência e
opressão. Usar essas três regras antes de abrirmos a boca não é garantia que salvaremos
as pessoas ao nosso redor. Mas é a garantia que salvaremos a nós mesmos“

 

“Põe guarda, SENHOR, à minha boca; vigia a porta dos meus lábios.” Sl 141:3

 

Único

novembro 2, 2018 0 comentários

“Alegrai-vos porque os vossos nomes estão arrolados nos céus.” Lucas 10:20

Vivemos muitas vezes influenciados pela opinião dos outros. Passamos muito tempo nos esforçando para sermos como as pessoas esperam que sejamos. Assim, corremos o risco de sermos alguém que simplesmente não somos. Violentamos os nossos sentimentos e a nós mesmos, desprezamos nossos talentos naturais porque queremos ter os talentos da pessoa ao lado.

Por muitos anos acreditei que um cristão maduro deveria ser uma pessoa sisuda e sombria. Pelo fato de ter seus sentimentos sob controle, o cristão maduro não poderia nunca dar uma gargalhada ou chorar copiosamente porque seria uma demonstração patente de carnalidade. Então me esforçava para tentar ser alguma coisa que, essencialmente, era forçado e não natural.

Quando lemos as escrituras, percebemos uma infinidade de histórias e personagens que tinham temperamentos peculiares. Para tentar ser mais claro, usarei a nomenclatura que Tim LaHaye explica no seu livro: “Temperamento controlado pelo Espírito.” Ele explica que, basicamente, existem quatro tipos de temperamentos:

Sanguíneo. O sanguíneo é uma pessoa sempre bem disposta, animada, cordial e amiga. Porém é inconstante emocionalmente, negligente e imprudente. Um bom exemplo é o apóstolo Pedro que, em muitas situações, falou sem pensar e agiu impulsivamente.

Colérico. Pessoa com muita força de vontade, firme, decidido e de aguçado raciocínio. Naturalmente ele é um grande líder no seu meio. Mas também ele é violento, cruel, impetuoso e auto-suficiente. Antes de sua conversão, o apóstolo Paulo se mostrou um ótimo exemplo do colérico: forte em seus ideais ao ponto de perseguir e consentir com a morte daqueles que não concordavam com ele.

Melancólico. Pessoa perfeccionista, metódica e introspectiva. Os maiores gênios da história da humanidade foram melancólicos. São altamente analíticos e reservados. Mas também são egoístas, pessimistas e inseguros. O apóstolo Tomé é um bom exemplo. Ele mostrou seu pessimismo ao pensar que morreria em Betânia como aconteceu com Lázaro (Jo 11:16) e depois mostrou toda a sua insegurança sendo o apóstolo mais incrédulo entre os onze quanto à ressurreição de Cristo.

Fleumático. Geralmente são pessoas espirituosas, práticas e eficientes. São bons observadores e por isso bons conselheiros. Aparenta ser o temperamento mais equilibrado de todos porém eles são morosos, indolentes, provocadores e covardes. Abraão, é uma boa ilustração. Este patriarca foi dominado pelo medo a maior parte de sua existência. Sendo que, duas vezes, ele negou que Sara fosse sua esposa com medo de ser morto.

Observando a vida do Senhor Jesus percebemos o perfeito equilíbrio no perfeito varão. Ele reunia todas as qualidades dos temperamentos. Mas e quanto a nós? Existe um temperamento melhor do que o outro? Creio que a resposta é não. Todos temperamentos possuem qualidades e defeitos. Precisamos permitir que o Espírito Santo controle nosso temperamento. Quando isso acontece daremos um belo testemunho de Deus independente da nossa personalidade. Foi dessa maneira que Pedro tornou-se em um grande líder da Igreja primitiva aprendendo a ser mais prudente e fiel. Paulo deixou seu perfil implacável sendo drasticamente transformado em uma pessoa maleável e dócil. O inseguro Tomé tornou-se em uma poderosa testemunha do Senhor sendo martirizado na Índia e Abraão aprendeu a andar pela fé não pela razão. Na verdade, o Espírito Santo possui uma força diferente para cada fraqueza do homem.

Parei de tentar ser o que não sou. Minhas digitais e arcada dentária são provas materiais da minha individualidade. Ter o meu nome escrito no Livro da Vida e arrolado nos céus é uma prova espiritual que sou único diante de Deus. Quando tento negar quem eu sou desprezo a obra do Deus como meu Criador e rejeito a obra de santificação que Ele deseja realizar como meu Deus Redentor.

Quando compreendo essa lição também passo a apreciar mais meus irmãos porque reconheço neles características que eu nunca terei. E, quando somos controlados pelo Espírito, juntos podemos dar um testemunho harmonioso e singular da nossa pluralidade e, ao mesmo tempo, dar um testemunho plural da nossa singularidade.

Quando encontramos com o Senhor ficaremos surpreendidos com essa verdade: que embora sendo muitos, cada peregrino é único diante Dele.

“Ao vencedor dar-lhe-ei do maná escondido, bem como lhe darei uma pedrinha branca e sobre essa pedrinha escrito um nome novo, o qual ninguém conhece, exceto aquele que o recebe.” Apocalipse 2:17

Um só pão

dezembro 1, 2012 0 comentários

“O solitário busca o próprio interesse, e insurge-se contra a verdadeira sabedoria.” Provérbios 18:1

“Deus faz que o solitário more em família.” Salmos 68:6

A solidão é uma das coisas que mais aflige o coração humano. A sensação de que a nossa vida está andando na direção contrária do mundo produz em nós insegurança e desânimo. Por outro lado, quando encontramos outras pessoas que compartilham dos mesmos idéias e pensamentos e nos encorajam a prosseguir, ficamos mais fortes do que de fato somos e avançamos. Falo isto porque neste último final de semana tive a oportunidade de conhecer e re-encontrar irmãos de outras cidades. Pude escutar experiências de perseguições, lutas, sofrimentos e vitórias. Mais uma vez percebi que não estou sozinho nesta jornada rumo à pátria celestial.

Dentro deste contexto, lembrei-me de Elias, poderoso profeta de Deus, que após uma incrível experiência no monte Carmelo (I Rs 18) aonde fez cair fogo do céu entrou em uma profunda crise e desânimo. Deus então o leva a um outro monte, Horebe, o monte de Deus (I Rs19:8). A desesperança de Elias talvez seja justificada pela sua solidão: “porque os filhos de Israel deixaram a tua aliança, derribaram os teus altares, e mataram os teus profetas à espada; e eu fiquei só”( I Rs 19:14) porém Deus, que conhece todas as coisas, corrige o pensamento de Elias e o encoraja: “conservei em Israel sete mil: todos os joelhos que não se dobraram a Baal e toda boca que o não beijou” (I Rs 19:18). Elias descobriu que não era único. Viu que sete mil fiéis anônimos também estavam trilhando o mesmo caminho. Após esse encontro Elias recobrou suas forças e prosseguiu até o dia em que uma carruagem de fogo o levou para junto de Deus.

A Ceia do Senhor é uma divina ocasião em que podemos testemunhar o fim da solidão. O apóstolo Paulo diz: “Porventura o cálice da benção que abençoamos não é a comunhão do sangue de Cristo?: O pão que partimos não é a comunhão do corpo de Cristo?” (I Co 10:16). Quando partimos o pão, lembramos da obra do nosso Salvador Jesus Cristo. Lembramos do seu corpo partido e do seu sangue derramado. Lembramos que uma das conseqüências dessa obra é a nossa comunhão com os que são da família de Deus. Quando partimos o pão não celebramos a solidão, ao contrário, celebramos e discernimos o corpo espiritual de Cristo aonde todos os redimidos tornaram-se um só corpo e membros uns dos outros.

Satanás sabe que um cristão isolado torna-se um alvo fácil para seus ataques e enganos. O isolamento produz a solidão que produz a auto-piedade que produz orgulho que produz mais isolamento. Devemos estar bem protegidos, cobrindo uns aos outros em oração e mútua cooperação. Dessa maneira estaremos vigilantes diante das tentativas do diabo e estaremos dando um testemunho coerente diante da Mesa do Senhor. Outrora éramos indivíduos, antes éramos grãos de uva e feixes de trigo. Agora, porém, somos inseparáveis e indissociáveis. Através da obra do calvário nos tornamos vinho e pão.

“Sede sóbrios e vigilantes. O diabo, vosso adversário, anda em derredor, como leão que ruge procurando alguém para devorar; resisti-lhe firmes na fé, certos que sofrimentos iguais aos vossos estão-se cumprindo na vossa irmandade espalhada pelo mundo.” I Pedro 5:8,9

Inícios

outubro 19, 2010 0 comentários

Rendei graças ao SENHOR, porque ele é bom, e a sua misericórdia dura para sempre. Salmos 107:1

Finalmente chegou o dia muito especial para a minha família. Nosso filho, João, nasceu. Não imaginava que eu poderia amar dessa maneira. A sensação que eu tenho é que uma comporta se abriu dentro de mim de onde tem jorrado um amor incondicional, irrestrito, sacrificial e absolutamente puro para alguém que nunca me deu nada em troca ao não ser sua própria existência. E, por mais que ouvia da experiência dos outros, eu não estava preparado para isto.

Lembrei-me da história de uma família muito pobre que tinham dois filhos gêmeos. O sonho desses meninos era conhecer o mar porém seu pai não tinha condição financeira para levá-los. Mas, um dia, uma oportunidade surgiu. Uma viagem à trabalho para o litoral apareceu e o pai poderia levar um acompanhante. Após conversar com os filhos e explicar a situação, ficou decidido que o felizardo acompanhante seria escolhido na sorte e assim aconteceu. Regressando da viagem logo o irmão que conhecera o mar veio contar sua experiência ao que ficara: – “mano, você não vai acreditar, o mar é a coisa mais bonita que já vi! Trouxe até um pouco dele pra você ver.” Tendo dito isso, o irmão retirou do bolso um vidrinho de remédio com água do mar e, do outro bolso, uma caixinha de fósforo com areia. Então ele disse: “o mar é isso aqui… mas em maior quantidade.” Algum tempo se passou e novamente o pai iria viajar. Dessa vez quem iria o acompanhando era o outro filho que ainda não viajara. Chegou o grande dia. Finalmente ele iria conhecer o mar. Ele tinha uma noção pelas histórias contadas pelo seu irmão e pelas fotos que já havia visto em uma velha revista. Mas agora era diferente. Eles chegaram na praia. Imediatamente ele correu para a areia e começou a subir uma grande duna que o impedia de ver o mar. Até que, no alto daquele duna, sentindo a brisa sobre o rosto, ouvindo o barulho das ondas e olhando para aquele mar que se perde no horizonte ele pôde dizer: “agora eu conheço o mar com os meus próprios olhos.”

Sobre paternidade e amor de pai agora eu posso dizer: “eu vi o mar”. Sei que estou apenas no começo de uma nova e desafiadora jornada, mas após esses 14 dias sei que eu não sou mais a mesma pessoa que eu era antes dessa experiência.

Essa deve ser a parte mais triste de todo início – a exigência que alguma coisa termine. E, nesse novo início da minha vida, necessito reavaliar à luz das Escrituras Sagradas, como o Senhor deseja me conduzir. Deus nos surpreendeu mais uma vez com a sua bondade. Sei que muitas lições, aprendizados, decepções, tristezas, incertezas e medos me acompanharão ao longo dessa estrada. Mas também sei que o “Senhor guarda o peregrino” (Sl 146:9) e Ele há de me conduzir ao meu eterno e inevitável destino.

“(DEUS) Fez cessar a tormenta, e as ondas se acalmaram. Então, se alegraram com a bonança; e, assim, os levou ao desejado porto.” Salmos 107: 29.30

Consciência

agosto 7, 2010 0 comentários

“Porque a nossa glória é esta: o testemunho da nossa consciência, de que, com santidade e sinceridade de Deus, não com sabedoria humana, mas, na graça divina, temos vivido no mundo e mais especialmente para convosco.” II Coríntios 1:12 

Mais uma vez preciso pedir perdão à minha esposa. Por que agi dessa maneira? Mais uma vez sei que errei e necessito dizer a ela que eu sei que errei e me arrependo por isso. Ela está dentro do quarto lendo alguma coisa – não sei se ela quer mesmo ler – acho que ela simplesmente não quer ver a minha cara. Bato na porta e entro no quarto. Ela continua sem olhar pra mim e eu começo a dizer que não procedi corretamente que estou arrependido e que gostaria que ela me perdoasse. Como que por um passe de mágica, a expressão dela muda. A expressão do rosto suaviza e ela me pergunta se eu quero que ela faça um capuccino pra mim. Sinto-me como tirando do pé um sapato apertado ou uma mochila com 20 kilos de pedras das costas. Pensando bem não foi mágica – foi o Espírito Santo.

Esse tipo de situação é mais comum na minha vida do que eu gostaria. E acaba que eu não consigo acostumar. Todas as vezes que eu preciso pedir perdão é uma via dolorosa e mortal para o meu orgulho. Como um perito advogado de defesa, minha consciência tenta analisar o contexto: “Eu agi mal mas olha só o que ela fez!” ou “eu errei mas ela errou muito mais do que eu” porém, o veredicto sai e a minha consciência decreta: “você errou.”

Todo homem foi equipado por Deus com uma qualidade chamada consciência. Através dela cada um de nós consegue perceber intuitivamente sobre o que é certo e o que é errado. “Estes mostram a norma da lei gravada no seu coração, testemunhando-lhes também a consciência e os seus pensamentos, mutuamente acusando-se ou defendendo-se” (Rm 2:15). A função da nossa consciência é nos acusar ou nos defender diante das situações que vivenciamos. Quando erramos ela nos acusa quando entendemos que agimos corretamente ela nos defende. O interessante é que a nossa consciência não é órgão pronto – ela se desenvolve à medida que compreendemos como as coisas são. E, da mesma forma que uma criança não possui a mesma capacidade de legislar corretamente sobre as leis dos homens como um Desembargador, assim também um novo convertido terá que uma consciência mais fraca do que um servo do Senhor com anos de peregrinação. Por isso que vemos nas escrituras passagens sobre consciências mais fracas do que outras (I Co 8:7,12). A consciência é individual e pessoal. Cada um de nós possui um grau distinto de sensibilidade e obediência. Portanto, a consciência, é um canal poderoso e importante de comunicação direta do Espírito Santo com o espírito do homem. Termos uma boa consciência diante de Deus e dos homens é um importante sinal de que temos ouvido a voz do Espírito: “Por isso, também me esforço por ter sempre consciência pura diante de Deus e dos homens” (At 24:16).

Porém, quando o homem passa a desprezar a orientação do Espírito a sua consciência começa a ficar anestesiada ou cauterizada e não consegue mais ouvir a voz de Deus: “pela hipocrisia dos que falam mentiras e que têm cauterizada a própria consciência” (I Tm 4:2).A conseqüência da nossa desobediência é que a nossa própria consciência, que deveria nos auxiliar no caminho da santidade, se corrompe: “Todas as coisas são puras para os puros; todavia, para os impuros e descrentes, nada é puro. Porque tanto a mente como a consciência deles estão corrompidas” (Tt 1:15). O que fazer quando já não ouvimos as instruções do Espírito? Como seremos repreendidos e transformados se eu desprezo as considerações do Espírito de Deus? “Não entristeçais o Espírito de Deus” (Ef 4:30). E ainda: “Não apagueis o Espírito” (I Ts 5:19). São referencias que deveriam causar uma temerosa reflexão de como tenho procedido.

Existe um sinal que acredito que possa nos ajudar a perceber se a nossa consciência está cauterizada – quantas vezes pedimos perdão uns aos outros. Todos nós falhamos “porque todos tropeçamos em muitas coisas” (Tg 3:2) e pecamos “Se dissermos que não temos pecado nenhum, a nós mesmos nos enganamos, e a verdade não está em nós” (I Jo 1:8). Ora, uma vez que sou falho, então eu não deveria pedir perdão constantemente? Será que o Espírito não tem tentado muitas e muitas vezes me alertar dos meus hábitos, costumes e atitudes e eu não tenho escutado? Pedir perdão é um sinal de vitória e não de derrota. É o reconhecimento de uma alma imperfeita de que ouviu a voz de Deus e que se arrependeu. É a resposta sincera e objetiva de uma consciência sensível que prefere subjugar seu orgulho à perder, por um segundo sequer, a preciosa comunhão com o Espírito Santo.

Muitos andam por aí como se não errassem e nunca se arrependem dos seus atos. Adaptaram a sua consciência para não mais ouvirem a voz corretiva de Deus e passam a praticar obras antes condenadas por eles “O cão voltou ao seu próprio vômito; e: A porca lavada voltou a revolver-se no lamaçal” (II Pe 2: 22). Nunca pedem perdão e, é justamente por isso, que um dia terão que pedir perdão.

“mantendo fé e boa consciência, porquanto alguns, tendo rejeitado a boa consciência, vieram a naufragar na fé.” I Timóteo 1:19

Herança

maio 27, 2010 0 comentários

“Ensina a criança no caminho em que deve andar, e ainda quando for velho não se desviará dele.” Provérbios 22:6

Nesse último “dia das mães” não me encontrei com a minha mãe. Havia programado de vê-la no final do dia mas um congestionamento na estrada e uma febre inesperada impediram a visita. Após desligar o telefone avisando-a do infortúnio viajei no tempo e levei meus pensamentos até à minha infância junto à minha mãe. Fui uma criança muito amada por meus pais e minha avó – sim, sou caçula criado com vó – daqueles que tomava leite quente no verão e nunca andava descalço. Tenho ótimas lembranças da minha infância e dos meus pais porém é a piedade da minha mãe que hoje chama a minha atenção.

Em uma caixinha de madeira de sabonetes Phebo minha mãe guardava vários cartões com versículos bíblicos. Na parte da frente constava a referência e no verso o texto por escrito. Muitas vezes eu a ajudava no seu “treinamento” passando e repassando os inúmeros versículos que ela memorizava. Fazíamos o “cultinho doméstico” aonde tínhamos que orar, decorar versículos e ler alguma história juntos. Lembro-me também da bíblia da minha mãe toda marcada e cheia de anotações companheira inseparável de todas as suas manhãs. Todas as terças-feiras ela levava o estudo para a “reunião das irmãs” da Igreja Batista aonde ela se reúne até hoje. Sempre andava com folhetos evangelísticos de maneira que passei a minha infância ouvindo-a falar do amor inefável de Deus e da inacreditável salvação que o homem recebe pela fé em Jesus Cristo, gratuitamente. Até meus coleguinhas de escola não escapavam da pregação, oração e das músicas que cantávamos dentro do carro enquanto íamos para a aula. Não posso deixar de mencionar minha saudosa avó que, até meus 12 anos foi minha companheira de quarto. Uma das cenas mais constantes da minha infância, era acordar de manhã e ver minha avó ajoelhada ao pé da cama orando.

Após tantos anos fiquei surpreso de me lembrar desses fatos. Eles estavam perdidos na minha memória porém não no meu caráter. A vida e o exemplo espiritual de minha mãe sempre estiveram em rota de colisão com a cultura e a mensagem do mundo. Como conseqüência, a presença de Deus cristalizou-se em meu coração ainda na infância de maneira que, quando cheguei às crises da adolescência, minha fé permaneceu firme diante das incertezas e tentações. O testemunho maternal e um lar que temia ao Senhor (o exemplo dos meus irmãos merece um outro pensamento) contribuiu para a posterior conversão de meu Pai e para talhar em meu coração princípios que me acompanharão até o meu último suspiro de vida.

Diante da aproximação do nascimento de meu filho é natural que eu construa alguns modelos para o que eu considero ser “o ideal de um pai” porém não posso me submeter ao ideal do mundo mas sim ao ideal divino. Claro que quero dar pra ele o melhor de tudo: educação, esporte, lazer, cultura, moradia, roupa, etc. Mas pensando bem essas coisas não possuem valor eterno, elas são tão efêmeras quanto superficiais. O que o meu filho precisa é de que eu ame ao Senhor de todo o meu coração. De que a minha vida seja inteiramente consagrada a Deus de tal maneira que ele sinta, ouça e veja a Deus através da minha experiência até chegar ao momento em que ele sinta, ouça e veja a Deus na sua própria experiência.

Neste “dia das mães” pude perceber que, para uma criança, as atitudes falam muito mais alto do que qualquer discurso e que não existe nada mais didático do que o exemplo. Trazer Deus para o meu dia a dia foi o melhor legado que minha mãe me deixou e essa será a maior herança que desejo deixar para o meu filho.

“No temor do Senhor tem o homem forte amparo, e isso é refúgio para os seus filhos.” Proverbios 14:26

 

 

Hoje

abril 21, 2010 0 comentários

“Portanto não vos inquieteis com o dia de amanhã, pois o amanhã trará os seus cuidados” Mateus 6:34

Nesses dias de gravidez tenho ouvido de muitas pessoas o conselho de aproveitar ao máximo o “filhote” enquanto ele ainda é pequeno – “Porque o tempo passa muito rápido e, quando menos percebemos, o bebê tornou-se um adulto”. Realmente a vida passa muito mais rápido que percebemos e eu tenho um palpite para isso: é porque sempre estamos olhando para o futuro e não aproveitamos plenamente o presente. Talvez uma prova que sustente a minha tese é o fato de que ninguém ainda me aconselhou a curtir e a aproveitar esse período de gravidez. Geralmente olhamos apenas para frente e perdemos o dia de hoje.

Não nos enganemos com a aparência trivial do assunto: esse é um dos maiores males da nossa sociedade consumista ocidental. A angústia gerada pelo desejo de sempre ter “algo mais” faz-nos perder a alegria, paz e o gozo de desfrutarmos do que temos hoje. A propaganda enganosa e cruel projetada por Satanás e veiculada em todos os meios de comunicação que nos atingem nos induzem a acreditar que “ter” é mais importante do que “ser”. O que nos leva correr atrás do vento o tempo inteiro aceitando usar as pesadas algemas de uma vida escravizada pela promessa de um amanhã melhor. Porém, o hoje, nada mais é do que o amanhã de ontem e, de fato, o amanhã nunca chega.

Tenho a impressão que, todos nós, temos nossos momentos de lucidez quanto a esse fato. A grande tristeza é que geralmente tal momento se dá com clareza em momentos irreversíveis: quando enterramos nossos pais e percebemos que poderíamos ter gasto mais tempo com eles. Diante de um casamento destruído descobrimos que os gestos gentis e amorosos do cotidiano foram esquecidos e agora a pessoa que você tanto amava tornou-se uma estranha. Quando os filhos crescem e se vão deixando não apenas um quarto vazio na casa mas a sensação que poderíamos ter vivido mais plenamente todos esses anos passados. Ou quando, ao adentrarmos pelos portais eternos, descobrirmos que Deus Pai, O Eterno, é uma pessoa absolutamente desconhecida das nossas vidas ficando sempre à margem das nossas decisões, tempo e desejos. Como aconselha o pregador: “Lembra-te do teu Criador nos dias da tua mocidade, antes que venham os maus dias, e cheguem os anos dos quais dirão: Não tenho neles prazer; antes que se escureçam o sol, a lua e as estrelas do esplendor da tua vida, e tornem a vir as nuvens do aguaceiro; no dia em que tremerem os guardas da boca, por já serem poucos e se escurecerem os teus olhos nas janelas; e os teus lábios, quais portas da rua, se fecharem; no dia em que não puderes falar em alta voz, te levantares à voz das aves, e todas as harmonias, filhas da música, te diminuírem; como também quando temeres o que é alto, e te espantares no caminho, e te embranqueceres, como floresce amendoeira, e o gafanhoto te for um peso e te perecer o apetite; porque vais à casa eterna, e os pranteadores andarão rodeando pela praça; antes que se rompa o fio de prata e se despedace o copo de ouro, e se quebre o cântico junto à fonte, e se desfaça a roda junto ao poço, e o pó volte à terra, como o era, e o espírito volte a Deus, que o deu. Vaidade de vaidade, diz o pregador: tudo é vaidade.” Eclesiastes 12:1 – 8

O passado já ficou pra trás, não temos como mudá-lo. O futuro não nos pertence porque: “qual de vós, por ansioso que esteja, pode acrescentar um côvado ao curso da sua vida?” MT 6:27. É por isso que o conselho bíblico é para com o dia de Hoje: “Hoje se ouvirdes a sua voz, não endureçais os vossos corações” Hb 3:7 e outra vez: “exortai-vos mutuamente cada dia, durante o tempo que se chama Hoje” Hb 3:13. Consagrar nosso dia à Deus e viver o dia presente plenamente sendo grato a Deus por todas as bênçãos e provações do cotidiano parece ser um bom conselho para que não tenhamos a sensação de que “a vida passou rápido e eu nem vi.” Como o Senhor Jesus nos aconselha não devemos andar preocupados com o amanhã, o dia de Hoje já possui as suas inquietações e alegrias.

Sei que a minha vida nunca mais será a mesma com a chegada do “filhote”. Não vou poder acordar sábado no horário que eu quiser nem jantar no sofá vendo TV. Um ciclo se encerrará e um novo se aproximará com suas sensações, alegrias e sacrifícios. Mas o que eu farei hoje? Vou ficar ansioso com o dia de amanhã e esquecer do presente? De jeito nenhum! Hoje eu vou viver cada momento da gravidez: comprar o enxoval, ler livros sobre educação de filhos, decorar o quarto e curtir o visual “barrigudo” da minha amada. É… terei um dia feliz. Hoje.

“Portanto vede prudentemente como andais, não como néscios, e, sim, como sábios, remindo o tempo porque os dias são maus.” Efésios 5:15,16