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Dinheiro

Resistência ou Aliança?

maio 25, 2006 0 comentários

Semana passada assistimos com perplexidade a onda de violência que assolou o Estado de São Paulo. Em 5 dias, 251 ataques a alvos policiais e civis com saldo de 132 mortos e 115 feridos. Agora, após uma possível normalidade, existem rumores que o estado fez um acordo com o PCC (facção criminosa que assumiu os atentados) para o fim dos ataques.
A oposição tem criticado a possível negociação entre o estado e o crime organizado, enquanto isso, o governo nega qualquer tipo de acordo apesar do comandante-geral da PM admitir conversas entre as partes. Dá-se a sensação do famoso dito popular: “se não pode vencê-los, junte-se a eles”.

Uso como pano de fundo essa aliança anômala entre o estado e o crime organizado, para ilustrar uma aliança ainda mais estranha que já perdura por séculos: a igreja e o dinheiro. Deixo bem claro que o dinheiro em si é uma coisa neutra. Várias vezes na palavra de Deus o dinheiro é mostrado como uma importante ferramenta da obra de Deus e abençoando a igreja. Cito apenas alguns textos como exemplo: (At 2:45, 11:29-30, Rm 15: 26, II Co 9:12-15, Fp 4: 15-16).

Porém, a Palavra de Deus é clara ao dizer que: “o amor do dinheiro é raiz de todos os males” (I Tm 6:10). Em Mateus 6:24, o Senhor Jesus chegou a denominar as riquezas como sendo um deus (Mamon). Ele diz claramente: “ninguém pode servir dois senhores, porque ou há de aborrecer-se de um, e amar ao outro; ou se devotará a um e desprezará ao outro. Não podeis servir a Deus e à Mamon.”


Ao estudar um pouco a história do cristianismo, não tenho dúvidas ao afirmar que o cristianismo optou em fazer uma aliança com Mamon ao invés de resisti-lo. A submissão ao deus Mamon tem tornado muitos de nós escravos de um cruel tirano. Andamos ansiosos pelo dia de amanhã, buscamos as mesmas coisas que os gentios buscam (Mt 6: 31 – 34). Não aprendemos a ter uma vida simples e grata (I Tm 6:8). Tornamos-nos avarentos porque sempre queremos mais (Hb 13:5). Acumulamos tesouros nessa terra o que contraria diretamente as ordens do verdadeiro Deus (Mt 6:19).

Quando o Senhor Jesus foi tentado no deserto, Satanás ofereceu-lhe a glória desse mundo em troca da sua adoração. O Senhor, não aceitou qualquer tipo de aliança antes o resistiu confessando que apenas o Deus Pai merece toda adoração.
Penso em minha vida. Em como sou seduzido diariamente pela vaidade do cotidiano. Em como a minha alma deseja fazer alianças com esse mundo. Ao fazer um balanço, tento diagnosticar onde está o meu tesouro – porque sei que ali estará o meu coração. Tento perceber quais são as minhas ambições, planos e desejos. O que tenho feito com o meu tempo e como tenho administrado minhas finanças.

Ao final de minha jornada, junto com milhões de outros peregrinos, chegarei à cidade santa. Ali, andando em uma cidade toda de ouro, cuja as portas são pérolas e suas muralhas são adornadas com toda espécie de pedras preciosas, poderei declararar, que o Cordeiro é o meu maior tesouro.

Senhor, abra os meus olhos para que eu o veja assim, hoje. Para vergonha de Mamon e para louvor do Teu Santo Nome.

“… pratiquem o bem, sejam ricos de boas obras, generosos em dar e repartir, que acumulem para si mesmos tesouros, sólido fundamento para o futuro, a fim de se apoderarem da verdadeira vida.” (I Tm 6:18 – 19)