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comunhão

Empurrando o carro

novembro 7, 2019 0 comentários

“Fazei e guardai, pois, tudo quanto eles vos disserem, porém não os imiteis nas suas obras, porque dizem e não fazem.”  Mateus 23:3

 

Certa vez, Um grupo de pessoas fez a seguinte experiência: colocaram um carro enguiçado na rua e uma pessoa parada ao lado pedindo ajuda… esperaram por alguns minutos e ninguém parou para ajudar. Depois pegaram o mesmo carro, a mesma pessoa na mesma rua e, ao invés de ficar parada pedindo ajuda ela começou a empurrar o carro … em pouco tempo outras pessoas se apresentaram para ajudar.

 

Não precisaríamos fazer uma experiência como essa para saber, intuitivamente,  essa verdade: pessoas se identificam e se solidarizam muito mais com aqueles que estão tentando do que com aqueles que estão simplesmente apontando o problema. 

 

A Bíblia nos mostra que nossas palavras necessitam andar de mãos dadas com o nosso comportamento. Esse é o testemunho sobre o Senhor em Atos 1:1 quando Lucas diz das cousas que Jesus começou a fazer e a ensinar ou quando João Batista enviou mensageiros para conversar com o Senhor. Ele responde “ide, anunciai a João o que estais ouvindo e vendo:” Paulo escrevendo aos Filipenses ele pede para que se lembrassem das coisas que eles ouviram e viram nele” da mesma forma na sua última carta,falando a Timoteo ele diz: “tu porém, tens seguido de perto o meu ensino e procedimento”. A proclamação do evangelho é muito mais do que palavras que se pregam é uma vida que se vive. E essa é a critica do texto do inicio desta meditação quando o Senhor fala dos fariseus … teoria nota 10 prática nota zero. Ensinam sobre o amor mas não amam. Reclamam da falta de compromisso dos outros mas eles mesmos não se consagram. Ficam na periferia murmurando e criticando tudo e todos. Sempre, claro, envolvendo suas observações em uma falsa aparência de piedade. 

 

Muitas vezes a vida de igreja parece com um carro enguiçado. O que era para ser não é e tudo parece estagnado. Enxergamos os problemas e ai podemos reagir de duas formas: ou ficamos murmurando e reclamando da situação e das pessoas ou começamos a empurrar o carro sabendo que alguma coisa precisa ser feita. É como se diz: a mudança que espero nos outros começa primeiramente dentro de mim. 

 

Tenho a impressão que se você decidir agir mais do que falar acontecerá duas coisas: A primeira é que, com o tempo, outras pessoas, encorajadas pelo seu exemplo, começarão a empurrar o carro junto com você. E a segunda coisa é que você perceberá que outros irmãos já estavam empurrando o carro muito antes de você começar.

 

“Não amemos de palavra nem de língua mas de fato e de verdade” I Jo 3: 18

 

A melhor parte

outubro 31, 2019 0 comentários

“Indo eles de caminho entrou Jesus num povoado. E certa mulher, chamada Marta, hospedou-o na sua casa. Tinha ela uma irmã chamada Maria, e esta quedava-se assentada aos pés do Senhor a ouvir-lhe os ensinamentos. Marta agitava-se de um lado para outro, ocupada e muitos serviços. Então se aproximou de Jesus e disse: Senhor, não te importas de que minha irmã tivesse deixado que eu fique a servir sozinha? Ordena-lhe, pois que venha ajudar-me. Respondeu-lhe o Senhor: Marta! Marta! andas inquieta e te preocupas com muitas cousas. Entretanto, pouco é necessário, ou mesmo uma só cousa: Maria, pois, escolheu a boa parte e esta não lhe será tirada.”  Lucas 10: 38 – 42

 

Talvez você já tenha escutado alguém, ao fazer uma reflexão sobre esse texto dizer, que mais importante do que servir ao Senhor é estar aos seus pés. Isso é, em qualquer perspectiva, uma verdade absoluta porque podemos trabalhar para o Senhor sem estarmos aos seus pés. Porém quem estiver aos seus pés inevitavelmente trabalhará para Ele.

O problema que surge é que, muitas vezes parece existir a necessidade de fazermos uma escolha: ou somos como Marta ou somos como Maria. Temos de escolher: ou trabalhamos ou ficamos parados aos seus pés. Isso tem levado alguns de nós a uma vida cristã pouco prática e até mesmo ociosa. Nos contentamos com uma experiência basicamente contemplativa e pouco operosa. Lendo Tiago capitulo 2 vemos claramente, que qualquer bom observador da nossa vida pode concluir o que nós realmente cremos, não pelo que falamos mas pelo que fazemos. Tiago diz: eu com a minhas obras te mostrarei a minha fé. 

De maneira que não penso que o propósito da história de Marta e Maria seja nos mostrar que essas duas dimensões (trabalho e contemplação) não possam andar juntas.Creio que essa história nos revela o perigo de termos um coração dividido. 

Lucas começa nos apresentando Marta: é ela quem hospeda ao Senhor e com sinceridade ela se ocupou em servi-Lo em muitas coisas. Até o momento em que Marta para de olhar para o Senhor e começa olhar para a sua irmã… E ao olhar para a sua irmã – se comparou. E ao se comparar – se incomodou. E ao se incomodar – reclamou. E ao reclamar – Ela ordenou ao Senhor que ordenasse o que a sua irmã deveria fazer. 

E é nessa situação que o Senhor Jesus corrige o coração de Marta. Porque ela havia tirado os seus olhos do Senhor e passou a olhar para os lados. E quando servimos a Deus olhando para as pessoas e não para Ele, nós perdemos a boa parte. Passamos a nos sentir superiores que os outros. Tiramos conclusões e julgamos ao próximo tendo o nosso serviço como referência. Passamos a reclamar uns dos outros e dizer o que o outro deve fazer. Pense no constrangimento que Marta passou. É como se o Senhor Jesus a corrigisse dizendo “não me diga o que devo ordenar, mas se eu fosse ordenar alguma coisa para alguém seria para você Marta… e eu te ordenaria que você olhasse apenas para mim e aquietasse o seu coração:”

O texto diz que Maria ficava aos pés do Senhor ouvindo os seus mandamentos. De maneira que eu tenho para mim,  que se Marta não tivesse falado nada e com alegria continuasse a servir ao Senhor, em algum momento o Senhor Jesus falaria para Maria: “agora se levante e vá ajudar a sua irmã”. Então teríamos essas duas mulheres servindo e contemplando apenas o Senhor com alegria e integridade de coração. 

Minha oração é que assim como Marta eu me ocupe em servir ao Senhor Jesus em muitas coisas mas, que assim como Maria, eu sempre esteja aos seus pés olhando apenas para Ele.

“Tudo quanto fizerdes, fazei-o de todo o coração, como para o Senhor” Cl 3:23

Com vergonha do evangelho

setembro 26, 2019 0 comentários

“não me envergonho do evangelho porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê” Rm 1:16

Certa vez eu li o relato de um pastor que participou de uma reunião de jovens em uma igreja lá nos Estados Unidos. onde ele diz mais ou menos o seguinte:

“Entrei em um tipo de loft que combinava diversos elementos: fliperama, cafeteria, clube de dança e recreação. A sala pulsava energia com uma sensação de felicidade. Alguns jovens estavam jogando playstation outros estavam largados no sofá vendo seus celulares enquanto que outros estavam conversando ao redor de uma mesa cheia de guloseimas. Após algum tempo, todos eles se reuniram para o início do culto. Começou então uma adoração comunitária . Uma banda barulhenta ocupava o palco central. A banda conduzia o grupo por uma sequência incitante de canções de louvor triunfantes e depois por uma sequência de meditações introspectivas. Abruptamente, eles pararam de tocar e um grupo de teatro subiu no palco para aliviar a atmosfera e comunicar a todos que seguir a Jesus pode ser divertido. Depois disso um pastor jovem e moderno trouxe uma mensagem onde, resumidamente, ele  dizia “não beba” “não fume” e principalmente “não faça sexo” tudo isso com uma grande preocupação de não parecer careta nem soar uma coisa chata. Após terem recebido uma mensagem vagamente bíblica os jovens foram dispensados com promessas de mais divertimento na semana seguinte.”

A turma que nasceu após o ano 2000 é conhecida na literatura como a geração Z ou os nativos digitais. Eles não sabem o que é um mundo sem internet, são multimídia, multitelas e por isso mesmo,  conquistar a atenção deles não é nada fácil. Os pais desses jovens possuem uma honesta preocupação de que seus filhos saiam da igreja e abandonem a fé. Mas, se a intenção é correta os meios escolhidos são perigosos e insuficientes. Porque transformamos o ministério de jovens em uma tentativa de lhes oferecer o próprio mundo envelopado na religião cristã na tentativa que isso consiga os segurar na igreja. 

O remédio que se oferece aos jovens poderá, no futuro, tornar-se em um veneno. Porque se a tentativa é oferecer as coisas do mundo em doses homeopáticas chegará um momento em que o jovem descobrirá que poderá experimentar todas essas coisas de uma forma mais liberada fora da igreja. Não oferecemos entretenimento, isso o mundo oferece melhor do que nós. Não oferecemos diversão, vida social ou experiências sensoriais … oferecemos o evangelho eterno e imutável de Deus que nos liberta de um império e nos transporta para pertencermos a um outro reino.

Precisamos enfrentar essa realidade com coragem e temor porque manter nossos jovens presos no prédio da igreja não é, de modo algum, sinônimo de torná-los prisioneiros de Cristo. O preço a ser pago para se tornar um discípulo de Cristo é altíssimo porque o custo é a própria vida.  Por isso que o Senhor já nos avisou que a porta é estreita e apertado o caminho que conduz para a vida e são poucos que se acertam com ela.  

Não devemos nos envergonhar do evangelho de Deus como se fosse insuficiente para os nossos jovens ou desatualizado para os dias de hoje.  Não devemos omitir as duras verdades do evangelho com medo de que o nosso ouvinte fique chateado ou pense que somos radicais demais. Que o Senhor nos livre de fazermos concessões ou adulterações na sua palavra na  tentativa de tornar o convite de Cristo mais agradável e palatável a quem quer que seja. 

 

A Igreja, como nação santa, como povo de propriedade exclusiva de Deus, dá esse testemunho … vivemos para Cristo. nós nos reunimos por causa de Cristo, servimos e amamos uns aos outros por causa de Cristo.  Se isso parece loucura para alguns, para nós é poder e sabedoria de Deus.  

 

“nós pregamos a Cristo crucificado, escândalo para os judeus, loucura para os gentios;  mas para os que foram chamados, pregamos a Cristo, poder de Deus e sabedoria de Deus” I Co 1: 23,24

 

Prontos para ouvir

maio 30, 2019 0 comentários

“Todo homem, seja pronto para ouvir e tardio para falar” Tiago 1: 19

Vivemos a era digital. Nossas interações estão cada vez mais sendo pautadas pelas redes
sociais e mensagens via WhatsApp. Paramos de olhar no olho do outro e de investir tempo
de qualidade nos nossos diálogos. Somos apressados no falar. Apenas nossa opinião e
sentimentos importam. Temos invertido a orientação bíblica. Somos prontos para falar e
tardios para ouvir. Com isso nossos relacionamentos estão se tornando cada vez mais
superficiais e individualistas.

Precisamos voltar a considerar o conselho bíblico: não importa se você é pai, mãe, pastor,
presidente, diretor … todo homem deve estar pronto para ouvir. Agora, é preciso esclarecer; ouvir é muito mais do que escutar é criar conexão emocional com o próximo. Para que isso aconteça eu gostaria de te dar algumas sugestões:

Quando estiver conversando com alguém, transforme essa pessoa no centro da sua atenção. Ela deve ser a única coisa que importa para você naquele momento. Faça todo o esforço de entender a situação na perspectiva dela. Sinta o que ela está sentindo. Não a interrompa. Ultrapasse as palavras, ouça o seu coração e a sua alma esforce-se para perceber o que ela está tentando transmitir. Não se apresse em opinar, repreender ou orientar. Você nunca compreenderá a outra pessoa se a sua interação for apenas na superfície … transitando apenas no nivel das palavras. Lembre-se que algumas coisas têm sentidos diferentes para as pessoas. Então ouça com muita sensibilidade. Procure entender como a outra pessoa está se sentindo e não como você se sente por causa do problema dela. Não a escute dentro do seu próprio marco de referência, filtrando o que te interessa pelo filtro dos seus próprios sentimentos. Não suponha, não deduza. Se tiver dúvida, pergunte. Descubra o que ela realmente está querendo dizer, qual é o motivo e o sentimento que a levam sentir-se dessa maneira. Não tente ver os problemas do outro pelo filtro que você enxerga os seus. Mas tente enxergar pelo filtro que a outra pessoa está vendo. Dê a oportunidade da pessoa se esvaziar e falar desimpedidamente.

Você se lembra da experiência de Jó? o Senhor Deus aguarda Jó e seus amigos falarem tudo o que queriam. E apenas depois que a Bíblia diz: “fim das palavras de Jó“ é que o Senhor fala e faz suas considerações. O Senhor Deus como um bom ouvinte, esperou Jó se esvaziar e expor tudo o que estava sentindo para só então preencher o seu coração quebrantado com palavras transformadoras.

O nosso desafio é enorme. Porque fazemos parte de uma geração que perdeu a habilidade de ouvir empaticamente. Escutamos mas não ouvimos. Entendemos mas não discernimos. Ficamos impacientes porque ouvir ao outro parece ser uma perda de nosso precioso tempo. E manifestamos nosso desinteresse através da pressa em estabelecer e falar o nosso pensamento. O nosso egoísmo emocional nos impede de chorar com os que choram e de se alegrar com os que se alegram. Não é de se estranhar que, geralmente, o nosso falar se torna em um discurso vazio. E, não raro, destruímos ao invés de edificar.

Ser pronto para ouvir é, com o máximo de diligência e compaixão possível, se identificar com as limitações, dores, pecados e tristezas do próximo. E quando conseguimos criar essa verdadeira conexão no diálogo … então, finalmente, estaremos prontos para falar, esperando e dependendo que, ao abrirmos a boca seremos apenas um instrumento do próprio Espírito Santo de maneira que venhamos abençoar , de verdade , uma outra pessoa.

“Como maçãs de ouro em salvas de prata assim é a palavra dita a seu tempo” Pv 25:11

 

A vitória dos derrotados

abril 26, 2019 0 comentários

“ E sendo acusado pelos principais sacerdotes e pelos anciãos, nada respondeu. Então lhe perguntou Pilatos: não ouves quantas acusações te fazem? Jesus não respondeu nem um palavra, vindo com isto a admirar-se grandemente o governador.” Mt 27:12 – 14

Não sei você, mas sempre tive uma ideia – talvez influenciado por filmes e televisão, mas eu pensava de que uma pessoa com muita sabedoria, conhecimento ou, no caso de um cristão, com discernimento espiritual, jamais poderia perder uma discussão. Ou, melhor, ela teria a capacidade de desconstruir a opinião ou as ideias de qualquer oponente provando para os seus ouvintes que “um homem de Deus” sempre prevalece diante de um embate.

Até que um dia, lendo o livro Ortodoxia de G.K. Chesterton, ele disse uma coisa muito interessante: : ele observou que se uma pessoa sã discute com um louco, é extremamente provável que tal pessoa leve a pior, pois, sob muitos aspectos, a mente do louco não se atrapalha com as coisas que acompanham o bom juízo. Ela não tem compromisso com a verdade ou com o bom senso. De modo que a sua abordagem torna-se impossível de ser rebatida por alguém que usa a sanidade como uma bússola moral.

É difícil expressar como isso me ajudou. Tais palavras entraram iluminando o meu entendimento e me trouxeram uma profunda e verdadeira libertação. Naquele dia, eu entendi que, muitas e muitas vezes ou senão todas as vezes em que um piedoso conversar com um ímpio ele se calará. Isso porque, como servo da luz ele respeitará o próximo. Se recusará a ofendê-lo ou como é comum nas discussões, ele não extrapolará os limites da honra insinuando mentiras, difamações ou calúnias. Por outro lado, o ímpio, que não teme as consequências das suas palavras, abrirá a sua boca propalando arrogâncias, ofensas e ódio.

Posso entender melhor o silêncio do nosso Senhor Jesus quando esteve diante do Sumo Sacerdote, de Herodes e de Pilatos. Ao contrário do que o conceito de persuasão terrena pode julgar o Senhor da Glória, o verbo de Deus, sabia que existem muitas situações que não são resolvidas com palavras. Ao se calar, o Senhor falou muitas coisas. Uma delas é a clara percepção de que as coisas espirituais se discernem espiritualmente e não através da razão humana.

Uma das coisas mais terríveis que pode acontecer conosco é pagarmos mal com mal. Ofensa por ofensa. Calúnia por calúnia. Ameaça por ameaça. Quando isso acontece o mal vence e Satanás alcança o seu propósito de destruir tudo e todos os envolvidos. Acabamos nos nivelando por baixo, usamos as mesmas armas das trevas, desejamos produzir no outro a mesma dor e morte que ele está tentando causar em nós.

Podemos até sair de uma discussão entre aspas com a “alma lavada” por ter falado algumas verdades na cara da pessoa. Imediatamente, começamos a buscar desesperadamente a nossa auto-justificação no esforço de encontrarmos uma absolvição para nossa conduta. O perigo desse processo em nossos corações é que podemos ficar

cada vez mais insensíveis aos outros nos tornando pessoas com uma consciência cauterizada sempre preparados e dispostos a uma boa briga. Como Paulo diz a TIto: nos tornamos odiosos e odiando-nos uns aos outros. Casamentos são destruídos, pais e filhos se afastam, a fraternidade entre os irmãos desaparece isso tudo porque, muitas vezes, não conseguimos ficar calados.

Aparentemente, para os distraídos ou para os de fora, poderá até parecer que você é uma pessoa fraca. Mas isso é muito pequeno comparado com a paz interior que o Espírito Santo produz. Com a sensação de que o mais importante é testemunhar das coisas santas do caráter de Deus.

Precisamos entender que o Reino de Deus não se regula nos mesmos termos que o reino dos homens. Então, no Reino de Deus, o maior é o menor, quem tem autoridade é o que serve, o rico é o que se faz pobre. Quem quer preservar a sua vida , perde e quem decide morrer, vive. Os primeiros serão os últimos e os últimos serão os primeiros.

De maneira, que devemos andar de modo digno nesta terra sob a perspectiva dos valores morais e espirituais do nosso Senhor. Então vamos perceber que muitas vezes nós ganhamos mas perdemos. E, não raro, muitas vezes nós perdemos, mas na verdade, nós ganhamos.

“ porquanto para isto mesmo fostes chamados, pois que também Cristo sofreu em vosso lugar, deixando-vos exemplo para seguirdes os seus passos, o qual não cometeu pecado nem dolo algum se achou em sua boca, pois ele, quando ultrajado não revidava com ultraje, quando maltratado não fazia ameaças, mas entregava-se àquele que julga retamente“ I Pe 2:21 – 23

Sê tu uma bênção

fevereiro 14, 2019 0 comentários

“Disse o Senhor a Abraão: sai da tua terra e da tua parentela e da casa de teu pai, e vai para a terra que te mostrarei; de ti farei uma grande nação e te abençoarei, e te engrandecerei o nome. Sê tu uma benção; e em ti serão benditas todas as famílias da terra.” Gn 12 : 1 – 3

Você exerce maior influência no outro do que pode perceber. E essa influência é como uma força que gera as pressões que tentam modelar os nossos corações. Existe a força do amor mas também a força do ódio. A força da rejeição mas também a força do acolhimento. E essas forças estão inerentes e permeiam todos os nossos relacionamentos.

Por exemplo, estudiosos do comportamento humano,  descobriram que, apenas pelo fato de um professor dizer ao seu aluno que ele tem um QI alto aquele estudante melhora o seu QI só para corresponder ao reconhecimento e a expectativa do professor. Destacar o melhor das pessoas traz o melhor delas para fora. Mas o contrário também é verdadeiro. Quando vemos e destacamos apenas o pior de uma pessoa isso também traz para fora o pior dela.

De muitas formas nós podemos produzir o pior no próximo: a difamação, calúnia, maledicência são maneiras muito contundentes de demonstrar rejeição e condenação para com uma outra pessoa.  Por outro lado, palavras de vida, encorajamento, perseverança e esperança podem produzir ânimo em um coração aflito.

Recentemente ouvi sobre uma passagem da história de Thomas Edison – talvez uma das mais brilhantes mentes  norte-americana. Ele era o filho caçula de sete irmãos e a sua mãe, uma ex-professora, se dedicava na criação de seus filhos em tempo integral. Quando Thomas Edison tinha sete anos ele chegou em casa com uma carta escrita pelo colégio e disseram a ele que apenas a sua mãe poderia ler. Thomas entregou a carta para sua mãe e ela a leu. Enquanto lia a carta ela começou a chorar e  olhando para Thomas disse: “filho, sabe o que a carta diz? Diz  que você é uma pessoa extraordinária e nenhum dos seus colegas é igual a você. A escola me pediu para que , a partir de hoje, eu te ensine porque ela já não o consegue fazer. Então a partir de amanhã você não voltará mais por lá”.  Então a mãe começou a ser a sua professora e a ensinar ao pequeno Thomas. Pouco a pouco Thomas Edison começou a criar uma paixão pelos estudos e, cada vez mais, devorava e estudava todos os livros que lhe eram oferecidos. Aos 12 anos já começara a fazer suas primeiras experiências e tornou-se o inventor que conhecemos a história. Quando ele estava com 24 anos sua mãe morreu. E enquanto a sua família estava arrumando o quarto e limpando os armários, Thomas encontrou a cartinha que sua mãe havia recebido da escola. Quando ele leu a carta, para lembrar de um momento tão marcante da sua infância, Thomas Edison também chorou.  Porque a carta não dizia o que a sua mãe deu a entender a ele. A carta dizia que Thomas Edison tinha um retardo mental e uma enorme dificuldade de aprendizagem e que ele estava atrapalhando os demais alunos. De maneira que o colégio estava comunicando o desligamento dele e que a partir daquele dia não seria mais aceito por lá. 

Nós escolhemos que tipo de força iremos exercer nas pessoas ao nosso redor. Podemos ser opressores ou libertadores, fontes de água salgada ou fontes de água doce. Podemos escolher produzir vida ou produzir morte.

Em última instância, e talvez a mais importante, eu percebo que escolher abençoar ao meu próximo é um reflexo da própria vida de Deus em mim. Porque lá na Cruz, por meio da obra do Senhor Jesus, Deus decidiu me abençoar e me livrar de toda maldição. Ele me pegou nu, sujo e miserável , me lavou, me purificou e me vestiu com vestes de salvação. De maneira que, quando você, abençoa alguém, você compartilha o mesmo que recebeu e ainda tem recebido de Deus.  Ao abençoar o meu próximo eu estou dizendo pra ele que eu, assim o faço, porque Deus fez isso comigo também.

E assim como aconteceu com Abraão, o Senhor Deus não nos abençoa com um fim em nós mesmos. Deus abençoou a Abraão para que, por meio dele, todas as nações fossem abençoadas.

Em uma época em que muitos estão buscando as bençãos … o Senhor procura pessoas que desejam ser uma benção. Pessoas que são luz, sal e que manifestam a fragrância  do bom perfume de Cristo.

Ser uma benção é uma resoluta decisão de permitir que o próprio Deus me use nessa urgente batalha pelo resgate da dignidade humana.

Então que seja assim: não mais eu mas Cristo em mim.

“finalmente , sede todos de igual ânimo, compadecidos, fraternalmente amigos, misericordiosos e humildes, não pagando mal por mal, ou injuria por injurias; antes, pelo contrário, bendizendo, pois para isto mesmo fostes chamados, a fim de receberdes benção por herança” I Pe 3:9

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À procura de Deus

novembro 30, 2018 0 comentários

“Fui buscado dos que não perguntavam por mim, fui achado daqueles que não me buscavam; a um povo que não se chamava do meu nome eu disse: Eis-me aqui, eis-me aqui.” Isaias 65: 1

Recentemente, um irmão me fez a seguinte indagação: “ Tenho perguntado sobre isso a muitas pessoas e ninguém me deu uma resposta satisfatória; afinal de contas, como faço para buscar a Deus?” Esse tipo de pergunta todo cristão com alguns anos de vida cristã responde facilmente. No meu caso não foi diferente, comecei dizendo da importância da oração, do devocional diário , do reunir etc. Mas enquanto eu falava percebi que todas aquelas coisas ele já sabia, eu não estava dizendo nada de novo. Ele não precisava de teoria isso ele já tinha e, obviamente, não estava o levando até a Deus. Aprender a cultivar a presença de Deus deveria ser um tema prioritário em nossas meditações. Mas como procurar um ser onipresente?

Jonas aprendeu sobre a onipresença de Deus da maneira mais difícil. Escondido dentro do porão de um barco tentando fugir “para longe da presença do Senhor” (Jn1:3) ele percebeu que “os olhos do Senhor estão em todo lugar contemplando os maus e os bons (Pv 15:3)”. E, depois de um tratamento super-intensivo de três dias, ele também aprendeu que os ouvidos do Senhor estão abertos para ouvir as súplicas do quebrantado seja aonde for – dentro do metrô, de um banheiro público ou dentro do ventre de um peixe. Davi também desistiu de fugir de Deus: “Para onde me ausentarei do teu Espírito? Para onde fugirei da Tua face? ( Sl 139: 7)”.

Seria mais prático se existe um formato pré-concebido para buscar a Deus, uma espécie de roteiro que dispensasse sinceridade e desejo deixando apenas o esforço. Mas se isso acontecesse não desenvolveríamos um relacionamento saudável, pessoal e respeitoso com Ele. Como o gênio da lâmpada, Deus se tornaria um escravo de nossas vontades, tempo e decisões. Por isso, apesar de Deus estar ao nosso lado em todo o lugar e em todo o tempo, cada um de nós precisa exercitar a sua fé para sentí-Lo, vê-lo e ouví-Lo caso contrário não O perceberá.

Diante disso, consigo compreender um pouco melhor quando o Senhor Jesus lamentou quando chegou em Jerusalém. Ali nos é revelado algo do caráter divino. Deus compara seu sentimento para com o homem com o sentimento de proteção e cuidado que a galinha tem pelos seus pintinhos. Ao usar a figura de um animal, talvez o Senhor estivesse querendo nos mostrar que o Seu sentimento transcende a razão. É instintivo, é incondicional, faz parte do seu ser.

Naquela noite com aquele irmão, só pude falar um pouco da minha experiência pessoal. De como luto para quebrar paradigmas que foram incutidos na minha cabeça desde a infância sobre o “buscar a Deus.” Antes eu separava aquilo que era “espiritual” e aquilo que era “secular” no meu cotidiano. Entendia que em alguns momentos do meu dia eu poderia “buscar a Deus” e em outros momentos eu teria que fazer as coisas necessárias como estudar ou trabalhar. Hoje eu me esforço para percebê-Lo o tempo todo. Comer, dormir, namorar, jogar futebol , passear no shopping podem produzir experiências tão reais com Deus como participar de cultos, ler a bíblia ou evangelizar. Por quê? Porque Deus deseja se relacionar comigo em todo o tempo e em todo lugar. Deus não vai embora quando vou almoçar ou dormir. Todas as minhas experiências cotidianas podem ser compartilhadas com Ele. Buscá-Lo não deve ser um evento no meu dia – se Ele é o motivo da minha vida é justo que eu dedique a Ele cada segundo de todas as minhas atividades.

Penso que buscar a Deus não significa que Ele está distante e, que por isso, agora preciso estabelecer alguma forma de contato que chame a Sua atenção. Pelo contrário, creio que buscar a Deus é a reação objetiva à presença Dele. Eu O busco porque Ele está presente. Eu O procuro porque Ele já me encontrou. Eu O amo porque Ele me amou primeiro. Buscar a Deus é uma resposta à Sua busca por nós. É lembrarmos que um novo e vivo caminho para chegar até Deus foi construído por Ele mesmo. Não há restrições. Ele derrubou toda barreira de separação.

O mundo tem sede de Deus porém não consegue O perceber. Nós, peregrinos nesta terra incrédula, temos essa grande responsabilidade – uma vez que Deus está presente em todos os lugares precisamos torná-Lo visível.

“Eu é que sei que pensamentos tenho a vosso respeito, diz o Senhor; pensamentos de paz e não de mal, para vos dar o fim que desejais. Então me invocareis, passareis a orar a mim, e eu vos ouvirei. Buscar-me-eis, e me achareis, quando buscardes de todo o vosso coração. Serei achado de vós, diz o Senhor e farei mudar a vossa sorte.” Jeremias 29:11-14ª

 

Gratidão

novembro 20, 2018 0 comentários

“Estás ciente de que todos os da Ásia me abandonaram; dentre eles cito Figelo e Hermógenes. Conceda o Senhor misericórdia à casa de Onesíforo porque muitas vezes me deu ânimo e nunca se envergonhou das minhas algemas. Antes tendo chegado a Roma me procurou solicitamente até me encontrar. O Senhor lhe conceda, naquele dia, achar misericórdia da parte do Senhor. E tu sabes melhor do que eu, quantos serviços me prestou ele em Éfeso. ” II Timóteo 1:15-18

Olhando para trás tento perceber o quanto de gratidão tenho em meu coração pelo serviço que várias pessoas já prestaram em meu favor. E, se a Bíblia afirma que nos últimos dias os homens serão ingratos (II Tm 3:2), então percebo que a minha atenção para com esse assunto deve redobrar.

Gratidão é a qualidade de estar grato ou o reconhecimento por um benefício recebido. Sendo assim, devemos sempre ter um coração grato para com Deus: “pois Ele mesmo quem a todos dá vida, respiração e tudo mais” (At 17:25). Além disso Deus revelou ao homem Seu propósito e Sua salvação através da obra redentora do calvário. Paulo ordenou aos Colossenses: “louve a Deus com salmos e hinos e cânticos espirituais, com gratidão em vossos corações” (Cl 3:16). Quanto mais dependente for nossa alma maior será a sua capacidade de reconhecer as bênçãos divinas; “Bendize ó minha alma ao Senhor e não se esqueça de nem um só de seus benefícios” (Sl 103:2) – é o clamor de Davi para que sua alma tenha uma boa memória e possa reconhecer a bondade de Deus.

Também precisamos nos exercitar em reconhecer os benefícios que recebemos uns dos outros. Paulo na passagem acima, menciona explicitamente a Timóteo, sua gratidão pela vida de Onesíforo. O grande apóstolo dos gentios; talvez o homem mais usado na história do cristianismo, no final da sua vida, ainda é capaz de reconhecer os serviços dos outros em favor dele. É interessante destacar o que o nome de Onesíforo significa – portador de préstimos. Deus sempre colocará ao nosso redor pessoas portadoras de Suas bênçãos.

Contrastando com o exemplo de Onesíforo, Paulo menciona sobre a perturbação que Alexandre, o latoeiro, trouxe a sua vida. Alexandre foi um blasfemador (I Tm 1:20), de coração resistente (II Tm 4:15) e causador de muitos males (II Tm 4:14). Também acho interessante destacar o oficio de Alexandre – latoeiro ou funileiro. Alexandre não apenas fazia funis mas também afunilou sua gratidão. Paulo, que passara quase dois anos em Éfeso, pregando, ensinando e correndo risco de vida (At 19) agora se via confrontado por, provavelmente um de seus filhos na fé. E assim como um funil, Alexandre que tanto recebeu não aprendeu a dar proporcionalmente. Reteve mais do que devia e por isso mesmo perdeu o santo equilíbrio.

Quando estudava o livro de Timóteo voltei minha atenção para essa questão da gratidão: será que tenho reconhecido e honrado adequadamente os “Onesíforos” que Deus tem levantado ao longo da minha jornada? Cada palavra de instrução, cada palavra de admoestação, cada palavra de consolo, cada oração feita em meu favor, cada visita, cada sorriso… Será que tenho esquecido os muitos benefícios que tenho recebido ao ponto de afunilá-los e perceber apenas poucos?

Pensando nesse assunto, pude me recordar de tantos nomes: das professoras da minha infância na escola dominical que me ensinaram as primeiras histórias bíblicas, dos tantos irmãos que me apascentaram e guiaram na minha adolescência, na minha mocidade e o fazem ainda hoje. Da minha saudosa avó e dos meus amados pais. Naquele momento pude agradecer a Deus por cada nome que veio à minha mente. Assim como Paulo fez por Onesíforo, também orei pelos meus irmãos para que Deus conceda misericórdia a eles e os recompensem quando aquele dia chegar.

Pensando ainda sobre essa questão de termos um coração grato e honrarmos uns aos outros conclui que isso alegra o coração de Deus porque Ele também é, por natureza, um ser dadivoso. Deus é como um funil ao contrário; o pouco que Lhe oferecemos Ele nos devolverá derramando muito mais do que merecemos. O homem oferece a Deus dentro da sua medida. Deus, por seu lado, nos devolve dentro da Sua.

“Amai, porem os vosso inimigos, fazei o bem e emprestai sem esperar nenhuma paga; será grande o vosso galardão, e sereis filhos do Altíssimo. Pois ele é benigno até para com os ingratos e maus. Sede misericordiosos, como também é misericordioso vosso Pai. Não julgueis, e não sereis julgados; não condeneis e não sereis condenados; perdoai e sereis perdoados; dai e dar-se-vos-á; boa medida, recalcada, sacudida, transbordante, generosamente vos darão.” Lucas 6:35 – 38

Único

novembro 2, 2018 0 comentários

“Alegrai-vos porque os vossos nomes estão arrolados nos céus.” Lucas 10:20

Vivemos muitas vezes influenciados pela opinião dos outros. Passamos muito tempo nos esforçando para sermos como as pessoas esperam que sejamos. Assim, corremos o risco de sermos alguém que simplesmente não somos. Violentamos os nossos sentimentos e a nós mesmos, desprezamos nossos talentos naturais porque queremos ter os talentos da pessoa ao lado.

Por muitos anos acreditei que um cristão maduro deveria ser uma pessoa sisuda e sombria. Pelo fato de ter seus sentimentos sob controle, o cristão maduro não poderia nunca dar uma gargalhada ou chorar copiosamente porque seria uma demonstração patente de carnalidade. Então me esforçava para tentar ser alguma coisa que, essencialmente, era forçado e não natural.

Quando lemos as escrituras, percebemos uma infinidade de histórias e personagens que tinham temperamentos peculiares. Para tentar ser mais claro, usarei a nomenclatura que Tim LaHaye explica no seu livro: “Temperamento controlado pelo Espírito.” Ele explica que, basicamente, existem quatro tipos de temperamentos:

Sanguíneo. O sanguíneo é uma pessoa sempre bem disposta, animada, cordial e amiga. Porém é inconstante emocionalmente, negligente e imprudente. Um bom exemplo é o apóstolo Pedro que, em muitas situações, falou sem pensar e agiu impulsivamente.

Colérico. Pessoa com muita força de vontade, firme, decidido e de aguçado raciocínio. Naturalmente ele é um grande líder no seu meio. Mas também ele é violento, cruel, impetuoso e auto-suficiente. Antes de sua conversão, o apóstolo Paulo se mostrou um ótimo exemplo do colérico: forte em seus ideais ao ponto de perseguir e consentir com a morte daqueles que não concordavam com ele.

Melancólico. Pessoa perfeccionista, metódica e introspectiva. Os maiores gênios da história da humanidade foram melancólicos. São altamente analíticos e reservados. Mas também são egoístas, pessimistas e inseguros. O apóstolo Tomé é um bom exemplo. Ele mostrou seu pessimismo ao pensar que morreria em Betânia como aconteceu com Lázaro (Jo 11:16) e depois mostrou toda a sua insegurança sendo o apóstolo mais incrédulo entre os onze quanto à ressurreição de Cristo.

Fleumático. Geralmente são pessoas espirituosas, práticas e eficientes. São bons observadores e por isso bons conselheiros. Aparenta ser o temperamento mais equilibrado de todos porém eles são morosos, indolentes, provocadores e covardes. Abraão, é uma boa ilustração. Este patriarca foi dominado pelo medo a maior parte de sua existência. Sendo que, duas vezes, ele negou que Sara fosse sua esposa com medo de ser morto.

Observando a vida do Senhor Jesus percebemos o perfeito equilíbrio no perfeito varão. Ele reunia todas as qualidades dos temperamentos. Mas e quanto a nós? Existe um temperamento melhor do que o outro? Creio que a resposta é não. Todos temperamentos possuem qualidades e defeitos. Precisamos permitir que o Espírito Santo controle nosso temperamento. Quando isso acontece daremos um belo testemunho de Deus independente da nossa personalidade. Foi dessa maneira que Pedro tornou-se em um grande líder da Igreja primitiva aprendendo a ser mais prudente e fiel. Paulo deixou seu perfil implacável sendo drasticamente transformado em uma pessoa maleável e dócil. O inseguro Tomé tornou-se em uma poderosa testemunha do Senhor sendo martirizado na Índia e Abraão aprendeu a andar pela fé não pela razão. Na verdade, o Espírito Santo possui uma força diferente para cada fraqueza do homem.

Parei de tentar ser o que não sou. Minhas digitais e arcada dentária são provas materiais da minha individualidade. Ter o meu nome escrito no Livro da Vida e arrolado nos céus é uma prova espiritual que sou único diante de Deus. Quando tento negar quem eu sou desprezo a obra do Deus como meu Criador e rejeito a obra de santificação que Ele deseja realizar como meu Deus Redentor.

Quando compreendo essa lição também passo a apreciar mais meus irmãos porque reconheço neles características que eu nunca terei. E, quando somos controlados pelo Espírito, juntos podemos dar um testemunho harmonioso e singular da nossa pluralidade e, ao mesmo tempo, dar um testemunho plural da nossa singularidade.

Quando encontramos com o Senhor ficaremos surpreendidos com essa verdade: que embora sendo muitos, cada peregrino é único diante Dele.

“Ao vencedor dar-lhe-ei do maná escondido, bem como lhe darei uma pedrinha branca e sobre essa pedrinha escrito um nome novo, o qual ninguém conhece, exceto aquele que o recebe.” Apocalipse 2:17

O silêncio e a luneta

setembro 30, 2018 0 comentários
“Bom é aguardar a salvação do Senhor, e isso em silêncio.” Lamentações 3:27
Conta-se a história de um turista que, ao observar um devoto judeu orando diante do Muro das Lamentações, ficou curioso com aquele momento. Quando o judeu terminou de orar, o turista se aproximou e perguntou:
– Não pude deixar de reparar o seu momento de oração. Vi com que fervor o senhor estava batendo no peito e levantando as mãos e fiquei curioso; para que o senhor ora?
O judeu responde:
– Oro pela justiça. Oro pela saúde de minha família. Oro pela paz no mundo, especialmente em Jerusalém.
– E como você se sente? – quis saber o turista.
– Me sinto como que falando com uma parede.
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Acredito que todo cristão em algum momento da sua peregrinação já teve o mesmo sentimento do judeu da história acima. Por quase dois anos acompanhei a luta do meu sogro contra o câncer. Durante esse longo período nossa família trilhou diversos caminhos sempre na tentativa de alcançar o favor de Deus. Às vezes ficávamos eufóricos e esperançosos quando alguém contava um sonho que interpretávamos como resposta de Deus.Também ficávamos confusos e sem reação a cada exame que indicava a progressão teimosa da doença. Lutamos até o final. Oramos até o final. Então, veio o silêncio.
Neste pensamento, estou chamando de silêncio aquele momento de total perplexidade em que nossa fé se depara com uma encruzilhada. Se apresentam dois caminhos distintos: o primeiro é o caminho que afasta nossa fé de Deus. È o caminho da racionalidade humana. O seu destino é a incredulidade, o esfriamento e a decepção com Deus e com a Sua vontade. O outro caminho segue uma direção diametralmente oposta: é o caminho da fé irrestrita; do prosseguir mesmo não compreendendo os motivos; É o correr em direção a Deus com mais vigor e intensidade do que antes.
Acredito que todos os filhos de Deus irão experimentar em sua jornada esse momento de absoluto silêncio em que um caminho precisa ser escolhido. Aconteceu isso com Jó. Depois de muito falar, a escritura diz: “Fim das palavras de Jó” Jó 31:40b. Apenas quando Jó chegou no seu momento de silêncio a sua história mudou de curso. Assim como aconteceu com Jó nem sempre o Senhor nos explicará os “por quês” mas precisamos crer que em todas as coisas que nos sucedem existe um “para que”.
C.S.Lewis dizia que o sofrimento é o alto-falante de Deus. Parafraseando sua figura eu diria que quando a nossa alma fica em silêncio o Senhor nos oferece uma luneta para O contemplarmos de uma maneira mais próxima. Isso só é possível quando nos esvaziamos de toda lógica humana. Quando abandonamos os questionamentos oriundos de pensamentos corrompidos, desvirtuados e completamente limitados.
Falando assim parece ser fácil, mas definitivamente não o é. As incertezas tentam violentamente afundar nossa fé no sombrio mar da incredulidade. São nesses momentos de crise que nossa alma precisa se decidir como usaremos a luneta. Se tentarmos usar a luneta para olharmos a nós mesmos, veremos a Deus com o lado errado da luneta. Um Deus reduzido, pequeno e distante será toda a nossa conclusão.
Sei que a minha fé ainda passará por muitas provações. Sei que o Senhor não responderá todas as minhas indagações na velocidade ou na maneira que espero. Sei que ainda vou espernear, questionar e reclamar bastante. Porém na minha experiência, posso testemunhar que todas as vezes que passo por essas crises uma luneta se me apresenta. E surge uma possibilidade de enxergar a Deus de uma maneira renovada. Então, humilhado pela minha pequenez permaneço em silêncio. Resignadamente, enxugo as lágrimas dos olhos e aproximo-me da luneta como que reconhecendo que não existe outro remédio para minha alma. E, meio que despretensiosamente, começo a procurar por Ele. Ao procurá-Lo já começo a me sentir melhor. Minha fé se anima, meu coração se esquenta e a esperança renasce. Finalmente o encontro! Meu espírito sente a Sua presença e se enche de gozo. Corro em Sua direção agarrando-me em Seus braços. Ao abraçá-Lo o Espírito Santo dentro de mim confirma que estes são os braços de meu Pai. Já aquietado em Seu colo, com meu cálice transbordando de um sentimento inexplicável percebo que estou em paz. Já não preciso de respostas ou de explicações. O silêncio já não me incomoda mais. A Sua graça me bastou.
Então, o silêncio finalmente é quebrado com a chegada da adoração.
“Aquietai-vos e sabei que eu sou Deus; sou exaltado entre as nações sou exaltado na terra.” Salmos 46:10