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Direitos e Deveres

março 19, 2020 0 comentários

” Chamando–os, ordenaram-lhes que absolutamente não falassem nem ensinassem em o nome de Jesus. Mas Pedro e João lhes responderam: Julgai se é justo diante de Deus ouvir-vos antes a vós outros do que a Deus.” At 4: 18 – 19

 

Em muitas situações dentro do nosso convívio entre os irmãos percebo uma certa confusão no entendimento bíblico sobre o nosso procedimento diante de várias situações. Quando e como devemos aplicar a disciplina corporativa? Será que isso é falta de amor? Não raro alguém lê o texto de Filipenses 2:5 onde se diz que devemos ser como o Senhor Jesus que abriu mão dos seus direitos e se esvaziou assumindo a forma de um servo… ou quando Paulo diz aos coríntios: “por que não sofreis antes a injustiça? por que não sofreis antes o dano? Mas vós mesmos fazeis a injustiça e fazeis o dano, e isto aos próprios irmãos.” I Co 6: 7,8. Mas no capítulo anterior do mesmo livro de Coríntios Paulo ordena – em nome do Senhor Jesus – entregar uma pessoa a Satanás e adverte dizendo: “expulsai do vosso meio o malfeitor” 5: 13.  Essa aparente contradição também pode ser vista na  história do Senhor Jesus … como entender a violenta reação dele no templo expulsando os comerciantes de lá? Ou quando ele é duro na condenação daqueles que desprezavam a salvação de Deus. Repare no testemunho que os herodianos deram dele em Mt 22: 16 “Mestre, sabemos que és verdadeiro e que ensinas o caminho de Deus, de acordo com a verdade, sem te importares com quem quer que seja“. Será que o Senhor era político, fazia vista grossa ou bajulador de pessoas? Qual é o equilíbrio ou como conciliar atitudes aparentemente antagônicas? 

 

Me parece que a chave é a seguinte: tudo o que envolve os meus direitos pessoais, meu nome, honra ou posição eu, voluntariamente e por amor, abro mão. Mas tudo o que diz respeito aos direitos de Deus eu os sustento. Por que? Porque não são meus direitos mas sim de Deus! O Senhor Jesus abriu mão dos seus direitos  porém ele jamais abriu mão dos direitos e do testemunho do seu Pai. Essa é a resposta que lemos dos apóstolos quando as autoridades ordenaram que eles parassem de pregar a Cristo. Pedro respondeu: “antes importa obedecer a Deus do que aos homens” At 5: 29. É nosso dever não abrir mão dos direitos de Deus.

 

Infelizmente, muitas vezes temos invertido essas premissas. Abrimos mão dos direitos de Deus, somos coniventes com o pecado público, sustentado e não confesso em nome da unidade. Relativizarmos nossa obediência aos mandamentos bíblicos. Ofendemos a santidade e o testemunho de Deus para não ofendermos aos homens. Mas, paradoxalmente, quando alguém pisa no nosso pé, quando entendemos que fomos ofendidos, então nos separamos, dividimos e declaramos guerra contra o nosso próximo.

Essas duas reações são dois lados da mesma moeda de uma mentalidade carnal e humana. E, qualquer ambiente em que os direitos de Deus são desrespeitados enquanto os direitos dos homens são mantidos uma confusão espiritual será rapidamente estabelecida. 

 

O Senhor Jesus já nos advertiu em Lc 6: 26 : “ai de vós quando todos vos louvarem! porque assim procederam seus pais com os falsos profetas”. Vida cristã exige de nós posicionamento claro em favor dos interesses de Deus e isso muitas vezes nos levará a uma inevitável separação como o Senhor também profetizou dizendo: ” não penseis que vim trazer paz à terra, não vim trazer paz, mas espada. Pois vim causar divisão entre o homem e seu pai; entre filhos e sua mãe e entre a nora e sua sogra.” Mt 10: 34 .

 

A minha oração é que o Senhor me dê do Seu espírito para que, com toda a mansidão e humildade, eu me esvazie de todos os meus direitos mas que Ele também me dê da sua firmeza e poder para que eu jamais venha abrir mão dos direitos de Deus. 

 

“Porventura procuro eu agora o favor dos homens ou o de Deus? ou procuro agradar a homens? Se agradasse ainda a homens, não seria servo de Cristo.” Gl 1: 10

 

Escolhas

outubro 17, 2019 0 comentários

“apanhai-me as raposas, são as raposinhas que devastam os vinhedos” Ct 2: 15

Certa vez vi uma dessas matérias que nos parecem inacreditáveis (depois pesquise na internet e verá o artigo): um canadense conseguiu trocar um clipe de papel por uma casa. Logicamente, ninguém trocaria uma casa por um simples clipe, o que esse esperto canadense fez foi realizar trocas, onde, no final, conseguiu chegar à casa. Então o clipe de papel foi trocado por uma caneta com forma de peixe. A caneta foi trocada por uma maçaneta de porta com desenho especial, a maçaneta por um fogareiro de acampamento e o fogareiro por um gerador. Dessa forma, ele foi trocando e trocando até chegar à uma casa na cidade de Kipling, Canadá.

Esse é um exemplo positivo de como uma pessoa, através das suas escolhas seguiu por um caminho de prosperidade. O problema é quando acontece o contrário conosco. Temos uma casa e à medida que fazemos nossas escolhas e tomamos as nossas decisões podemos terminar a nossa vida com apenas um clipe de papel nas mãos.

Eu fico pensando em Ló, a bíblia o chama de homem justo, porém teve um final de história muito triste e miserável. Mas esse processo não foi de um dia para o outro … “ló foi armando suas tendas até Sodoma e passou a conviver com pessoas más e grandes pecadores contra o Senhor” (Gn 13: 12-13). O inimigo tem suas estratégias e planos … ele não nos oferece alguma coisa que nos assuste e nos  afugenta. Ele te oferece coisas que estão dentro das nossas possibilidades e uma vez que ele fincou uma legalidade maligna nas nossas emoções ele começa o trabalho de deformar e corromper cada vez mais nossa percepção e valores de maneira que não percebemos as trocas que fazemos. Ele vai oferecendo pequenas situações onde você fará pequenas escolhas que poderão destruir a sua história. Apanhem as raposinhas porque são elas que devastam o vinhedo. 

Muitas vezes, os resultados das nossas escolhas não são imediatas. Assim como o filho pródigo, podemos passar por um período de falsa paz e alegria, até darmos conta de que estamos muito longe da casa do Pai nos alimentando do resto da comida dos porcos (Lc 15:14-16). E isso deveria ser um grande alarme para nós: porque as escolhas do presente  determinarão o que seremos no futuro.

Você é livre para escolher qual semente irá plantar mas lembre-se você será obrigado a colher o que semeou. Essa é a lei da semeadura que Deus estabeleceu e nenhum de nós consegue escapar: semeamos pensamentos colhemos comportamento; semeamos comportamento e colhemos hábitos, semeamos hábitos e colhemos caráter, semeamos caráter e, então  colheremos o nosso destino.

“De Deus não se zomba porque aquilo que o homem plantar isso também ceifará” Gálatas 6: 7

Novos Tempos

março 18, 2008 0 comentários

“Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo propósito debaixo do céu (…) há tempo de falar e tempo de estar calado. ”Ec 3:1,7 

Quando comecei esse Blog coloquei como meta pessoal escrever durante 12 meses publicando, pelo menos 01 pensamento por semana. Queria me esforçar em passar pelas 4 estações do ano para perceber quais seriam meus pensamentos durante os “verões” e os “invernos” da vida. Durante esse tempo parei de escrever por quase 09 meses por diversos motivos plausíveis (mudança de emprego, mudança de apartamento, viagens a trabalho, etc). Porém, ao longo de todo esse tempo, eu sabia que deveria voltar a escrever porque eu tinha a sensação de que meu objetivo não havia sido ainda cumprido. Voltei a escrever os pensamentos em Setembro do ano passado e, após, 55 pensamentos postados, sinto-me tranqüilo em parar de escrever.

Quando comecei a escrever sinceramente não sabia o que me esperava. Nunca tive facilidade para escrever e não sabia se o blog seria um manancial de prazer ou um pesado fardo que ficaria atado aos meus pés. Não foi nem um, nem outro. Os pensamentos nunca foram problema; eles estão sempre aí pulando na minha cabeça. O problema era conseguir colocar no papel os pensamentos com o mínimo de linearidade e aplicação. Tentei fugir do padrão estudo bíblico. Sei que não tenho a competência e a profundidade necessárias para escrever sobre assuntos já tão ricamente explorados por tantos santos ao longo das eras. Mas, desejei, pontuar meus pensamentos sempre usando como quadro de fundo minha história e cotidiano.

Também quero agradecer àqueles que, de alguma forma, interagiram comigo através de e-mails, sugestões, comentários e pensamentos. Amigos distantes, irmãos próximos e alguns que nunca os conheci. Estou certo que, no final da nossa jornada, nos encontraremos e nos saudaremos pessoalmente.

Como muitos sabem, dedico esse blog aos amados jovens com quem tenho o privilégio de conviver. Não sei se eles acompanharam os posts e também não sei se existiu algum tipo de ajuda objetiva. Porém, como irmão mais velho, sentia-me inclinado a passar um pouco das minhas derrotas, medos e ansiedades no desejo que isso gerasse, em suas vidas, vitória, coragem e descanso.

Se me permitem, gostaria de deixar um último pensamento. Se me perguntassem qual é a coisa mais surpreendente que eu já ouvi ou experimentei não teria nenhuma dúvida em responder: A graça de nosso Senhor Jesus. Estou certo que não há nenhum outro assunto ou tema em que eu deva gastar mais do meu tempo e esforço. Pedro diz: “esperai inteiramente na graça que nos está sendo trazida na revelação de Jesus Cristo. ” (I Pe 1:14) . Paulo, na sua última carta, aconselha ao seu filho na fé Timóteo: “fortifica-te na graça que está em Cristo Jesus” (II Tm 2:1). Por falar em Paulo, todas as suas cartas começam e terminam desejando graça. O que para alguns pode soar uma falta de criatividade da parte de Paulo, na minha opinião ele simplesmente desejava o melhor que ele havia recebido e experimentado em sua vida. A graça de Deus é o melhor que podemos receber, vivenciar e testemunhar. É pela graça que andamos e é pela graça que nos levantamos da queda. A graça de Deus é testemunhada em todo lugar o tempo todo. Precisamos apenas sintonizar nossos ouvidos espirituais para ouvirmos a doce melodia da provisão, proteção e salvação de Deus.

Comecei escrevendo esse texto com uma tremenda tempestade lá fora. Aproximei-me da janela e fiquei contemplando aquele espetáculo da natureza. Entre relâmpagos e trovões pude escutar o forte vento soprando contra minha janela. E, mais uma vez, tive um sentimento que insiste em me perseguir. Como uma onda, senti dentro de mim um estranho desconforto de inconformidade com o presente. Um desejo intenso de que meu futuro chegue rápido. Eu tenho uma hipótese para esse sentimento. Acho que é porque ainda sou um peregrino em terra estranha e, às vezes, sinto saudades do meu futuro lar.

“Aquele que dá testemunho desta cousas diz: Certamente venho sem demora. Amém. Vem Senhor Jesus. A graça do Senhor Jesus seja com todos.” Apocalipse 22:20,21